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Nesta loja, os “produtos” são acções de restauro ambiental

A nova Re-Store Portugal da WWF desafia-nos a “comprar” um futuro com mais natureza. A ideia é facilitar o apoio a projectos de conservação.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Lince-ibérico
WWF
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E se existisse uma loja onde, em vez de encher o carrinho com tendências, apoiasse acções concretas de restauro ambiental? É exactamente essa a proposta da WWF, que acaba de lançar a Re-Store Portugal, uma loja online que permite fazer donativos a três projectos de conservação diferentes, no Estuário do Tejo, na Serra do Caldeirão e no Gerês. A ideia é envolver as comunidades locais, que podem assim contribuir para planos específicos para cada território.

“Todos os dias sentimos os impactos da perda de biodiversidade e das alterações climáticas, desde a frequente escassez hídrica à produção alimentar cada vez mais vulnerável a pragas e doenças. Estamos perigosamente próximos de ultrapassar um ponto crítico que pode conduzir a um mundo quatro graus mais quente. A janela para agir está a fechar-se e a solução mais eficaz está diante de nós: restaurar a natureza, com a própria natureza”, lê-se em nota sobre a iniciativa, que junta ciência, acção no terreno e participação colectiva para regenerar ecossistemas em risco.

O restauro ecológico consiste em apoiar a recuperação de um ecossistema degradado, danificado ou destruído, orientando-o numa trajectória de regeneração que lhe permita adaptar-se às mudanças locais ou globais. Neste sentido, a WWF garante que as áreas de intervenção – nove ao todo – foram escolhidas através de uma análise rigorosa, que cruzou diferentes critérios e recorreu a tecnologias de mapeamento e a avaliações multicritério para identificar os locais com maior necessidade e potencial de recuperação da biodiversidade. Além disso, a organização compromete-se a “restaurar pelo menos três entre 2026 e 2030”.

Para começar, está a promover-se o restauro do Estuário do Tejo, na região de Lisboa, que suporta habitas como sapais, essenciais para espécies como o cavalo-marinho, mas enfrenta pressões como a poluição e a erosão costeira; da Serra do Caldeirão, que se situa entre o Algarve e o Baixo Alentejo, está vulnerável a incêndios e seca prolongada e alberga espécies ameaçadas como o lince-ibérico; e do Parque Nacional Peneda-Gerês, no norte de Portugal, que abrange uma vasta região montanhosa, com ecossistemas únicos, tanto terrestres como aquáticos. 

Entre as tais “acções concretas”, está previsto desde a instalação de estruturas subaquáticas no Estuário do Tejo, para abrigo e reprodução, sobretudo dos cavalos-marinhos da frente ribeirinha de Almada, até à reflorestação da Serra do Caldeirão, com espécies autóctones e recuperação de solos. Quanto ao valor mínimo dos donativos, varia entre os 37€ e os 80€. A partir de 199€, tem direito a um certificado digital, um crachá e uma newsletter da evolução do restauro que escolheu apoiar. Por mais 2€, poderá fazer uma visita virtual ao terreno. Se preferir ver ao vivo, a WWF assegura que tem “visitas ao terreno e eventos presenciais” para a comunidade de doadores.

Estão também previstos projectos de restauro da Serra da Estrela, das Serras de Aire e Candeeiros, do Vale do Guadiana e Ribeira do Vascão, do Rio Tejo, da Ria de Aveiro e da Ria Formosa. “O tempo de agir é agora e, com a natureza como aliada, Portugal tem a oportunidade de liderar o caminho para um futuro mais equilibrado, justo e sustentável. Este é um investimento com retorno múltiplo: protege a biodiversidade, assegura recursos vitais para as pessoas como água e alimentos, previne catástrofes naturais e cria oportunidades para inovação e emprego verde.”

E sim, o impacto será medido com indicadores ambientais, sociais, económicos e de governança, como hectares restaurados, número de espécies e valor investido localmente. Além disso, os resultados serão actualizados semestralmente, tornados públicos e auditáveis, e a WWF compromete-se também a garantir a manutenção das áreas restauradas, com o apoio de parceiros locais e monitorização contínua, mesmo após a conclusão das acções previstas.

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