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Com mais espaço para cada vez mais produtos, a Norm. inaugurou uma nova casa em Lisboa que quer ser acolhedora, inclusiva, informativa e empática. Próximo passo? O Porto.

Longe vai o tempo em que estar com o período no Verão era um impeditivo de ir a banhos. Hoje é tudo mais fácil – e no que depender da portuguesa Norm., tem tudo muita pinta.
A abertura da nova loja de roupa interior menstrual em Campo de Ourique, duas vezes maior do que a anterior que vem substituir, coincide com o lançamento da nova colecção de swimwear. Y qué? – assim se chama, como quem diz “Veio-te a menstruação em pleno Verão, e daí?” – aposta no preto e no verde azeitona e apresenta, pela primeira vez na história da marca, um padrão. Os tamanhos vão do XS ao XL (alguns modelos existem até em XXS e XXL) e prometem agradar a diferentes gostos, idades, alturas, pesos e curvas.
“A beleza pode ter muitas formas e sabemos como a compra de fatos de banho e biquínis pode ser difícil e mexer com a auto-estima”, diz à Time Out Catarina Barreiros, co-criadora da Norm. e a autora do padrão aos quadrados que dá vida ao charriot da colecção de Verão. “Todas as peças são mix and match, não só para poder fazer mais conjugações como para responder à diversidade de corpos”, continua.
No total, são seis os modelos: três fatos de banho e três biquínis. Dois já vinham de 2025, ano em que se a marca se estreou nas peças de praia, e quatro são novidades: o fato de banho Isabela (99,90€), com decote em V e ajuste lateral; o Margarida (99,90€), cai-cai; o biquíni Glória (109,90€), de inspiração pin-up; e o Caetana (99,90€), de design triangular ajustável. Nestes últimos, as cuecas podem ser compradas à parte, por 39,90€.
Os nomes são todos de colaboradoras da empresa fundada por três mulheres há três anos – Catarina e as irmãs Cristina e Patrícia Faria – e os acabamentos são sempre pensados à volta do conforto, da durabilidade e da sustentabilidade, com forro em lycra, alças reforçadas e uma tecnologia absorvente, impermeável e que garante que as peças não ganham volume na água.
As montras com manequins decorados com flores secas e tiradas como “It’s bloody normal” convidam a atravessar a porta cor-de-rosa sem medos. “Ainda é um produto muito novo, as pessoas têm dúvidas. Queremos dar-lhes um espaço seguro e deixá-las completamente à-vontade para perguntar, desabafar e pedir a nossa opinião”, diz Catarina, explicando que o banco almofadado, o tapete confortável, os candeeiros de casa e o provador espaçoso foram todos pensados para a experiência ser o mais humana possível.
Ajudam ainda os dois livros da autora Patrícia Lemos ali à venda – Período, um guia ilustrado “para descomplicar, porque a menstruação não tem de ser um bicho de sete cabeças”, e Não é só Sangue, para um público mais velho.
“Queremos estar do lado das mães, das filhas, de mulheres de todas as idades” – continua a empreendedora enquanto apresenta os modelos de cuecas e sutiãs pendurados nos cabides. Com ou sem rendas, em preto, rosa, latte ou mocha, mais ou menos decotados (e, assim, com mais ou menos capacidade de absorção, que vai de um penso diário a quatro tampões) tanto podem ser usados por miúdas – “que querem cuecas menstruais que não se pareçam com fraldas ou com as cuecas da avó” –, como por mães (há um sutiã de amamentação) e até mulheres mais velhas, que podem já estar na menopausa mas sofrem, por exemplo, de pequenas perdas urinárias.
Para as adolescentes em fase de descoberta do seu ciclo, há agora o pack especial de duas cuecas menstruais Maria do Mar (42,90€) – umas com padrão de bolinhas, outras de riscas. Vão do 3XS (equivalente a 9-10 anos) ao L e por cada pack vendido, a Norm. doa umas cuecas a uma instituição ou ONG. “Sentimos esta necessidade de ajudar. A nossa fábrica é pequena, mas incrível, e vendeu a preço reduzido deadstock para fazermos este modelo social. Se pudermos dar dignidade a quem por vezes não tem, já vale a pena.”
Mais do que uma loja, a Norm. quer juntar uma comunidade. No início de 2026, lançou a Norm.Life, uma plataforma que disponibiliza conteúdos educativos em colaboração com especialistas de diferentes áreas da saúde e do bem-estar. “Tem vídeos de nutricionistas e educadores menstruais, receitas, um fórum para dúvidas… é um género de girl club”, resume Catarina.
Em Março foi a vez do mini documentário Heard and Held, sobre endometriose. O projecto, em parceria com a Associação Mulherendo e disponível no site da Norm. e no Youtube, dá voz a 15 mulheres que vivem com esta doença muitas vezes desvalorizada.
Para breve, está a abertura da primeira loja no Porto. “O nosso papel é desdramatizar a situação e facilitar, por uma questão de conforto, de saúde e de sustentabilidade”, remata Catarina, que com Cristina e Patrícia, não tem falta de ideias e projectos para o futuro. Sorte a das mulheres que se cruzam com elas.
Rua Francisco Metrass 83, Campo de Ourique. Seg-Sáb 11.00-19.00
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