[category]
[title]
A actriz e realizadora Olivia Wilde assina e interpreta, com Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, o remake americano de ‘Sentimental’, do espanhol Cesc Gay, que põe em cena um par de casais que são vizinhos, e muito diferentes.

Na base de O Convite, realizado pela actriz Olivia Wilde (é a sua terceira longa-metragem atrás das câmaras), que também interpreta, acompanhada por Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, está um filme espanhol de 2020 intitulado Sentimental, assinado por Cesc Gay, que se estreou em Portugal sem ninguém dar por ele. Gay adaptou aqui ao cinema a sua própria peça de teatro de grande sucesso, Los Vecinos de Arriba, que além dos americanos, também já atraiu a atenção de países tão variados como a Coreia do Sul, a Suíça, a Itália ou a França, onde já teve versões cinematográficas.
Desde 2021 que este remake americano estava anunciado, e o projecto passou por várias mãos antes de chegar às de Olivia Wilde, alguns anos depois. Se os argumentistas de O Convite se mantiveram os mesmos desde o início – Will McCormack e Rashida Jones –, realizador e actores mudaram desde que o projecto surgiu até começar finalmente a ser rodado. A fita esteve para ser feita por Jonathan Dayton e Valerie Faris (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos), e Amy Adams, Paul Rudd e Tessa Thompson iam interpretar três dos quatro papéis, mas finalmente, Wilde assumiu a realização e uma das personagens, acompanhada pelos citados Rogen, Cruz e Norton.
Wilde não tenta escamotear as origens teatrais de O Convite, uma “peça de câmara” que se passa integralmente no apartamento de São Francisco de Joe (Rogen) e Angela (Wilde), casados e com uma filha de 12 anos. O seu matrimónio está a desfazer-se porque deixaram de se dar bem e de terem vida sexual. Joe é um músico frustrado que teve uma banda que gravou um álbum e se desfez, e dá aulas num conservatório menor daquela cidade. Angela, que tem um curso de Artes, limita-se a fazer as compras e a decorar sem cessar o apartamento, em que o marido nasceu e foi criado, e que os pais deste lhe deixaram. Joe sofre das costas e Angela deu-lhe uma bicicleta, pensando que o iria ajudar. Mas a bicicleta é pequena demais e difícil de transportar, e agrava as dores de Joe em vez de as diminuir – bem como os ressentimentos dele em relação à mulher.
Uma tarde, Joe chega a casa (cheia de dores lombares, como de costume), e Angela diz-lhe que os vizinhos de cima vão lá jantar. Eles são Piña (Cruz), uma psicoterapeuta e sexóloga espanhola, e Hawk (Norton), um antigo bombeiro que agora dá daquelas massagens da moda com nomes estranhos de que os hipsters gostam. Angela está a fazer um soufflé e preparou uma mesa de tapas. E fica furiosa com o marido porque ele se esqueceu de comprar o vinho. Joe, por seu lado, também não fica nada satisfeito, porque detesta os vizinhos, que fazem muito barulho quando estão a fazer amor, seja de dia, seja de noite, e para disfarçar, tem de dizer à filha que eles estão a mudar mobília de um sítio para o outro.
Piña e Hawk chegam entretanto, e são o oposto de Joe e Angela. Estão juntos e não casados e parecem dar-se lindamente um com o outro, são boémios, são descontraídos, têm ideias desempoeiradas e são cool. E para desespero mal escondido da neurótica Angela, Joe não desistiu de confrontar os vizinhos com a sua barulhenta vida sexual. Mas o serão vai ser mais movimentado e inesperado (e, a espaços, mais embaraçoso) do que todos poderiam esperar à primeira vista – em especial no plano das revelações e confissões do foro íntimo –, e se Joe e Angela, e o seu casamento periclitante, vão estar na berlinda, Piña e Hawk também vão apanhar por tabela.
Trazendo a chancela da A24, a produtora independente que é a coqueluche do momento do cinema americano, O Convite cruza a comédia satírica e de costumes, e o psicodrama conjugal e de relacionamentos, e é dedicado por Olivia Wilde à falecida Diane Keaton, que a actriz e realizadora muito admirava. E é um daqueles filmes feitos a pensar numa plateia adulta, com gostos, interesses e referências muito para além dos super-heróis, do humor alvar e grosseiro ou do terror de talho a escorrer sangue, de que Hollywood parecia andar esquecida há bastante tempo.
📲 Siga-nos nas redes sociais: Whatsapp, Instagram, Facebook e LinkedIn
Discover Time Out original video