[category]
[title]
A ideia é de Daniela Seabra, que quer pôr jovens a acompanhar quem mais precisa nas suas deslocações diárias.

Chama-se VEM – Mobilidade com Dignidade e é uma startup de impacto social, que disponibiliza acompanhamento a pessoas que precisem de apoio no dia-a-dia. A ideia é de Daniela Seabra, que tem baixa visão causada por retinopatia pigmentar. “É uma doença genética, rara e progressiva. Comecei a ter os primeiros sintomas aos 14 anos, mas só fui diagnosticada aos 18. Agora tenho 43 e há cerca de três anos tornou-se incontornável a decisão de adquirir uma bengala e ter aulas de orientação, porque – mais do que perder a visão – eu estava a perder a minha autonomia e às vezes até a pôr-me em perigo. Isso também me levou a ter menos vontade de sair de casa, e há muitas pessoas que vivem esta realidade”, revela a empreendedora, que quer combater o isolamento, promover o encontro entre gerações e ajudar pessoas com deficiência visual, mobilidade condicionada, em recuperação, mais velhas ou a cuidar de alguém.
“Em vez de chamarmos um carro, podemos chamar um guia para nos acompanhar nos nossos trajectos, para ir a uma consulta, às compras ou simplesmente para dar um passeio”, explica-nos Daniela, que garante formação gratuita em mobilidade assistida e comunicação compassiva a todos os jovens entre os 18 e os 25 anos que queiram juntar-se à equipa. O valor não é público, mas a actividade é remunerada à hora – as candidaturas são feitas online, num formulário que demora cerca de cinco minutos a preencher, e a selecção é feita “de forma criteriosa”, inclusive através de entrevista. “Mais do que acompanhar, procuramos fazer companhia, porque os nossos clientes são maioritariamente séniores, que muitas vezes também precisam com quem falar. O facto de os nossos guias serem jovens universitários possibilita um encontro intergeracional, que é enriquecedor para ambas as partes.”
Já para quem precisa, as marcações devem ser feitas online ou por WhatsApp (939 250 831) com pelo menos 24 horas de antecedência. Só é preciso indicar quatro informações: quando, ponto de partida, destino e duração prevista. Depois, com recurso à geolocalização e disponibilidade em tempo real, atribuiu-se um guia para acompanhamento personalizado. “Estamos a funcionar desde Setembro e já foram feitas mais de 80 missões. A maior parte são ir ao hospital e ao centro de saúde. Ir acompanhado a um sítio que às vezes é confuso, porque não sabemos onde é a recepção ou o gabinete, é um conforto adicional e uma ajuda preciosa para tornar esses momentos muito mais fáceis e dignos. Temos recebido mensagens a relatar ganhos de confiança e autonomia, e vontade de voltar a fazer coisas que há muito tempo não faziam”, partilha Daniela.
Os preços variam consoante o número de horas de acompanhamento, mas quanto mais horas adquirir, menor será o valor por hora. Uma hora avulsa custa 9€, enquanto o plano VEM 3 – que inclui três horas de apoio, uma a duas vezes por semana – tem um valor mensal de 26€. Já o VEM 6, com seis horas de apoio na mesma modalidade, custa 50€ por mês. Existem ainda duas bolsas mensais: uma de oito horas para rotinas semanais, por 66€, e outra de até 14 horas, por 112€. “É para todas as pessoas com mobilidade condicionada”, reforça Daniela.
Actualmente, o VEM está em fase piloto em Lisboa, mas Daniela gostava de escalar o serviço para outras cidades do país, em colaboração com universidades e associações. “É importante reforçar que não somos uma associação, temos o nosso modelo de negócio e queremos ser sustentáveis”, diz Daniela. “Depois de consolidarmos a nossa operação na Área Metropolitana de Lisboa, o nosso objectivo é, sem dúvida, expandir para outras localidades, e também ambicionamos internacionalizar a nossa solução.” Antes, está previsto o lançamento de uma aplicação com sistema de matching e IA.
📲 Siga-nos nas redes sociais: Whatsapp, Instagram, Facebook e LinkedIn
Discover Time Out original video