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A heroína de ‘Saltitões’, a nova longa-metragem animada da Pixar/Disney, é uma rapariga de 19 anos que recorre a uma tecnologia secreta que permite aos humanos transferir a sua consciência para animais robóticos, e infiltra-se entre os castores.

O uso de animais robóticos, ou “espiões animais”, está a vulgarizar-se em várias áreas do estudo e da captação de imagens do reino animal. Estes bichos electrónicos altamente realistas são usados por estações de televisão e produtoras e realizadores de documentários sobre o mundo animal, caso da PBS ou da BBC, entre outras; pelos estudiosos dos habitats ou do comportamento da fauna de todo o mundo; por governos e instituições públicas ou privadas visando a vigilância e a protecção e limpeza de ecossistemas; ou ainda para a interacção com vários espécies ou grupos de animais, para melhor os estudar sem causar perturbações ou tensões no seu seio.
Estes animais robóticos com funções de rodagem de filmes documentais, de investigação científica e de vigilância ecológica já andam em terra, no ar e na água, contando-se entre eles tubarões, baleias, crocodilos, pássaros, macacos, esquilos e até mesmo elefantes. Foi neles que se inspirou Daniel Chong, o realizador e co-argumentista (com Jesse Andrews) de Saltitões, a nova longa-metragem animada da Pixar/Disney, para conceber e escrever o filme, que conta com produção de um dos nomes históricos da casa, Pete Docter. “Achei que era uma ideia que estava madura para ser explorada em comédia, esta forma como os humanos tentam tão esforçadamente entrar no mundo animal, e as situações insólitas que daí resultam”, disse Chang numa entrevista.
Feito com um orçamento digno de uma superprodução, 150 milhões de dólares, Saltitões tem como heroína Mabel Tanaka, uma rapariga de 19 anos que foi ensinada pela avó a amar e respeitar a natureza, e vive numa cidade chamada Beavertown, assim baptizada devido à enorme colónia de castores que existia na zona. Só que os animais foram-se embora do sítio onde estavam instalados há muitos anos, e o oportunista presidente da Câmara decidiu que vai lá construir uma nova auto-estrada. Indignada, Mabel lança uma petição contra o projecto, mas sem resultado. Parece que a auto-estrada vai mesmo ser uma realidade em Beavertown. (Inicialmente, a ideia de Daniel Chong era situar Saltitões entre os pinguins, mas Pete Docter vetou-a, dizendo que já havia demasiados filmes animados com estes animais).
É então que Mabel, que está a estudar Biologia, descobre que a sua professora e a respectiva equipa desenvolveram, em segredo, uma nova e espantosa tecnologia para a pesquisa da vida selvagem, que parece saída de um livro de ficção científica. Baptizada “Hoppers” (o título original do filme), a tecnologia permite à consciência humana “saltar” para dentro de um animal robótico e perceber in loco como a respectiva espécie vive. E Mabel decide, desafiando a proibição da professora, “entrar” para dentro de um castor electrónico e ir ter com a colónia que abandonou o seu habitat perto de Beavertown, convencer os animais a regressar e impedir assim a construção da auto-estrada.
Temendo pela vida da rapariga, a professora e a sua equipa seguem-na, recorrendo a um pássaro robótico. Mabel consegue ser aceite na colónia e contactar o rei dos castores, tornando-se mesmo na sua consultora pessoal. Só que a sua presença entre os castores e os outros animais da região vai ter consequências inesperadas, levando a uma revolta colectiva contra os humanos, elegendo o presidente da Câmara de Beavertown como alvo privilegiado e precipitando Mabel, que entretanto começa também a ser perseguida, num cenário de total confusão (que até conta com a participação de um tubarão lá pelo meio, numa piscadela de olho cinéfila ao Tubarão de Steven Spielberg).
Entre as vozes originais de Saltitões, encontramos as de nomes como Jon Hamm, Meryl Streep, Dave Franco ou Kathy Najimy. A voz de Mabel está a cargo da jovem actriz e cantora Piper Curda, que tem a sua carreira associada em boa parte ao Disney Channel, onde se estreou numa série juvenil em 2013. A Pixar e a Disney contam que Saltitões faça boas bilheteiras e venha compensar o enorme fracasso de Elio (2025), a anterior longa-metragem animada da Pixar, uma história de ficção científica a que críticos e espectadores torceram o nariz. Está tudo nas mãos – ou melhor, nas patas – dos castores.
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