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Torre da Péla, no Martim Moniz, será reabilitada

Concurso para empreitada de torre fernandina, com telhado de zinco provisório e em degradação há vários anos, foi lançado no início de Outubro.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Torre da Péla
DR | Torre da Péla
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Parte de um conjunto monumental classificado, a Torre da Péla (ou do Jogo da Péla) vai ser reabilitada sob o projecto arquitectónico do Atelier Bugio, de João Favila Menezes. O concurso público para a empreitada – de mais de um milhão de euros – foi lançado na sexta-feira, dia 9 de Outubro, e o prazo para a entrega de propostas termina a 2 de Novembro.

A obra, a cargo da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) de Lisboa, visa ​"converter esta torre de vigia medieval em Torre-Observatório da paisagem histórica e pré-histórica, integrando um circuito de leitura, observação e estudo de todo o sistema defensivo, substituindo agora a sua função defensiva pela função contemplativa", pode ler-se na página da entidade. Prevê-se, assim, a eliminação de "elementos de intervenções anteriores consideradas inadequadas" (o telhado de zinco há demasiado tempo provisório é um exemplo, uma parede não original é outro), o "reforço estrutural" da torre, "a melhoria da estabilidade dos terrenos sobre os quais assenta", a "colocação de uma nova cobertura [em aço e madeira] e ainda a reformulação dos acessos", pode ler-se no jornal Público.

Imagem do projecto de reabilitação
DR via SRUImagem do projecto de reabilitação

A obra será realizada em duas fases, começando-se pela reabilitação da torre e dos seus acessos, com a criação de circuitos no espaço público adjacente. A segunda fase centrar-se-á na estabilização dos terrenos e na finalização dos acessos. O Atelier Bugio foi também o responsável pela premiada reabilitação do Funicular da Graça, cujos trabalhos de prospecção levaram a equipa a encontrar, também ali, um troço da Cerca Fernandina, o que fez atrasar a obra em vários anos.

Torre adiada, Martim Moniz à espera

A Torre da Péla, hoje em elevado contraste com os esbranquiçados prédios da EPUL do Martim Moniz, é uma das 77 torres da Cerca Fernandina a resistir em Lisboa desde o século XIV. O papel de defesa da cidade perdeu-se ao longo dos séculos, restando na torre um lugar de uma memória longínqua e inclusive abandonada, que viria a motivar algumas promessas de reabilitação não-concretizadas nos últimos anos.

Imagem de projecto para a Praça do Martim Moniz
DRImagem de projecto para a Praça do Martim Moniz

Também de marasmo sofre a vizinha Praça do Martim Moniz. Foi alvo de um polémico projecto em 2018, entre outros, que ocuparia o espaço com contentores, para, mais tarde, em 2024, ver aprovado o projecto de um novo jardim para a cidade. Partindo da proposta do atelier Filipa Cardoso de Meneses & Catarina Assis Pacheco – Arquitectura Paisagista, a obra deveria estar a terminar este ano, de acordo com o previsto pela própria autarquia há dois anos, mas ainda nenhuma pedra se moveu. Apesar disso, a Câmara de Lisboa declarou ao Público, em Agosto deste ano, que "não existem atrasos", mas antes "elevados níveis de complexidade".

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