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Porque é que o modo de vida português é dos melhores do mundo?

Nada tema, dizemos-lhe já. Não é só o sol, nem só a comida, nem só a mania de achar que há sempre tempo para mais um café. O modo de vida português tem qualquer coisa difícil de explicar, mas muito fácil de querer repetir.

Time Out em associação com Turismo de Portugal
Esplanada Jardim do Morro
©DR | Esplanada Jardim do Morro
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Há muitas formas de falar de Portugal. Pode começar-se pelas praias, pelo clima ameno, pelas cidades históricas, pelos miradouros, pelo peixe fresco, pelo vinho, pelas ilhas ou pela maneira de transformar uma refeição simples num acontecimento social. Tudo isso conta. Mas talvez o que melhor explique o modo de vida português seja menos uma lista de atracções e mais uma maneira de estar.

Em Portugal, a vida acontece muito à mesa. No restaurante, sim, mas também no café de bairro, na esplanada, no almoço que se estica sem grandes preocupações, na travessa que passa de mão em mão, no pão que fica sempre no centro. Come-se bem, claro. Mas, acima de tudo, come-se bem acompanhado.

Depois há o ritmo. Portugal não é propriamente lento – tente atravessar Lisboa em hora de ponta e depois falamos –, mas sabe criar pausas. Um café ao balcão, uma volta junto ao mar, uma ida aos mercados tradicionais, um copo ao fim da tarde. É um método passado de geração em geração para aproveitar.

O clima ajuda, claro. Com muitos dias de sol e uma costa atlântica (quase) sempre por perto, Portugal empurra a vida para fora de casa. Vive-se nas ruas, nas praças, nos jardins, nas praias, nas varandas e nos passeios onde cabem mesas pequenas demais para tudo o que se quer pôr em cima. Mesmo nas cidades, há quase sempre um miradouro, um rio, um parque ou uma esplanada a lembrar que o dia ainda é uma criança.

A comida faz o resto. O peixe sabe a costa, o pão sabe a forno, o azeite sabe a campo, os doces sabem a convento, a festa ou a infância, dependendo do que puser à boca. Há pratos que mudam de região para região, receitas que passam por famílias e uma relação muito séria com a ideia de “comer qualquer coisinha” – expressão que, por cá, raramente significa comer pouco.

Portugal é pequeno no mapa, mas muda depressa: de paisagem, de sotaque, de mesa e de velocidade. Há o Porto e Norte verde e robusto, o Centro de Portugal de aldeias, serras e praias, Lisboa entre colinas e Tejo, o Alentejo que pede vagar, o Algarve dos dias compridos, os Açores em modo natureza e a Madeira sempre a subir e a descer. O país é curto em distância, mas comprido em possibilidades.

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