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Portugal “protege” património de catástrofes com Arca de Noé digital

A ideia é pôr a tecnologia ao serviço da preservação e da transmissão do património às gerações futuras.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Museu Nacional de Arte Antiga
Paulo Alexandrino | Museu Nacional de Arte Antiga
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O Património Cultural, I.P., responsável pela gestão do Património Cultural em Portugal, decidiu reforçar a aposta na digitalização 3D de imóveis através da tecnologia de digitalização a laser, que permite uma representação rigorosa da realidade física. A ideia é que haja uma espécie de Arca de Noé, que permita “proteger” o património em caso de catástrofes.

“Esta componente do projecto assenta na produção de registos digitais de elevada precisão de monumentos históricos e sítios arqueológicos, permitindo não apenas a sua valorização e divulgação, mas também a criação de uma base técnica rigorosa para apoio à conservação, monitorização e eventual intervenção futura”, lê-se em comunicado da iniciativa, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) do governo.

Inspirada em boas práticas internacionais – como a utilização de registos digitais no processo de recuperação da Catedral de Notre-Dame, em Paris, que ficou destruída depois de um incêndio em 2019 –, esta abordagem permite dotar o património cultural de instrumentos avançados de documentação e conhecimento, fundamentais para a sua salvaguarda a longo prazo.

“Mais do que representações visuais, os modelos resultantes destes levantamentos constituem ferramentas técnicas de apoio a arquitectos, engenheiros e especialistas em conservação e restauro. Em caso de dano ou degradação, esta informação poderá ser utilizada para apoiar intervenções, complementando métodos tradicionais de análise, diagnóstico e medição”, acrescenta-se na mesma nota.

Actualmente, encontram-se já em curso os trabalhos de levantamento 3D de 35 imóveis, incluindo monumentos e sítios arqueológicos classificados como Monumento Nacional ou Imóvel de Interesse Público, distribuídos por todo o território continental.

Colocando a tecnologia ao serviço da sua preservação e transmissão, o projecto Património Cultural 360 afirma-se como um instrumento estratégico na modernização das metodologias de registo, estudo e valorização do património cultural. Todos os conteúdos produzidos no seu âmbito, desde visitas virtuais a filmes documentais, estão acessíveis online de forma gratuita.

Entre o património cultural já digitalizado, totalmente ou em parte, encontramos, por exemplo, o Museu Nacional de Arte Antiga e a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, em Lisboa, mas também o Mosteiro de Alcobaça, o Paço dos Duques de Bragança e a Sé de Évora, entre muitos outros edifícios de norte a sul do país.

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