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A Trienal de Arquitectura está de volta à cidade, com programação em seis espaços diferentes. Entre 2 e 4 de Outubro, a entrada é livre.

A Trienal de Arquitectura de Lisboa está de volta. Entre 2 de Outubro e 8 de Dezembro, a capital é o ponto de encontro de mais de uma centena de participantes internacionais. Com curadoria da dupla Territorial Agency, Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, a programação – que se realiza em seis espaços diferentes da cidade – inclui três exposições, três conversas, duas oficinas para famílias, duas visitas comentadas e a apresentação de 17 projectos independentes. Os eventos nos dias inaugurais – entre a próxima quinta-feira e sábado – têm entrada gratuita. Depois disso, poderá comprar bilhetes nos locais, à excepção do Palácio Sinel Cordes, cujo acesso também é livre.
“Com uma magnitude semelhante à da biosfera, a massa de 30 biliões de toneladas da tecnosfera cresce e intensifica-se rapidamente, deixando um enorme rasto de resíduos: no céu, na água, à superfície e nas camadas mais profundas da Terra, dos sedimentos até às suas órbitas. Impulsionada pela combustão dos combustíveis fósseis e pela lógica extractivista, está a transformar todos os lugares e a afectar todas as formas de vida; como podemos torná-la mais leve?”, lê-se em comunicado da organização, que promove o pensamento e a prática em torno da arquitectura desde 2007 e, para além da Trienal de três em três anos, tem produzido regularmente outros eventos públicos, como o Open House Lisboa.
A questão de partida – “How heavy is a city?” (“Quão pesada é uma cidade?”, em português) – foi o que deu forma a uma investigação de três anos, conduzida por uma coligação em constante crescimento e cujos resultados culminam no programa que somos agora convidados a usufruir. O destaque vai, naturalmente, para as três exposições-pensamento: “Lighter”, no MAC/CCB, que procura reflectir sobre como tornar as cidades mais leves; “Spectres”, no MUDE, sobre o impacto dos espaços humanos no planeta e a forma como estas ecoam as estruturas imperiais e coloniais de extração e poder; e “Fluxes”, no MAAT, que desafia o público a detectar o sinal do Antropoceno no meio do ruído da Terra. Inauguram nos dias 2, 3 e 4 de Outubro, respectivamente.
Se quiser aproveitar o resto da programação gratuita nos dias inaugurais, abra a agenda e aponte as coordenadas. Na quinta-feira, dia 2, é no MAC/CCB, a partir das 19.00. No sábado, dia 3, é no MUDE, a partir das 17.30, e no Palácio Sinel de Cordes, a partir das 22.00. No domingo, dia 4, é às 12.00 no Museu Nacional de Arte Contemporânea, às 16.00 no MAC/CCB, e às 19.00, no MAAT. As propostas vão desde a apresentação dos projectos independentes até à cerimónia dos Prémios Trienal de Lisboa (Dom 16.00, no MAC/CCB), seguida de conversa com a vencedora do Prémio Carreira, a arquitecta paquistanesa Yasmeen Lari.
A primeira mulher arquitecta do Paquistão, Yasmeen Lari é fundadora da Heritage Foundation of Pakistan, dedicada à preservação e promoção da arquitectura local, sustentável e vernacular. “A arquitectura tem de mudar se quiser continuar a ser relevante. O nosso trabalho não é apenas para pessoas ricas; as comunidades pobres de todo o mundo precisam de bom design, porque tem um valor ainda maior para elas. É por isso que penso que o meu trabalho é reconstruir vidas: criar ‘escadas de saída da pobreza’ renunciando ao controlo do processo através da co-construção e da co-criação. Fazemo-lo partilhando conhecimentos e mobilizando aldeias – uma aldeia de cada vez”, diz Yasmeen, citada em comunicado.
Os prémios da Trienal de Arquitectura de Lisboa celebram desde a investigação transdisciplinar desenvolvida em contextos académicos até talento emergente, passando pelo reconhecimento de práticas estabelecidas. Este ano, o júri – Inês Lobo, Lígia Nobre, Samia Henni, Sandi Hilal and Yuma Shinohara – procurou reconhecer que nos encontramos num momento histórico (“testemunhamos um genocídio em Gaza e guerras no Congo, na Ucrânia e em tantos outros lugares do mundo”) e destacar quem, através da sua prática, “insiste em re-existir, reimaginar e resistir”.
Já entre os projectos independentes – seleccionados a partir de uma chamada aberta à qual se candidataram 76 propostas, nacionais e internacionais –, encontramos desde performances, como Ta-chim – Weighing a City’s Colonial Legacies (MAC/CCB), que explora o peso literal e figurativo do nosso passado colonial; até áudio-guias, como Second Nature (Parque Eduardo VII), que nos propõe uma visita a uma estrutura de aço e vidro que acolhe uma vasta colecção de plantas tropicais vivas. Mas há muito mais para ver e ouvir.
Estão ainda previstos mais três debates no âmbito da série Talk, Talk, Talk, que terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, entre 29 e 31 de Outubro. Destaca-se o de abertura, no dia 29, que aborda certas dimensões metafóricas do peso para questionar como as histórias de violência assombram as ecologias e infraestruturas do peso. Com moderação de Lilet Breddels, conta com o historiador de arquitectura Kenny Cupers e os co-fundadores do colectivo Architects for Gaza, Yara Sharif e Nasser Golzari.
Destacamos ainda as actividades educativas marcadas para o fim-de-semana de 18 e 19 de Outubro: oficinas para famílias no Palácio Sinel de Cordes – de fitografia (18 Out, Sáb 15.00) e de pinhole (19 Out, Dom 11.00) – e as visitas comentadas na Central do MAAT (18 Out e 2 Nov, Sáb-Dom 14.30). Mas, se não quiser correr o risco de passar ao lado do melhor que a Trienal de Arquitectura tem para lhe oferecer, não se esqueça de consultar a programação completa online.
Vários locais. 2 Out - 8 Dez. Grátis nos dias 2, 3 e 4 de Outubro. Vários preços nos restantes dias.
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