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Escrito e realizado por Mary Bronstein, o filme conta a história de uma mãe e terapeuta cuja vida se está a desmoronar à sua volta. A protagonista, Rose Byrne, já ganhou vários prémios e está nomeada ao Óscar de Melhor Actriz.

Dizer que nada corre bem a Linda, a heroína de Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé, de Mary Bronstein, e interpretada por Rose Byrne, é dizer pouco. Parece que o mundo lhe desabou em cima. Ela tem uma filha pequena que sofre de uma doença que não é explicada mas que a obriga a ter uma sonda no umbigo e estar ligada a uma máquina, que tem que ser a mãe a manejar; o marido (Christian Slater) é comandante de barcos de cruzeiro, costuma estar muito tempo fora de casa e ausentou-se por um mês; o tecto do quarto do casal cedeu porque houve uma inundação no andar de cima e Linda e a menina tiveram que se instalar num motel; e o empreiteiro que ela contactou para ir fazer as obras no quarto não foi a melhor das escolhas, porque depois de aceitar o serviço, comunicou-lhe que tem que se ausentar por alguns dias por motivos familiares.
Linda é terapeuta, mas está num tal estado de nervos que começou a consultar um colega que trabalha na mesma instituição, e que por sua vez tem cada vez menos paciência para a aturar; e está com problemas com os seus pacientes, nomeadamente uma jovem e insegura mãe que acaba por fugir durante uma consulta e deixa Linda com o seu bebé nos braços. À medida que o filme progride, o calvário de Linda torna-se cada vez mais grave. Ela começa a embirrar com toda a gente, nomeadamente com aqueles que simpatizam com a situação e a podem e querem ajudar, como é o caso do seu colega terapeuta, da médica da filha ou do jovem gerente do motel.
Com cada gesto, cada palavra, cada atitude, Linda só piora o seu caso, transformando Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé na aflitiva, frenética e exasperante crónica do seu colapso emocional, anímico e mesmo físico, porque Linda se põe a beber vinho e a fumar erva a mais para se conseguir aguentar face à adversidade que se abateu sobre ela – mas que ela também agravou com o seu comportamento errático e conflituoso. As coisas chegam ao ponto do seu colega (interpretado por Conan O’Brien num raro papel dramático) dizer que não pode continuar mais a ouvi-la, pondo-a fora – literalmente – do consultório. Ao que Linda barafusta, chegando mesmo à indignidade de pôr um pé na porta para tentar evitar ser expulsa. E a sua situação vai mesmo assumir contornos surreais.
Além de realizar, Mary Bronstein também escreveu Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé, a sua segunda longa-metragem, desempenhando ainda o papel da Dra. Spring, a médica da filha de Linda (cujo nome não sabemos e cuja cara Bronstein nunca mostra mesmo até ao final da fita, e da qual só ouvimos a voz). Casada com o argumentista, realizador, montador e actor Ronald Bronstein, habitual colaborador dos irmãos Safdie (mais recentemente, escreveu, com Josh Safdie, o guião de Marty Supreme, realizado por este), Mary Bronstein disse que Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé assenta numa experiência pessoal que a deixou muito marcada. Tal como a protagonista da fita, teve de cuidar da sua filha de sete anos quando esta esteve muito doente, e Bronstein escreveu-a para lidar com os traumas com que ficou.
O filme estreou mundialmente no Festival de Berlim do ano passado, tendo Rose Byrne então ganhado o Prémio de Interpretação do certame. Seguiu-se-lhe, em Janeiro deste ano, o Globo de Ouro de Melhor Actriz num Musical ou Comédia, e já este mês, o Prémio de Melhor Actriz nos Independent Spirit Awards, os galardões do cinema independente norte-americano. Falta apenas que a nomeação para o Óscar de Melhor Actriz se concretize numa vitória, e Byrne possa segurar a estatueta nas mãos no próximo dia 15 de Março.
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