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Primeiro leilão na história da Bordallo Pinheiro vai ter 153 peças em disputa

Criação mais valiosa é o 'Figo', de Paula Rego, peça número 30 de uma edição de 125, feitas em 2017. Peças entram em exposição esta quarta-feira e leilão acontece no sábado, 22 de Novembro.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
"Maçãs", Raphael Bordallo Pinheiro, 1893
DR | "Maçãs", Raphael Bordallo Pinheiro, 1893
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Três mil e quinhentos euros era o preço daquele fruto aberto, de um verde bordaliano no exterior e texturas como areados fazendo-lhe o núcleo, em referência a uma escultura têxtil que figurava na casa de Paula Rego, no Estoril, e de onde surgiu a ideia de misturar o imaginário da pintora com o de Raphael Bordallo Pinheiro. No ano de lançamento de Figo, 2017, os 125 exemplares da peça venderam-se num ápice. Mas este sábado, 22 de Novembro, um deles volta a estar disponível, por um valor base de licitação de 7.500 euros, no primeiro leilão da história da marca de faianças das Caldas da Rainha, fundada em 1884. O acontecimento dá-se na leiloeira Cabral Moncada, em São Bento.

Figo será uma das 153 peças em leilão, após sete meses de uma campanha de recolha (de Fevereiro a Setembro, de proprietários do Minho ao Alentejo) e de uma criteriosa verificação e identificação de cada uma. O valor-base total perfaz os 72.350 euros, mas facilmente poderá chegar-se aos 100 mil, ou mais, no ano em que se assinalam os 120 anos da morte do génio da cerâmica. "O que está aqui são edições muito reduzidas, que normalmente esgotam com muita rapidez", aponta Miguel Cabral de Moncada, sócio-gerente da leiloeira, afirmação que Elsa Rebelo, directora artística e criativa da Bordallo Pinheiro, não desmente. "Estes pratos são autênticas jóias", defende, referindo-se em particular à peça Cogumelos, pinhas e musgo (base de licitação de 900 euros), a mais antiga em leilão, criada em 1887, três anos após a fundação da fábrica das Caldas.

"Figo", Paula Rego
DR"Figo", Paula Rego

Nas previsões de Miguel Cabral de Moncada, Figo poderá chegar aos "10 mil ou 12 mil euros". "Mas se atingir os 15 mil também não fico de boca aberta", nota, fazendo ver que um primeiro leilão de uma casa com especial reputação e singular longevidade é um momento que motiva o coleccionador. Mas na sala da leiloeira há muito mais, como os quatro pratos inspirados nas fábulas de La Fontaine, a figura perturbadora do Escarrador - Agiota, o satírico Mealheiro - Padre, os clássicos Zé Povinho, as folhas de couve ou o prato com a lagosta, ou ainda a Orelha, uma alusão à censura que se vivia à época e da qual "Raphael Bordallo Pinheiro também foi vítima". Preços também existem para todos (ou quase), se olharmos apenas às bases de licitação, que vão dos 60 aos 7.500 euros.

"Escarrador - Agiota", Raphael Bordallo Pinheiro, 1907
DR"Escarrador - Agiota", Raphael Bordallo Pinheiro, 1907
"Caça", Raphael Bordallo Pinheiro, a partir de 1924
DR"Caça", Raphael Bordallo Pinheiro, a partir de 1924

De símbolos nacionais a sátiras, naturezas mortas, peças utilitárias e miniaturas, a arte dos Bordallo (o leilão integra criações de Raphael, mas também do filho, Manuel Gustavo, e do sobrinho, Vasco Lopes de Mendonça) estará exposta (e aberta ao público) no espaço da Cabral Moncada entre os dias 19 e 22 de Novembro, antes de ir a leilão (o registo pode fazer-se online ou à chegada). O cocktail de abertura está marcado para as 18.00 de quarta-feira; na quinta e sexta, as portas estarão abertas das 14.00 às 19.00; e, no sábado, entre as 10.00 e as 13.00. Às 16.00, começa o negócio.

Rua Miguel Lupi, 12 A/D (São Bento). Inauguração: 19 Nov 18.00-21.00; Exposição: 20-21 Nov 14.00-19.00, 22 Nov 10.00-13.00; Leilão: 22 Nov 10.00-13.00. Entrada livre

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