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Margot Robbie e Jacob Elordi interpretam, e Emerald Fennell escreve e realiza a mais recente adaptação da obra-prima de Emily Brontë. Um livro que, desde 1920, nunca mais deixou de estar presente no cinema e na televisão.

Ainda o cinema não falava quando foi rodada a primeira adaptação de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, em 1920, realizada por um inglês, A.V. Bramble, que também era actor, e que se julga perdida para sempre, já que não há registo de nenhuma cópia. Quase 20 anos depois, em 1939, William Wyler assinou, para a MGM, aquela que é, ainda hoje, a mais carismática e marcante versão cinematográfica da história de amor arrebatado e funesto entre Cathy e Heathcliff nas paisagens agrestes do Yorkshire, interpretados por Merle Oberon e Laurence Olivier. No elenco surgem ainda David Niven, Flora Robson ou Donald Crisp. Apesar de tomar bastantes liberdades com a narrativa, este sumptuoso O Monte dos Vendavais foi nomeado para oito Óscares, tendo ganhado o de Melhor Fotografia.
A primeira versão para televisão deste clássico absoluto da literatura data de 1953. Foi escrita para a BBC pelo lendário Nigel Kneale, um nome que associamos muito mais ao cinema de ficção científica e fantástico, do que histórias como a de O Monte dos Vendavais. As interpretações foram de Richard Todd e Yvonne Mitchell. Cinco anos mais tarde, em 1958, foi a vez da televisão americana estrear a sua adaptação, pela mão da CBS, embora com dois britânicos nos papéis principais: Richard Burton e Rosemary Harris. Seguiram-se os franceses, com Les Hauts de Hurlevent, em 1964, produzida pela ORTF, a estação estatal. A partir daí, nunca mais o cinema e a televisão deixaram de apresentar regularmente novas versões do livro, mesmo que livres em vários graus, contemporâneas ou até excêntricas.
Entre os actores e actrizes que nestes últimos 60 anos já personificaram Cathy e Heathcliff na grande tela ou na televisão, contam-se nomes como Ian McShane, Timothy Dalton (pré-James Bond), Anna Calder-Marshall, Tom Hardy, Charlotte Riley, Ralph Fiennes ou Juliette Binoche. Fora de Inglaterra e dos EUA, O Monte dos Vendavais já teve incarnações – todas elas consideravelmente idiossincráticas – em França (por Jacques Rivette), no México (pela mão do espanhol Luis Buñuel, então lá instalado) e no Japão (assinada por Yoshishige Yoshida). Isto sem falar nas menos conhecidas versões filipinas ou indianas, mas decerto cheias de cor local.
Quinze anos depois da adaptação de Andrea Arnold (que não foi particularmente bem recebida), é agora a vez de outra mulher, a actriz e realizadora inglesa Emerald Fennell, seleccionar a imortal obra de Emily Brontë para a sua terceira longa-metragem, após Uma Rapariga com Potencial (2020) e Saltburn (2023), tendo também escrito o argumento. E para os dois papéis principais foram escolhidos Jacob Elordi e Margot Robbie (também uma das produtoras), numa versão que se anuncia como a mais eroticamente carregada de todas até agora, bem como uma das mais assumidamente melodramáticas, e que aposta numa abordagem visual em que a direcção artística e o guarda-roupa têm papéis muito importantes.
Numa entrevista dada recentemente à BBC, Emerald Fennell, que tem 39 anos, disse: “[Quis fazer um filme que] fosse algo como o livro que li quando tinha 14 anos”. Filmar O Monte dos Vendavais era o que ela “queria mais desesperadamente fazer”, frisando: “Estive obcecada. Fui levada à loucura por este livro. E agora estou ainda mais louca do que antes, porque pensei em pouco mais coisas nestes últimos dois anos”. Transpor este romance para cinema “é assustador, claro”: “porque é uma enorme responsabilidade e porque sei que, se tivesse sido outra pessoa a fazê-lo, eu estaria furiosa. É material muito pessoal para toda a gente […]. E penso que a forma como nos relacionamos com as personagens é muito particular”.
Apesar das várias liberdades que tomou com a história, a realizadora disse também que manteve muitos dos diálogos originais de Emily Brontë. “Estava mesmo determinada a preservar o máximo possível de diálogos dela, porque são os melhores de sempre. Eu não seria capaz de fazer melhor. Quem seria, aliás?” Este novo O Monte dos Vendavais teve um orçamento farto, de 80 milhões de dólares, e foi rodado em VistaVision, sendo o quarto filme a privilegiar este formato recentemente, após O Brutalista, de Brady Corbet, Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, e Bugonia, de Yorgos Lanthimos. Resta só saber como se medirá com as versões anteriores, já que, quer para os cinéfilos, quer para os apaixonados do livro, as comparações são inevitáveis.
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