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O Pavilhão do Conhecimento foi invadido por “Superbichos”

Na nova exposição do Pavilhão do Conhecimento, os protagonistas são alguns dos animais mais fascinantes de Portugal.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
“Superbichos! Incríveis por Natureza”
Ciência Viva | “Superbichos! Incríveis por Natureza", no Pavilhão do Conhecimento
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Pinças com força titânica, corpos que mudam de cor, bússolas internas. Parece ficção científica, mas estas capacidades extraordinárias pertencem a espécies que habitam florestas, rios, praias e até cidades portuguesas. Na nova exposição do Pavilhão do Conhecimento, não só temos oportunidade de ficar a saber mais sobre alguns dos animais mais fascinantes do nosso país, como o lince-ibérico ou o falcão-peregrino, como somos desafiados a testar as nossas próprias habilidades. Patente até 30 de Setembro de 2026, “Superbichos! Incríveis por natureza” é um convite à descoberta do mundo natural, mas sobretudo a cuidarmos dele.

“A exposição original [que vem do Techmania Science Center, na Chéquia] tinha um ângulo diferente. Focava-se muito nos humanos vs. animais, mas nós não queríamos perpetuar essa narrativa de competição, interessava-nos mais contar uma história em que o foco não fôssemos nós. Por outro lado, achámos que seria importante falarmos sobre animais que vivem no nosso país e não do outro lado do mundo, de locais longínquos, que só vemos em documentário”, revela-nos Sofia Lourenço, responsável do departamento expositivo. “Queríamos que os nossos visitantes percebessem que estes super-animais também vivem muito perto de nós, às vezes à distância de um passeio ao jardim.”

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Foi preciso cerca de um ano para adaptar o material expositivo, da legendagem à cenografia. Para além disso, acrescentou-se informação relativa a projectos de ciência cidadã, bem como nove testemunhos de investigadores. “Para que os visitantes percebam que não é só no estrangeiro que se trabalha em conservação, nem é só lá fora que há casos de sucesso”, assegura Sofia. “O lince e o lobo ibéricos, o ruivaco-do-oeste – que é um peixe – e o veado-vermelho são algumas das espécies para as quais foram implementados esforços de conservação em Portugal e das quais podemos ouvir estes testemunhos em primeira mão.

Ao todo, são 27 módulos, quase todos interactivos. Um dos destaques é dedicado ao ser vivo mais rápido do planeta: o falcão-peregrino. Em voo normal, atinge velocidades de 80 km/h, mas é no seu “mergulho” de caça que surpreende com uma velocidade de 300 km/h. Para um ser humano, isto é inimaginável: o actual recorde de velocidade máxima é de quase 45 km/h, marca atingida pelo atleta jamaicano Usain Bolt. Mas, no Pavilhão, os visitantes podem tentar ultrapassar essa façanha. Basta posicionarem-se na pista, escolherem um adversário animal – do mais lento ao mais veloz – e descobrirem quem ganha a corrida.

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Ciência Viva| No módulo dedicado ao falcão-peregrino, os visitantes são convidados a testar as suas habilidades de corrida

Em Portugal, o falcão-peregrino – uma ave de rapina diurna cujo voo picado constitui um dos mais fantásticos espectáculos da natureza – tem uma distribuição bastante alargada, embora dispersa, encontrando-se principalmente em áreas montanhosas e falésias costeiras. Infelizmente, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, há apenas 79 a 100 casais no país, pelo que está classificada como espécie “vulnerável” no Livro Vermelho dos Vertebrados. Em Lisboa e Vale do Tejo, podemos observá-la no Cabo da Roca ou no Cabo Espichel, por exemplo. Também aparece junto à Ponte 25 de Abril e ao Cristo-Rei.

“A conservação destas espécies depende de todos; depende do valor que, cada um de nós e todos juntos, lhes damos”, reforça Sofia, que acredita que o trabalho que a equipa colocou nesta exposição terá resultados práticos. “Conhecer estes animais leva a que os visitantes os valorizem. Se os valorizam, têm também mais predisposição para os proteger. Quem ama, protege, e é o que queremos, que sintam empatia com estas espécies, para que saiam daqui mais inspirados a agir”, explica. “A ideia é, aliás, entrar na pele destes super-animais e perceber como é que eles fazem o que o fazem.”

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Por exemplo, no módulo dedicado ao lobo-ibérico – que pode ser ouvido a uma distância de até 16 km em terreno aberto e de até 10 km em florestas –, somos convidados a descobrir quantos decibéis conseguimos atingir com o nosso uivo mais poderoso. Já no módulo dedicado ao escaravelho-sagrado, que é capaz de mover objectos com até 20 vezes o seu peso corporal, podemos empurrar uma estrutura que avalia a nossa força. Por sua vez, o módulo dedicado à coruja-das-torres, cujos ouvidos assimétricos lhe permitem triangular a origem de um som com grande exactidão, não só põe a nossa própria audição à prova, como nos desafia a testar o nosso campo de visão e a compará-lo com o de outros animais.

Há mais, claro. Em “Superbichos! Incríveis por natureza”, também podemos comparar a nossa percepção auditiva com a de um golfinho, tentar saltar mais do que uma rã verde, ver como uma libélula e até perceber como a temperatura de um morcego varia em repouso, voo e hibernação. “Não é para correr por correr, nem uivar por uivar. O objectivo é mesmo encarnar estes animais”, remata Sofia, antes de chamar a atenção para outra mais-valia da exposição: quase todas as legendas incluem dicas sobre como ver estas espécies ao vivo. “Por exemplo, para ver um camaleão (mas nunca tocar!), dizemos para se dirigirem às dunas do Sotavento algarvio, ao fim do dia, com uma lanterna.”

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Há ainda códigos QR, que nos reencaminham para os tais projectos de ciência cidadã, portugueses e internacionais. Um dos mais conhecidos é o BioDiversity4All, que nos convida a partilhar as nossas descobertas com outros naturalistas, através da criação de um caderno de campo online, onde é possível registar dados que depois podem ser usados por cientistas e gestores ambientais a entender quando e onde os organismos ocorrem. Mas a lista é surpreendente e inclui programas como o Noctua, que serviu para estudar a distribuição das espécies de aves nocturnas em Portugal. “Queremos que os visitantes sintam realmente, de uma maneira muito concreta, que também podem participar na conservação destas espécies, através das suas observações no campo.”

Se quiser começar já a contribuir para a conservação de espécies, pode, por exemplo, instalar a aplicação Eu vi um lobo, que permite partilhar as suas observações de lobos, das suas presas ou de indícios da sua presença e até de potenciais ameaças para a espécie. Ou, então, aproveitar os seus passeios para ajudar os Censos de Borboletas de Portugal: tem de escolher um percurso com mínimo de 1 km, perto de sua casa ou do trabalho, e contar as borboletas que for vendo, para depois reportar as suas descobertas online. Acha que é capaz? Estes são apenas dois exemplos de projectos de ciência cidadã em que pode participar, e que a equipa do Pavilhão do Conhecimento o desafia a conhecer.

Os bilhetes – à venda no local e online – custam entre 10€ e 15€, estando também disponíveis descontos para famílias. Estão também previstas várias actividades em torno das temáticas exploradas na exposição, incluindo um “Carnaval da Bicharada”, um escape room e um ciclo de documentários sobre a fauna em Portugal. Para não perder nada, bastar estar atento ao site e às redes sociais do Centro Ciência Viva de Lisboa.

Pavilhão do Conhecimento. Ter-Sex 10.00-18.00, Sáb-Dom e feriados 10.00-19.00. 10€-15€ (grátis até aos três anos).

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