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Portugueses estão a comprar menos, mas a ler mais (sobretudo os jovens)

Há ainda muito a fazer para que a leitura se torne um hábito diário em Portugal. É o que conclui um estudo promovido pela APEL.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
E-book
Perfecto Capucine / Unsplash
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“A compra de livros e a leitura não são ainda uma prática regular nem um hábito diário enraizado na maioria das famílias portuguesas”, afirmou esta quarta-feira, 3 de Setembro, Miguel Pauseiro, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). A conclusão resulta do estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal”, apresentado no arranque da terceira edição do encontro Book 2.0, na Fundação Champalimaud.

Apesar do crescimento sustentado do mercado do livro, os números revelam sinais contraditórios. Em 2024, o sector cresceu 9%, atingindo os 204 milhões de euros (face aos 187 milhões de 2023). Ao mesmo tempo, 76% dos portugueses afirmaram ter lido pelo menos um livro no último ano – uma ligeira subida face a 2023 (73%). Contudo, a média de livros lidos por habitante caiu de 5,6 para 5,3.

Entre os leitores, a tendência repete-se: a média desceu de 7,9 livros em 2023 para 7,2 em 2024. Também no que toca à compra, a quebra é evidente. Apenas 58% dos portugueses compraram livros em 2024 (65% no ano anterior), com uma média de 3,9 exemplares por pessoa (face a 4,8 em 2023). A maioria (82%) comprou para si próprio, valor estável, mas a compra para oferta encolheu de 44% para 34%. O romance continua a ser o género mais procurado (66% em 2024 vs. 61% em 2023), seguido pelo policial e pelo romance histórico (ambos com 45%).

Quanto a formatos, o papel mantém-se soberano: 92% dos leitores continuam a preferi-lo (menos 1 ponto percentual do que em 2023). Entre os mais jovens, no entanto, a percentagem desce para 84%. O digital, por sua vez, está a conquistar terreno: 22% dos portugueses já lêem e-books (eram 17% em 2023). Os e-readers lideram como dispositivo de eleição (45%), seguidos por tablets (37%) e telemóveis (35%) – estes últimos com o maior crescimento.

O retrato geracional mostra que os adultos entre os 25 e os 34 anos são os mais assíduos (91% leram no último ano), seguidos pelos 35-54 (86%). Os jovens de 15 a 24 anos destacam-se pela evolução: de 58% em 2023 para 76% em 2024. A leitura por lazer é praticada por cerca de 60% da população com 15 ou mais anos, sobretudo por mulheres (64%, contra 54% dos homens) e pela faixa 35-54 anos (71%).

Entre quem pouco ou nada lê, as razões mais invocadas são a falta de interesse (46%), a falta de tempo (39%) e a preferência por outras formas de lazer (35%). Quatro em cada dez portugueses não vêem na escola um papel determinante para consolidar hábitos de leitura adquiridos em casa. Mesmo entre leitores, o livro continua atrás de outras actividades: conviver com amigos (90%), estar nas redes sociais (84%), ver televisão (72%), assistir a eventos culturais ou desportivos (72%) e praticar desporto (63%).

“O papel da escola, das famílias e da sociedade em geral é crucial para que o livro seja definitivamente visto como ferramenta essencial de cidadania e de desenvolvimento humano, e para que a leitura se transforme num hábito sustentável ao longo da vida”, reforça Miguel Pauseiro, citado em comunicado.

O presidente da APEL recorda ainda que medidas públicas podem fazer a diferença, mas precisam de melhorias. O cheque-livro lançado pelo Governo, de 20 euros, teve tão pouca adesão que o prazo de utilização foi alargado e, ainda assim, apenas 20% dos cheques foram usados. A ministra da Cultura já anunciou uma nova edição até ao final do ano. Pauseiro pede melhorias, nomeadamente o reforço do valor, para que o programa possa, enfim, cumprir o objectivo de promover a leitura.

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