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‘Toy Story 5’: Jessie, Buzz e Woody regressam para enfrentar os ecrãs

O novo filme da saga estreia a 18 de Junho com uma nova vilã: Lilypad, um tablet com ideias pouco convencionais sobre o que é melhor para as crianças.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
TOY STORY 5
Pixar | Smarty Pants and Jessie in Disney and Pixar's TOY STORY 5. Photo courtesy of Pixar. © 2026 Disney/Pixar. All Rights Reserved.
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Já lá vão 31 anos desde que a Pixar revolucionou a História da animação – Toy Story foi a primeira longa-metragem feita totalmente por computação gráfica –, mas os brinquedos mais famosos do cinema continuam prontos para a acção. Em Toy Story 5, com estreia marcada para 18 de Junho, a destemida cowgirl Jessie, o astronauta Buzz Lightyear e o eterno xerife Woody enfrentam um rival à altura dos tempos modernos: a obsessão das crianças pelos ecrãs, personificada por Lilypad, um tablet que ameaça roubar a atenção da pequena Bonnie. Para quem recorda o início da saga, o pânico do progresso não é uma novidade. Quando Woody conheceu Buzz pela primeira vez, o conflito já se jogava entre o artesanato de corda de um e a inovação do plástico, dos lasers e dos LEDs de outro. A grande questão mantém-se: será que é desta que a hora de brincar nunca mais voltará a ser como antes?

Realizado por Andrew Stanton e produzido por Lindsey Collins, o quinto filme da franquia volta a explorar, por um lado, as dores de crescimento; e, por outro, o medo da obsolescência (de ser abandonado, trocado, preterido). As protagonistas são a boneca de pano Jessie (voz de Joan Cusack no original, Carmen Santos na versão portuguesa) e a sua criança, que está com dificuldade em fazer amigos. Ao que parece, a pequena Bonnie – que conhecemos pela primeira vez em Toy Story 3, então com quatro anos – não só é muito tímida, como tem uma imaginação fértil e adora brincar ao faz-de-conta, ao contrário das outras crianças, já viciadas em tecnologia. Mas claro que os métodos tradicionais não estão a funcionar e há que tomar medidas drásticas. Assim fazem os pais de Bonnie, quando decidem ceder e mandam vir a última novidade do mercado, longe de imaginar o impacto que essa decisão terá.

Controlada por uma inteligência artificial que acredita ser especialista em desenvolvimento infantil, Lilypad (Greta Lee/Diana Nicolau), um dispositivo inteligente em forma de rã, é a nova vilã. Na verdade, uma das vilãs, porque – como nos é mostrado numa cena inicial, a partir do telhado da casa de Bonnie, de onde se vê o bairro inteiro – todas as crianças da vizinhança têm o mesmo modelo de tela portátil. Assombrada pelo seu passado e com receio de voltar a ser esquecida, como aconteceu com a sua primeira dona, Jessie não hesita em assumir a liderança para provar que nenhum algoritmo é capaz de substituir a partilha de uma brincadeira no mundo real. Para levar a missão a bom porto, Woody – que no final do quarto filme tinha decidido viver sem dono, ao lado da sua grande paixão, a pastora Betty – regressa para unir forças com Buzz, assumindo ambos, desta vez, o papel de coadjuvantes.

TOY STORY 5
PixarWoody and Buzz Lightyear in Disney and Pixar's TOY STORY 5. Photo courtesy of Pixar. © 2026 Disney/Pixar. All Rights Reserved.

Tecnologia – sim ou não?

Quem também está de volta é Miguel Ângelo, a voz portuguesa de Woody desde 1995. “Acho que é incrível que esta saga tenha mantido a qualidade. Eu lembro-me de outros filmes que fiz – a Pocahontas, por exemplo –, em que o primeiro foi um êxito e o segundo foi só para o circuito de vídeo. O mesmo com o Corcunda de Notre Dame. O Toy Story, por outro lado, continua a ter enredos interessantes, quer para adultos quer para crianças”, partilha o músico e dobrador, antes de confessar que ainda não viu a montagem final: “Na verdade, ainda não vi o filme. Quando gravamos, nem sequer contracenamos com ninguém – há vozes que ouvimos ainda em inglês –, portanto tenho luzes sobre a produção, mas ainda não vi. Os meus filhos já: foram à antestreia e adoraram.”

No caso de Miguel Ângelo, não é propriamente um problema – os filhos mais velhos estão na casa dos 30 e a mais nova, com dez, “é bastante equilibrada” –, mas não há dúvidas de que o trunfo de Toy Story 5 é mesmo o facto de espelhar uma angústia partilhada pela maioria dos pais da actualidade: os ecrãs como a solução mais fácil para mitigar a solidão ou a frustração dos mais novos. “Houve uma fase em que a caçula estava mais tempo online, mas agora que está um bocadinho condicionada, curiosamente, passou de ser uma criança mais ansiosa, refilona e embirrenta para ser mais pacífica”, partilha. “Eu, que até sou um gajo muito liberal em relação à tecnologia, sempre fui, dei um bocadinho a mão à palmatória, porque há de facto uma grande diferença comportamental numa criança que joga dia sim, dia não, e numa que joga uma vez por semana. Porque [a tecnologia] é uma máquina muito potente.”

Este ano, seguindo uma tendência crescente na Europa para proteger os jovens online, o Parlamento português aprovou um projeto-lei que visa restringir o acesso livre de menores às redes sociais. O diploma prevê que os menores de 13 anos fiquem impedidos de criar contas ou aceder a plataformas como o Instagram e o TikTok, enquanto jovens entre os 13 e os 16 anos só vão poder utilizar essas redes com o consentimento expresso e verificado dos pais. É precisamente no centro deste debate público que se posiciona Toy Story 5. Mais pedagógica do que qualquer outra incursão da saga até aqui, mas sem diabolizar a tecnologia em si, a longa-metragem discute de maneira tragicómica as consequências do seu uso desregrado.

Andrew Stanton Toy Story 5
DisneyEntrevista con Andrew Stanton

A adultização das crianças, os sintomas prematuros de depressão, a ansiedade digital e o isolamento social são alguns dos tópicos sensíveis que o filme levanta – tudo isto sem que deixe de nos fazer rir. Para isso contribuem as piadas habituais e até uma aventura aparentemente paralela, com um batalhão de Buzz Lightyears à procura do comando estelar, mas sobretudo as novas personagens. Além de Lilypad, o destaque vai para Smarty Pants, um brinquedo electrónico concebido para ajudar os mais novos na ida à casa-de-banho. Esta engenhoca – que promete momentos de humor escatológico –, o seu amigo Atlas, um hipopótamo que funciona como GPS falante, e a câmara fotográfica Snappy são a prova de que a tecnologia também pode ser boa e útil.

Filho de peixe sabe dobrar

“Foi um bombom ter-me calhado esta personagem, porque é mesmo muito engraçada e eu sou fã do Conan O’Brien, que a interpreta no original. Fartei-me de rir a ouvi-lo e só pensava em como poderia ser igualmente carismático, mas à minha maneira, claro”, partilha Ricardo Raposo, a voz portuguesa de Smarty Pants. “Foi uma honra imensa fazer este filme. Sou fã da franquia desde miúdo, acompanhou-me ao longo de todo o meu crescimento – sou filho do José Raposo [que faz a voz do Sr. Cabeça de Batata desde o primeiro filme] e há frases que ainda hoje ecoam na minha cabeça. Isso é mágico.”

Miguel Ângelo concorda. “É quase como se fossem da nossa família, porque de facto crescemos com estes personagens. O meu filho mais velho tinha quatro anos quando saiu o primeiro filme. O do meio, o Martim, nasceu no mesmo ano, em 1995. São fãs e continuam a querer ver. Mas nunca imaginei, quando fiz o primeiro, que isto ia durar tanto tempo. O que vale é que os bonecos não envelhecem como eu”, diz, entre risos, lamentando de seguida não ter o amigo Paulo Branco a seu lado. Ricardo explica: “É a nossa grande tristeza. Quando estávamos a gravar, o Paulo, que sempre fez de Buzz Lightyear, já estava hospitalizado. Quem faz a nova voz é o João Brás, e faz muito bem, mas [a morte do Paulo] foi uma grande infelicidade.”

No final, a grande lição de Toy Story 5 é que, venham as inteligências artificiais que vierem, a magia da infância resiste sempre que há um amigo por perto. O verdadeiro espaço para brincar é a imaginação. E esse horizonte continua a ser, hoje como em 1995, até ao infinito e mais além.

'Toy Story 5' estreia nos cinremas portugueses quinta-feira, 18 de Jun

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