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Príncipe Discos faz 15 anos: “Estamos a tentar mostrar que a música não se esgota em modas”

A Príncipe Discos assinala mais um aniversário da melhor maneira que sabe: pondo toda a gente a dançar. A festa é no Lux Frágil, reunindo vários dos seus artistas. Em breve abrirá a Casa Príncipe, um espaço para concentrar toda a estrutura da editora.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
DJ Firmeza
Marta Pina | DJ Firmeza em Londres, 2015
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É uma das principais e mais influentes editoras de música alternativa em Portugal e, provavelmente, aquela que tem mais projecção internacional, com “cartas de amor” escritas pelo Guardian, Bandcamp, Pitchfork ou The Quietus – mesmo que continue a escapar às mais populares rádios portuguesas. A Príncipe Discos celebra 15 anos e está mais saudável do que nunca. Para celebrar este marco, estão a organizar uma festa de aniversário no Lux Frágil, esta sexta-feira, 6 de Março, com algumas das caras que marcaram a história da editora.

Fundada em 2011, a Príncipe nasceu da vontade de mostrar um movimento da música electrónica que já fervilhava na periferia de Lisboa. Ao longo deste percurso, o selo lisboeta já ultrapassou as seis dezenas de edições, com artistas como DJ Marfox, DJ Nervoso, DJ Nigga Fox, DJ Lycox, Nídia, RS Produções ou DJ Firmeza a lançar música sob este selo e a criar uma identidade sonora que mistura sons que vão do kuduro, do tarraxo e do funaná ao techno, à house ou ao rap.

Para José Moura, um dos fundadores da editora – que, sublinha, não é uma profissão full-time para nenhum dos envolvidos, o que torna cada conquista ainda mais significativa – este é um som inequivocamente português. “Em primeiro lugar, é, obviamente, música portuguesa”, diz à Time Out. “Foi colocado em causa, no início do percurso, se não deveria ser música africana. Mas quando começas a argumentar que a esmagadora maioria dos artistas são nascidos e criados em Portugal, não há outro argumento que possas contrapor”, refere.

Príncipe Discos
Marta PinaPríncipe Discos

A projecção internacional, segundo este fundador, não foi uma surpresa. “Foi, aliás, algo que considerámos natural e expectável. Foi meramente a confirmação do potencial que achávamos desde o início que a música teria lá fora”. Um dos alvos fortes era especificamente Inglaterra, onde reconhece afinidades com géneros fortes no underground britânico, do grime ao dubstep.

A Príncipe não é o primeiro caso de sucesso com impacto além-fronteiras – basta recordar exemplos como o dos Buraka Som Sistema ou da dupla Underground Sound of Lisbon, Rui da Silva e DJ Vibe. No entanto, a grande diferença, diz José Moura, é a “longevidade”. A Príncipe continua activa, “sob as luzes de alguma atenção que interessa na imprensa, que ainda se vai preocupando com as margens”.

Mais do que chegar às massas, a missão da Príncipe sempre foi outra. Cada disco deve contar a sua própria história e ter a capacidade de durar no tempo. “O que estamos a tentar fazer é mostrar a força da música, no sentido em que ela não se esgota em modas, tendências ou épocas”, admite. “Não é tanto aquela tentativa arrogante de conseguir a intemporalidade, mas mais de captar, em formato físico, uma música que não tem propriamente uma época e que fica como património”.

Numa editora onde praticamente não há letras, “a mensagem é a própria música, não há implicações políticas ou sociais explícitas”. Ainda assim, José acrescenta que “todo o trabalho da Príncipe é um trabalho social”. “É um trabalho político para quem o quiser ver”.

Puro tarraxo

A festa dos 15 anos da editora mantém o espírito dos aniversários anteriores: “conceptualmente, não difere de qualquer outro aniversário da Príncipe”. É uma ocasião para “congregar na mesma noite o máximo possível de artistas e de DJs que trabalham com a Príncipe”, algo raro num quotidiano feito de agendas desencontradas.

Depois de anos a acontecer no Musicbox, a festa instala-se agora no Lux Frágil, cuja dimensão “permite pensar a festa nos seus vários espaços de maneira muitíssimo diferente”. O alinhamento inclui dois concertos de abertura – o supergrupo O Ghetão, formado por Danifox, Nigga Fox e Firmeza, e ainda Xexa – seguidos de um desfile de DJs pelas duas pistas, com back-to-backs pensados para a ocasião.

Casa Príncipe
Marta PinaCasa Príncipe

Mas as comemorações não se ficam pela pista de dança. A Casa Príncipe é o outro grande passo deste ano. “A casa é um pólo agregador do qual já necessitávamos há vários anos”, explica. A necessidade começou por razões logísticas: as capas pintadas à mão exigem espaço para produção e secagem, algo que durante anos aconteceu na casa de um dos membros. Tornou-se urgente arranjar um espaço que permitisse funcionar como atelier, armazém e escritório. A Casa Príncipe permite tudo isto e ainda servir como uma montra da editora através da loja.

A inauguração feita em Maio de 2025 foi mais uma apresentação do que uma abertura formal. Desde então, a loja abriu esporadicamente, mediante contacto prévio. A ambição é consolidar essa frente física, com discos, merchandising e eventos pontuais, como apresentações, mas ainda não há data para abrir em definitivo o número 31A da Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique.

Príncipe Discos
Marta PinaPríncipe Discos

Quanto aos próximos passos, o objectivo é óbvio: continuar a melhorar, sempre com a música no centro das atenções. “Não queremos influenciar os artistas, no sentido de desvirtuar o talento original. Queremos guiar e seleccionar aquilo que consideramos que possa ser a música mais representativa do presente, mas também aquela que tem a capacidade de manter viva a chama no futuro”.

Lux Frágil. Avenida Infante D. Henrique, Armazém A – Cais da Pedra a Santa Apolónia (Santa Apolónia). 6 Mar (Sex) 23.00-06.00. 16€

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