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O Projecto Casa Assombrada celebra dez anos e estreia novo terror imersivo no antigo Convento da Encarnação.

O Teatro Reflexo assinala o décimo aniversário do Projecto Casa Assombrada com uma nova criação de terror imersivo. Chama-se O Jogo do Diabo, tem direcção criativa de Michel Simeão e estreia a 21 de Novembro, no antigo Convento da Encarnação. “Fazer um jogo em que as pessoas têm um papel tão relevante é muito arriscado. Mas tanto nós como o nosso público já atingimos essa maturidade. Estamos prontos”, garante o director criativo.
Há dez anos a explorar experiências teatrais em espaços não convencionais, o colectivo volta a desafiar os limites do género com uma proposta onde o público deixa de ser espectador para se tornar parte integrante da acção. Cada participante é chamado a assumir o papel de demonologista, envolvido numa investigação sobrenatural que decorre em tempo real. “Já o tínhamos feito no Corredor Horror, no Mosteiro de Odivelas, em que experimentámos abrir a porta ao role play pela primeira vez, mas em segmentos curtos. Agora o que vamos fazer é estender esse role play para um serão”, explica Simeão.
Em O Jogo do Diabo, a família Menezes decide converter o antigo convento num hotel. O projecto é interrompido quando uma carta de uma freira do século XIX é descoberta, relatando a presença de uma força demoníaca que assombra o edifício e mata quem o habita. A mensagem deixa também uma instrução: para quebrar a maldição, é preciso jogar o chamado “Jogo do Diabo”. As regras são simples e perversas.
Os donos do convento devem oferecer 666 mil euros a quem se voluntariar para ser possuído pelo demónio. Cinco pessoas respondem ao anúncio e passam a viver no convento – todas com sinais de possessão. Apenas uma delas, no entanto, está realmente sob o controlo da entidade. Para descobrir a verdade, os Menezes contratam cinco equipas de demonologistas – interpretadas pelo público –, responsáveis por resolver o mistério.
O jogo desenrola-se ao longo de 90 minutos e envolve cinco equipas, com um máximo de cinco elementos cada. No momento da compra do bilhete, os participantes escolhem a equipa a que pretendem juntar-se. Assim que entram no convento, a realidade desaparece: todos são personagens e o papel nunca pode cair.
“O público está sempre envolvido, está sempre presente, faz sempre parte da acção. Nós precisamos dele para andar com a história para a frente, para desbloquear e, por isso, o texto tem que ser vivo, o espectáculo tem que ser vivo, porque as pessoas são sempre diferentes todas as noites e são a nossa contracena muitas vezes, portanto nós temos que estar disponíveis enquanto actores e performers para receber o que o público tem para nos dar e conseguir conciliar e adaptar aquilo que é o nosso texto, a nossa intenção.”
A vitória depende da capacidade de recolher pistas, resolver enigmas e enfrentar o medo. Ter sorte não chega. Os participantes terão de investigar os segredos da família Menezes e dos seus hóspedes, participar em cenas improvisadas com os actores e trabalhar em conjunto para chegar à verdade – ou perder-se no processo. No final, apenas uma equipa será declarada vencedora.
Depois do sucesso de O Convento, esgotado durante quatro meses consecutivos, Michel Simeão faz um balanço muito positivo de uma década de terror imersivo. O Projecto Casa Assombrada nasceu da vontade de fazer teatro de forma diferente, apostando numa abordagem que aproximasse o público dos actores e o colocasse no centro da acção. No início, o processo foi sobretudo intuitivo: experimentou diferentes formatos e linguagens, sempre com foco nas histórias e na experiência do público. O objectivo era simples, mas ambicioso: contar boas histórias e criar narrativas capazes de provocar impacto real em quem participa. O terror, género que o fascinou na adolescência depois de uma infância marcada pelo medo, acabou por se revelar o território ideal para explorar esse formato imersivo.
“Temos milhares de pessoas que acompanham o nosso trabalho religiosamente e que mantêm a estrutura viva, que nos procuram. Há muito público que viu todas as nossas produções imersivas, vamos estrear a 13.ª”, partilha. “Nós não podíamos estar mais felizes e é difícil, é um desafio, porque trabalhamos em locais não convencionais e isso obriga-nos sempre a ter que encontrar espaços para desenvolver o nosso trabalho, e espaços que também tenham interesse histórico e arquitectónico ou, então, um bom décor para fazer terror. Neste caso, com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi uma parceria muito feliz porque, por um lado, estamos a mostrar o monumento que data de 1638 e que muito pouca gente teve oportunidade de conhecer porque ele nunca esteve aberto ao público. E, por outro, estamos a fazer cultura e entretenimento, a criar trabalho a mais de 20 profissionais da área, a levar pessoas a saírem de casa para terem uma noite diferente com os amigos, a fazer cultura e a viver dela, sem nenhum tipo de subsídio.”
Convento da Encarnação. 21 Nov-20 Dez, Sex-Sáb 20.00/ 21.45/ 23.20. 58€ (duas pessoas)-85€ (três pessoas). Para adquirir uma equipa completa, será necessário comprar os dois bilhetes disponíveis na Ticketline. A experiência é exclusiva a maiores de 18 anos.
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