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Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo lança-se na Rota dos Pequenos Palcos com ‘Casa’, espectáculo minimalista que questiona o significado de lar. Até 25 de Janeiro no Capitólio.

É uma nova experiência na vida da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC), que parte de um exercício de adaptação. Pode um corpo coreográfico de dez bailarinos subir a um pequeno palco? Perante a resposta evidente, surgiu a Rota dos Pequenos Palcos, programa que quer levar a dança contemporânea também a salas pequenas, informais ou pouco habituais, porque "há público e há interesse" em todo o lado, assegura Susana Lima, directora artística da companhia desde 2024, lembrando os espectáculos nas serras e lugares recônditos do país pelos quais têm passado. "Foi uma programação feita especificamente a pensar em chegar a sítios que não têm o mesmo acesso à cultura."
O "primeiro acto" desta nova rota é Casa, espectáculo em que seis coreógrafos apresentam quatro criações concebidas a partir da pergunta: "O que é uma casa para cada um?" E não, não tem a ver com a crise da habitação, embora possa lá ir dar. No Capitólio até 25 de Janeiro, domingo, apresenta-se com ;as coreografias "SOPRO – A garden full of metal", de César Fernandes e André Mesquita; "Habita-me", de Miguel Santos; "Luz|Dez", de Beatriz Mira e Tiago Barreiros; e "Suite", de Vânia Doutel Vaz. "São quatro perspectivas completamente diferentes do que pode ser uma casa, todas apresentadas numa noite, de coreógrafos, jovens, emergentes, que passaram pela companhia e que foram agora convidados a partilhar as suas visões", conta Susana Lima.
O tema partiu de um período difícil da vida da directora artística, que perdeu recentemente os pais e se viu na tarefa de "desfazer memórias" da antiga casa. "Quando já não havia móveis, não havia nada, sentia na mesma a presença de movimentos e cheiros no espaço. Como podia ser? Foi isso que me fez pensar no que pode ser uma casa", explicou à Time Out Susana Lima.
Fundada em 1998 por Vasco Wellenkamp e Graça Barroso, a CPBC baseou-se, nestes quase 30 anos, sobretudo na linguagem do coreógrafo que assinou dezenas de criações para o Ballet Gulbenkian e que dirigiu o Teatro Camões. Na Rota dos Pequenos Palcos, "não se quer mudar nada", mas experimentar, "numa linha de actuação diferente", que correrá em paralelo com a restante programação da companhia. "O Vasco (...) nunca quis que fosse uma companhia de autor. Os bailarinos têm de crescer, de aprender, e não aprenderão se estiverem sempre com a mesma pessoa", sublinha Susana Lima, para explicar esta ideia de trazer novos coreógrafos para centro criativo da CPBC.
Depois de Lisboa, "Casa" será apresentada no Cine-Teatro de Benavente, a 6 de Março. A companhia está em negociações com várias instituições, para que "Casa" possa circular por todo o país.
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