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Seis anos depois do fecho, Amadora aprova reabilitação da Piscina da Venteira

Piscinas municipais da Venteira e da Damaia estão fechadas desde 2020. Câmara aprovou ainda a criação de três complexos desportivos no concelho.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Piscina da Venteira
DR | Piscina da Venteira
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Fechadas desde o início da pandemia de Covid-19, por questões de saúde pública, duas das quatro piscinas municipais do concelho da Amadora – a da Venteira e a da Damaia – nunca chegaram a reabrir ao público. Em Junho, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) aprovou a proposta de reabilitação da Piscina Municipal da Venteira, quase ao mesmo tempo que anunciou a criação de três novos complexos desportivos no concelho: nas freguesias da Venteira, da Damaia e da Encosta do Sol. Note-se que o Orçamento Municipal para 2026 prevê "o estudo para a nova área desportiva da Reboleira" e "obras de beneficiação das Piscinas da Damaia e de Alfornelos" (esta última, na freguesia da Encosta do Sol).

Desde o fecho da Piscina da Venteira, o espaço foi vandalizado, tornou-se abrigo para pessoas sem casa e local de consumo de drogas. "Portas e janelas arrombadas, lixo, sacos de roupa, colchões e seringas: este é o cenário que se encontra no interior das instalações", dava conta, em Julho de 2024, uma reportagem da SIC Notícias, na qual se acrescentava que a CMA estava a par da "utilização indevida" do espaço para "actividades ilícitas", mas negava o seu abandono. Na altura, o Clube de Natação da Amadora afirmava que não só a pandemia mas também o aumento do preço do gás e da eletricidade, consequência da guerra na Ucrânia, obrigaram à suspensão das actividades e que, ao mesmo tempo, eram necessárias obras de reabilitação para reabrir o equipamento.

Em Agosto de 2024, o então recém-eleito presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Vítor Ferreira, declarava à Time Out que existia um projecto para a requalificação da Piscina da Damaia, com vista a resolver carências no plano das acessibilidades, enquanto o equipamento da Venteira estava dependente de "ajustes" ao acordo com o Clube de Natação da Amadora, que exercia o direito de superfície sobre o espaço. Ao mesmo tempo, admitia: "Aquela área não pode estar assim."

30 mil habitantes sem piscina

"Enquanto a piscina funcionou, estava sempre cheia. Estamos a falar de uma freguesia com 30 mil habitantes, em que 34% da população é sénior e onde há também muitos casais jovens com filhos também. É um equipamento completamente necessário", diz por telefone à Time Out o presidente da Junta de Freguesia da Venteira, João Pica, descrevendo as tentativas para a reabertura do espaço como uma grande luta.

"Na reunião extraordinária de 19 de Junho, apresentámos uma proposta para reabilitar a Piscina da Venteira, mas já com timings de execução. Foi aprovada por maioria", resume o responsável, esperando que a autarquia inicie os procedimentos para a realização da obra "nos próximos três meses". "Mesmo assim, muito dificilmente a obra começaria ainda este ano", calcula João Pica, apontando para o início da intervenção no arranque de 2027, na melhor das hipóteses. O valor da obra, segundo o autarca, rondará os 1,5 milhões de euros.

No concelho, estão activas as Piscinas de Alfornelos e o Complexo da Reboleira, mas "sob muitas queixas" dos utilizadores, segundo João Pica. Perante a insuficiência nesta área, muitos dos residentes da Amadora recorrem a piscinas do município de Lisboa, "como as do Restelo ou as de Benfica", relata o presidente da Junta. Também na entrevista de 2024 à Time Out, Victor Ferreira dava conta do projecto, em estudo, da "grande área desportiva da Reboleira", que abrangeria a zona entre o Estádio José Gomes (do Estrela da Amadora) e a Escola Secundária da Amadora.

Os novos complexos

Sobre os novos complexos aquáticos e desportivos que deverão nascer na Amadora, o município partilhou a 19 de Junho, nas redes sociais, que está "a desenvolver" equipamentos na Venteira, Damaia e Encosta do Sol, no âmbito do programa “Água, Cidade, Futuro”. "Os novos complexos serão concebidos para responder às necessidades actuais e futuras da população, integrando valências diversificadas, como piscinas para diferentes níveis de prática, ginásios, espaços de actividades de grupo, áreas exteriores qualificadas e zonas de lazer", pode ler-se.

Na Venteira, prevê-se um novo complexo no local do antigo mercado municipal (fechado há oito anos), que "será um edifício emblemático" com serviços de saúde e valências desportivas, incluindo piscinas e ginásio. Na Damaia, o objectivo é substituir a actual piscina (fechada desde 2020, tal como o espaço de restauração associado) por um complexo com área aquática mas também "zonas verdes, parque infantil e uma nova ligação pedonal entre a Rua Conde da Ericeira e a Avenida Gorgel do Amaral". Por fim, no bairro de Alfornelos (freguesia da Encosta do Sol), prevê-se a criação de um espaço com campos de padel, skatepark e amplas zonas de lazer exterior.

O investimento global da CMA nestes três complexos foi orçamentado em 28,6 milhões de euros.

A Time Out contactou a Câmara da Amadora para saber mais detalhes acerca das intervenções, mas não obteve resposta.

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