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Catarina da Paz e Laura Real sempre adoraram roupa Y2K. No último Verão, deixaram de vender online para abrir uma loja. Entrámos na iDreams e foi como se nunca tivéssemos saído dos anos 2000.

Nenhum detalhe foi deixado ao acaso na iDreams. A loja de Catarina da Paz e Laura Real abriu este Verão, na zona das Olaias, e é uma espécie de cápsula do tempo. De 2026 retrocedemos imediatamente para a primeira década deste século. A loja vende maioritariamente roupa, mas também alguns acessórios. Espere, por isso, encontrar muitas calças de cintura descida, tops e t-shirts de cores que já tínhamos amaldiçoado – laranja, turquesa e rosa-choque, claro –, bermudas, tachas e brilhantes. O estilo é mundialmente conhecido como Y2K. E estas duas amigas levam-no ao limite.
"Sempre comprámos roupa em segunda mão e falámos sobre isso", introduz Laura. "Conhecemo-nos há anos e já tínhamos este gosto em comum. Só que na altura era um nicho, não era muito comum as pessoas gostarem de segunda mão e de moda Y2K. Não era de todo trendy e isso foi uma das coisas que nos fez ser amigas", completa Catarina. "E sempre dissemos que íamos abrir uma loja, mas achámos sempre que não ia haver assim muito público. Entretanto, começaram a aparecer mais lojas, a ficar mais trendy e então ou fazíamos ou não fazíamos", remata Laura.
A iDream esconde-se nas arcadas de um prédio, junto à rotunda das Olaias, a dez minutos a pé do metro do Areeiro. O vinil nas janelas já deixa antever o conteúdo. Atravessado o colorido template de um famoso sistema operativo, as reacções dividem-se – millennials vão embarcar numa viagem pelos tempos de adolescência, enquanto a clientela gen z vibra com o mais recente revivalismo alavancado pelo TikTok. É nesta rede social, aliás, que as duas amigas exercem influência. Catarina tornou-se especialmente popular e soma já mais de 65 mil seguidores e 3,5 milhões de gostos. A maioria dos que aqui entram vêm sugestionados pelos vídeos que ambas partilham.
"Nunca vimos nada do género em Portugal. Mesmo puro Y2K, mais trashy, menos fancy. Nós queríamos ter aquelas roupas que realmente se usavam em Portugal nos anos 2000. Tínhamos receio que não houvesse público para este estilo, mas surpreendemo-nos imenso com a quantidade de pessoas que adoram este nicho", afirma Catarina. É um facto: estes cabides podiam estar no armário de um adolescente em 2003, com tops coloridos, t-shirts e calções de marcas ligadas ao surf, calças de ganga no limiar da anca, corsários, saias de ganga compridas, barrigas à mostra e muita cor.
Na parede, há posters dos Morangos com Açúcar e de Avril Lavigne. A cortina do provador simula um media player com golfinhos. Os pufes transparentes com peluches lá dentro consolidam a atmosfera. Se pretender uma experiência ainda mais imersiva, dedique-se à leitura do último número da revista Chama Rubra (publicação lisboeta dedicada à estética Y2K – se bem que também tem a Bravo) e convoque uma banda sonora a condizer (a portuguesa Pipa de Ma$$a acaba de lançar o primeiro álbum – Pipa$tar).
Roupa e acessórios são uma mistura de segunda mão e de restos de produções de fábricas e stocks de lojas. "Falamos com donos de lojas que fecharam, fábricas, muitas no Norte. Tentamos sempre ter coisas portuguesas e é o que mais temos, provavelmente", explica Laura. "E tentamos sempre optar por tecidos bons, 100% algodão e roupa em boas condições. Isso é fundamental", adiciona Catarina.
Há peças novas penduradas quase todos os dias. A selecção abrange alguma moda gótica, peças extra-femininas inspiradas em lingerie, roupa de homem e também alguns tamanhos grandes, já que um dos objectivos é que a loja seja o mais inclusiva possível. Há ainda um expositor reservado às peças do amigo Dani Brites, uma curadoria de calças raras, com os melhor exemplares usados pela juventude de há 25 anos. São as peças mais caras da loja, com etiquetas a chegarem aos 45€. Nos restantes cabides, a tabela vai dos 12€ aos 35€.
Para a dupla, é um trabalho constante, mas apaixonado. Afinal, Catarina e Laura já vendiam estas peças online em plataformas como a Vinted e a Depop, muito antes de abrirem a loja física. Com a iDream, surfam a onda da tendência. Mas e quando a febre do Y2K esfriar?
"Eu acho que, hoje em dia, as modas voltam e nunca passam realmente. Coexistem. Há sempre alguém que continua a vestir. E também podemos adaptar-nos, temos uma boa capacidade de evoluir", resume Laura. Mas sempre dentro do universo Y2K. Dúvidas houvesse de que poderiam dedicar-se a outras modas, Catarina esclarece: "Sempre adorámos esta estética, vamos gostar dela até morrer."
Avenida Afonso Costa, 46 B (Olaias). Ter-Dom 14.00-19.00
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