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‘Tron’: dos jogos de vídeo para a Inteligência Artificial

Por ocasião da estreia de ‘Tron: Ares’, o terceiro filme desta série de ficção científica, recordamos o pioneiro título que a originou, rodado em 1982 por Steven Lisberger.

Escrito por
Eurico de Barros
Tron
DR | ‘Tron’ (1982)
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Parece anedota, mas é verdade. Em 1982, um filme de ficção científica tecnologicamente inovador foi impedido pela Academia de Hollywood de concorrer ao Óscar de Melhores Efeitos Especiais, porque aquela considerou ser “batota” recorrer a computadores para gerar os ditos. Esse filme chama-se Tron, foi produzido pela Walt Disney e realizado por Steven Lisberger (também autor do argumento) e foi pioneiro na utilização de efeitos computacionais em escala alargada no cinema, e o primeiro a passar-se no interior de um jogo de vídeo, tendo como herói um programa de computador que assume a forma do engenheiro informático que o concebeu (Jeff Bridges interpreta ambos os papéis). 

Apesar de ter feito boa bilheteira e números ainda melhores em termos de vendas de merchandise, a Disney não ficou muito contente com os resultados globais de Tron. Os críticos dividiram-se, apontando o simplismo da história, mas houve uma quase unanimidade quanto ao elogio dos vistosos efeitos computacionais, também combinados com imagem real, e das sequências passadas no mundo digital, em que o herói tem que participar numa série de jogos mortais para conseguir anular um poderoso programa, maléfico e megalómano. No que é ajudado por um programa de segurança, o Tron do título (Bruce Boxleitner também num duplo papel, fora e dentro do computador em que decorre parte da acção, tal como o vilão, interpretado por David Warner). 

Tron
DRBruce Boxleitner e Jeff Bridges em ‘Tron’ (1982)

O filme ganhou estatuto de culto e é hoje considerado um título de referência em termos tecnológicos, tendo sido uma grande influência, entre outros, em John Lasseter, então animador da Disney, e futuramente da Lucasfilm e da Pixar. Steven Lisberger tinha um estúdio de animação, e quando um dia, em 1976, jogou Pong, da Atari, ficou encantado com os jogos de vídeo e decidiu rodar um filme que os incorporasse. Após muitas peripécias e recusas de estúdios e empresas de informática, a Disney decidiu apoiar o projecto em 1980, e Tron chegou ao cinema em 1982, cavalgando a nova onda dos jogos de computador e dos computadores pessoais (nesse mesmo ano, o lendário Spectrum apareceu no Reino Unido). Jean Giraud/Moebius e Syd Mead conceberam, individualmente e em colaboração, os cenários e os veículos virtuais, bem como o guarda-roupa das personagens dentro do computador e o logótipo do filme, e Wendy Carlos compôs a banda sonora usando sintetizadores. Os vários jogos de vídeo baseados em Tron foram enormes sucessos comerciais.

Foi só em 2010 que apareceu o segundo filme da série, Tron: O Legado, realizado por Joseph Kosinski, e com Jeff Bridges e Bruce Boxleitner repetindo os seus respectivos papéis. Seguiu-se uma curta-metragem, Tron: The Next Day (2011) e uma série de televisão animada em 2012, Tron: Uprising. O terceiro título, Tron: Ares, assinado por Joachim Ronning, chega esta semana aos cinemas e, em termos de efeitos especiais digitais, não há comparação possível entre este novo filme e o Tron de 1982, de tal forma eles evoluíram – e passaram a ter um papel central na indústria cinematográfica americana. Jeff Bridges, esse, continua a constar do elenco, 43 anos mais tarde. É o único actor que participou nos três filmes.

Tron: Ares
DisneyJodie Turner-Smith em ‘Tron: Ares’

Jared Leto, Gillian Anderson, Jodie Turner-Smith, Evan Peters e Greta Lee juntam-se a Bridges em Tron: Ares, que introduz nesta série de fitas o actualíssimo tema da Inteligência Artificial, e recorre aos mais sofisticados efeitos especiais gerados por computador hoje disponíveis, na sua maior parte da responsabilidade da Industrial Light and Magic. Como desde o princípio, a produção continua a ser dos Estúdios Walt Disney. Jared Leto dá corpo ao Ares do título, um programa altamente complexo, que é enviado do mundo virtual para o nosso mundo, incumbido de uma perigosa missão, e assinalando o primeiro contacto da humanidade com um ser gerado pela Inteligência Artificial (IA).

Do tempo dos primeiros e rudimentares jogos de vídeo do início dos anos 80 até à era da IA no século XXI, a série de filmes Tron deu um salto colossal. E entretanto, a Academia de Hollywood mudou radicalmente de opinião no que diz respeito aos efeitos especiais digitais. 

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