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Trabalhos de restauro no Palácio da Pena recuperam “ambiente exótico”

É agora possível ver, na Segunda Sala de Passagem, a pintura decorativa original, escolhida por D. Fernando II e que terá sido inspirada em motivos chineses.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Palácio da Pena
Fotografia: José Marques Silva | Segunda Sala de Passagem do Palácio da Pena
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O Palácio Nacional da Pena está a ser alvo de trabalhos de conservação e restauro. Na Segunda Sala de Passagem, ficou a descoberto a pintura decorativa original, que fora ocultada pela última intervenção datada do século XX. Agora, é possível admirar a sala em tons de azul, com uma pintura potencialmente inspirada em motivos chineses, com florões na parede. O “ambiente exótico” completa-se com o mobiliário e os restantes objectos que D. Fernando II seleccionou para o espaço e que estão de regresso ao local original, após revisão da museografia. A concretização do projecto levou cerca de um ano e envolveu uma equipa multidisciplinar, composta por conservadores-restauradores, arquitectos e engenheiros.

“O projecto de conservação e restauro da Primeira e da Segunda Salas de Passagem do Palácio Nacional da Pena – assim chamadas por estarem localizadas na transição entre o mosteiro do século XVI adaptado a núcleo privado do palácio e o Palácio Novo construído para receber convidados – foi precedido de uma investigação aprofundada”, lê-se em comunicado da Parques de Sintra. “No caso da Segunda Sala de Passagem, muito embora se observasse um revestimento em tom cinza-azulado liso, a informação histórica obtida através de documentação fotográfica indicava a possível existência de uma pintura decorativa anterior nas paredes.” 

Restauros no Palácio da Pena
Fotografia: José Marques Silva

Para confirmar que haveria de facto uma pintura anterior, foram preciso realizar “sondagens parietais”. Mas o grande destaque desta investigação, que foi levada a cabo no local, é outra descoberta surpreendente: o revestimento decorativo original do tecto, do qual não se conhece nenhum registo fotográfico. Depois, claro, foi preciso salvaguardar os vestígios existentes e recuperar a totalidade dos revestimentos. Seguiu-se, assim, um trabalho minucioso e demorado, feito manualmente, com recurso a utensílios de pequenas dimensões e a técnicas de remoção testadas e desenvolvidas especificamente para os materiais e o local em causa.

A pintura original da Segunda Sala de Passagem terá sido executada na década de 1860, por pintores contratados pela firma Barbosa e Costa, que também forneceu mobiliário, têxteis e acessórios. Segundo a Parques de Sintra, é de “elevada qualidade artística” e a repetição de medalhões vegetalistas, com ligeiras gradações de tons, lembra os têxteis utilizados em revestimentos de paredes.

Restauros no Palácio da Pena
Parques de Sintra

Parques de Sintra adquiriu quadros que pertenceram a D. Fernando II

Paralelamente, a Parques de Sintra realizou também um estudo detalhado dos inventários, da correspondência da época, das colecções do Palácio Nacional da Pena e dos palácios nacionais de Mafra e da Ajuda, com vista à musealização das divisões agora recuperadas. Nos palácios e casas de elite, a tendência – que o Palácio da Pena decidiu seguir – era os espaços de distribuição entre aposentos funcionarem como pequenas galerias de obras de arte. Neste sentido, foram adquiridos quadros que pertenceram a D. Fernando II, entre os quais se destacam, por exemplo, a compra das obras “Um pobre cego (do natural)”, do pintor Francisco Pinto da Costa (1826-1869); “Lavadeira”, pintada por Francisco de Resende (1825-1893); e um par de naturezas mortas, sob o tema “Flores”, do artista flamengo Gaspar Peeter II Verbruggen (1664-1730).

Sala da Primeira Passagem do Palácio Nacional da Pena
Fotografia: José Marques Silva.Sala da Primeira Passagem do Palácio Nacional da Pena

Já à Primeira Sala de Passagem – referida pelo estucador Domingos Meira nas suas facturas como “Sala de Pintura d’Entrada ao Atelier” – regressaram peças de mobiliário português antigo que o Rei-Artista escolheu para o compartimento: um contador, uma arca e um armário neogótico, que exibe parte da sua coleção de vidros. Foram, também, identificados e devolvidos ao espaço outros objetos que ali se encontravam no tempo do monarca, como um par de jarras em faiança com parras e uvas, de origem germânica, e uma terrina em forma de lebre, de manufatura francesa.

Estas intervenções enquadram-se na estratégia global de salvaguarda do património sob gestão da Parques de Sintra. De acordo com o plano previamente estabelecido, prevê-se que os trabalhos continuem nos restantes espaços do piso nobre do Palácio. Simultaneamente, a musealização das referidas divisões integra o projecto que tem vindo a ser implementado nos interiores do palácio, com vista à reconstituição histórica dos ambientes domésticos que marcaram a vivência da Família Real no monumento. Para tal, tem sido levada a cabo uma investigação histórica, apoiada em fontes documentais e iconografia da época.

Palácio Nacional da Pena. Seg-Dom 09.00-19.00. 9€-10€/individual, 35€/família (2 adultos + 2 jovens)

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