Notícias

Só os cães são livres de mijar? Este livro conta a triste história do sanitário público lisboeta

Movimento Infraestrutura Pública lança livro de 397 páginas sobre as casas de banho construídas no século XX e que, em muitos casos, estão hoje fechadas ou abandonadas.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
'Só os cães são livres de mijar'
DR | 'Só os cães são livres de mijar'
Publicidade

Se o título é sugestivo, o assunto é promissor. Só Os Cães São Livres De Mijar, assinado pelo movimento cívico Infraestrutura Pública e editado pela Exemplo Books, são 397 páginas para falar da história dos sanitários públicos de Lisboa, uma rede construída sobretudo ao longo do século XX e que os autores consideram ter sido destruída. "Essas obras públicas, que o século XX nos deixou, foram deitadas abaixo ou estão hoje abandonadas, a pagamento, transformadas em restaurantes", enumeram, nas redes sociais.

Já em Janeiro de 2024, o mesmo grupo desenvolveu uma série de acções de protesto contra a falta de sanitários públicos dignos e gratuitos na cidade. “A cidade ter WC para os seus cidadãos não é menos importante do que ter recolha de lixo”, afirmavam. Na Praça Paiva Couceiro, chegaram a montar uma casa de banho provisória e de entrada livre para os cidadãos, de forma a chamar a atenção para o problema. 

'Só os cães são livres de mijar'
DR'Só os cães são livres de mijar'

Do Metropolitano de Lisboa às Infraestruturas de Portugal ou às praças e jardins de Lisboa, são vários os sanitários de porta fechada (alegadamente por avaria) ou que cobram pela utilização. "1€ para ir à casa de banho?", reclama agora o movimento. 

Além de contemplar um levantamento histórico dos sanitários públicos da cidade, o livro agora lançado "critica os novos sistemas de cancela e documenta as injustiças da ausência deste mobiliário no nosso dia-a-dia". 75 cópias foram postas à venda online, na página da editora, pelo valor de 15€.

'Só os cães são livres de mijar'
DR'Só os cães são livres de mijar'

Recorde-se que, em 2022, a Câmara Municipal de Lisboa assinou um contrato com a empresa JCDecaux, no qual previa a instalação de 2000 abrigos para paragens de autocarros, 900 mupis e 125 painéis digitais, e 75 sanitários públicos "por toda a cidade". Os sanitários têm vindo a ser instalados, sempre sob um modelo pago, que é contestado pela Infraestrutura Pública. A Câmara alega que o uso pago dos equipamentos refreia eventuais acções de vandalismo.

🗞️ Mais notícias: fique a par das novidades com a Time Out

📲 Siga-nos nas redes sociais: Whatsapp, Instagram, Facebook e LinkedIn

Últimas notícias
    Publicidade