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As jornalistas Diana Matias e Miriam Alves resolveram trocar a ciência por miúdos e conduzir-nos numa viagem pelo tempo e pelo espaço. A protagonista é uma gota de água aventureira.

“Caiu lá de cima, num voo a pique.” É assim que começa esta história em verso, protagonizada por uma gota de água aventureira. Como se anuncia logo na primeira página, é extraterrestre e não só veio em paz, como nos trouxe o melhor presente de todos: a vida. Afinal, antes dela o mundo era uma bola escaldante. Depois dela, bem, isso é o que nos contam as jornalistas Diana Matias e Miriam Alves. Editado pela Lilliput, chancela da Penguin Random House, e ilustrado por Filipa Beleza, Tu bebes a água que um dinossauro bebeu reflecte o trabalho notável que as suas autoras têm feito para tornar o conhecimento científico acessível a todos.
“A ideia surgiu-me por causa de um documentário que vi, e no qual uma bióloga diz que a água é a mesma desde o início dos tempos. Nunca tinha pensado nisso e achei avassalador, o pensamento que todos os seres que habitaram este planeta mergulharam na mesma água, beberam da mesma água”, diz-nos Miriam Alves, que não é estreante nisto de escrever para a infância. A jornalista da SIC, que coordena a equipa de Grande Reportagem, é autora de As peças mais pequenas – Tudo o que vemos é feito do que não vemos, ilustrado por Yara Kono e editado pela Planeta Tangerina.
Seguindo o percurso fascinante da água desde os primórdios do Sistema Solar, somos convidados a viajar pelo tempo e pelo espaço, e a aprender mais sobre o seu papel nas grandes transformações do planeta e na formação das civilizações. A linguagem é, como se quer, acessível, e fica no ouvido. O mérito é do talento para a rima de Diana Matias, que co-assina o texto. “Ela tem mesmo jeito, é o super-poder dela”, elogia Miriam. “Descobriu-o durante as viagens de carro com os meus filhos”, revela Diana, entre risos. “Quando eles eram pequenos, fazíamos uma brincadeira: eles diziam uma palavra e eu tinha de pensar noutra que rimasse. Com o tempo fui percebendo que isso os ajudava a reter informação.”
O processo criativo foi desafiante, mas escrever a quatro mãos, “com duas cabeças que às vezes não pensam da mesma maneira”, revelou-se uma mais valia “na coordenação e organização da informação”. “Era muito importante para nós que não fôssemos imprecisas. Contámos com a revisão científica da [astrobióloga] Zita Martins, mas curiosamente, a rima também nos ajudou muito, porque acho que permite de facto chegar a miúdos mais novos de uma forma simples mas sem ser simplista”, explica Miriam. Por outro lado, fizeram questão de incluir palavras “mais difíceis”, como «trilobites», que se refere a animais invertebrados já extintos, de que só há registos fósseis.
“Não queremos que seja uma leitura completamente passiva”, admite a autora. “O nosso objectivo é que seja uma leitura em família e, portanto, que haja acompanhamento e um amparo por parte dos pais. Até acho que há muitos pais que vão aprender imenso com este livro, tal como nós aprendemos. Mas também é importante não subestimar os miúdos, devemos desafiá-los, pôr iscos e deixá-los pensar. Quanto mais novos, melhor, porque estão muito abertos a descobrir; são muito, muito curiosos.”
Já na hora de ilustrar, Filipa Beleza – que se estreou no desenho para a infância com Boa Noite, Olá!, escrito por Raro Oliveira e editado pela Tcharan – procurou tornar a história dinâmica e divertida para leitores de várias idades. “Claro que fiz pesquisa – sobre a evolução do planeta, por exemplo – e passei imenso tempo à procura de referências visuais, mas a minha principal preocupação foi que tanto as crianças como os adultos reagissem às figuras representadas, e que mesmo os mais novos, que ainda não sabem ler, ficassem entusiasmados e com vontade de revisitar o livro”, partilha, sem que haja competição entre texto e imagem.
“Já conhecíamos o trabalho da Filipa, mas nunca tínhamos conversado e também só falámos já depois de estar tudo ilustrado”, revela Miriam. Para Diana, foi mesmo “cada página uma surpresa”. “Foi muito giro ver as nossas palavras serem traduzidas para imagem, e de facto para um livro desta natureza, pensado para crianças pequenas, é importante que haja uma relação de afinidade entre texto e ilustração.” Acreditam que foram bem-sucedidas nessa empreitada. A filha mais nova de Diana, que tem nove anos, comentou inclusive a quantidade de personagens que a protagonista, a gota aventureira, faz ao longo da história.

Mas, afinal, sobre o que é este livro? Sobre a água, de onde vem, de que é feita, que papel tem no planeta e na nossa vida, mas também sobre como temos feito uso dela. E como é preciso evitar desperdiçá-la. “Queríamos deixar este alerta, porque nem toda a gente tem uma torneira de onde sai água”, relembra Miriam. “Depois falamos também das inundações, que é um tema agora. Talvez falte – a Diana não concorda comigo – a parte em que devemos exigir aos poderes políticos que façam alguma coisa. De qualquer forma, a esperança é que lhes deixemos as ‘ferramentas’ para que sejam eles a dar esse salto.”
O lançamento está marcado para 21 de Fevereiro, às 15.30, no Pavilhão do Conhecimento. Além das autoras e da ilustradora, está também confirmada a presença da astrobióloga Zita Martins, cuja investigação explora como a vida pode ter começado na Terra, procurando compostos orgânicos em amostras de meteoritos. Haverá ainda um “desafio surpresa e gotas de água para colorir”.
Tu bebes a água que um dinossauro bebeu, de Diana Matias e Miriam Alves (texto) e Filipa Beleza (ilustrações). Lilliput. 64 pp. 15,95€
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