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O projecto é da designer Inês Maldonado, que não só nos desafia a escrever à mão como nos propõe fazê-lo no mais bonito papel de carta.

Inês Maldonado é uma ávida coleccionadora de papéis esquecidos, de envelopes desbotados até cartões de visita com ar vintage. Agora, a designer gráfica, que também é fundadora do Atelier Maldonado, faz da sua paixão por estacionário a desculpa perfeita para ter a sua própria papelaria. É uma Papelaria Moderna, mas os objectos à venda são de outro tempo e convidam-nos a escrever à mão, como se fazia antes da tecnologia dominar os nossos dias.
“Trabalhei numa papelaria em Inglaterra durante uns anos e há muito que gostava de ter uma. É o item que está há mais anos na minha lista de resoluções de Ano Novo”, confessa Inês, entre risos. “Mas não queria vender material de escritório, nem que a curadoria fosse exclusivamente para crianças.” A ideia é, por outro lado, brincar com as memórias que temos das antigas papelarias e “das coisas que são feitas para durar, mas também das que pomos na gaveta porque [são tão bonitas que] temos pena de usar”.
É tudo escolhido a dedo, claro. Por exemplo, os cadernos da Emílio Braga (desde 14€), uma das papelarias mais antigas de Portugal, que os fabrica de forma totalmente artesanal desde 1918. Ou as reedições nostálgicas das caixas de lápis Viarco de 1950 (11,50€), que presta homenagem à histórica marca portuguesa, fundada em 1907. Ou os papéis vergê (12€), fabricados pela belga Crown Mill Factory desde 1870. Ou o afia-lápis praticamente indestrutível da Möbius + Ruppert, uma casa alemã fundada em 1922.
“São marcas familiares que partilham a nossa filosofia, e produzem há muitas décadas, da mesma forma e com a mesma qualidade, muitas vezes em quantidades limitadas”, explica a designer, que admite ser uma apaixonada por estacionário. “Sou uma grande coleccionadora de papéis e de coisas de outros tempos, por isso tem sido bom pensar esta Papelaria Moderna, que até tem um nome que eu acho que soa a algo que podia ter existido nos anos 30. É uma papelaria de agora, com coisas que podiam ser de antigamente.”
Destacam-se ainda os produtos vintage, que Inês encontra em viagens, arquivos e gavetas antigas, como gravuras recortadas e com relevo (desde 3€), produzidas na Alemanha, por uma casa histórica activa desde 1948. “Nunca foram utilizados, mas já foram produzidos há muito tempo. Tínhamos uns blocos de papel dos anos 60 e já esgotaram”, partilha, antes de nos falar também da linha de estacionário que criou para a Papelaria Moderna.
“Temos cartões feitos numa tipografia antiga [nos arredores de Lisboa], naquelas máquinas que ainda imprimem no papel com um cunho, que é no fundo uma gravura em metal, que dá aquele baixo relevo, que fica muito especial no papel texturado”, diz-nos, orgulhosa das frases que criou em português “com algum sentido de humor”. Lê-se “É só uma gracinha”, “Se já não nos virmos, bom Natal” ou “Tem talão de troca”.
Há ainda papel de carta e cartões de cumprimentos (10€-12€), decorados com ícones de animais, como lebres, macacos e gatos, adaptados a partir de desenhos dos anos 20. “Queremos incentivar a escrita à mão. Numa segunda fase, gostávamos inclusive de ter um projecto que também falasse um pouco disto das cartas, de uma conversa que fica congelada no tempo, que uma pessoa guarda e muitos anos mais tarde vai reler.”
No futuro, Inês gostava de abrir as portas desta papelaria, que por agora só existe online. “Adorava ter uma loja física, até porque acho que toda a gente gosta de entrar numa papelaria bonita e ver os objectos ao vivo, mas é para ir devagar, porque é isso que queremos, fazer o elogio às coisas que se fazem devagar.”
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