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“Voltar aonde somos felizes” é a proposta do LU.CA para 2026

A nova temporada do LU.CA recupera obras que marcaram os últimos anos, com 107 sessões para escolas e famílias.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Uma Outra Bela Adormecida
© Enric Vives-Rubio | ‘Uma Outra Bela Adormecida’, revisitação da história de ‘A Bela Adormecida’, a partir do texto de Agustina Bessa-Luís
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O LU.CA começa 2026 a olhar para trás, mas sempre com os pés bem assentes no agora. A primeira parte do programa “Voltar aonde somos felizes”, que decorre de Janeiro a Julho, recupera seis criações apresentadas ao longo dos últimos anos e que voltam agora ao palco do Teatro Luís de Camões. A ideia é revisitar obras que continuam a provocar curiosidade, perguntas e vontade de – adivinhou! – voltar onde somos felizes. 

“Repor um espectáculo é afirmar que há obras que resistem ao tempo, que continuam a fazer sentido, a fazer-nos pensar, emocionar e crescer”, explica em comunicado a directora artística, Susana Menezes, que reforça a importância desta escolha também como resposta a uma preocupação com a sustentabilidade, num contexto em que a criação tende a avançar sempre para o que é novo.

O ano abre com O Papel do Dinheiro, da mala voadora (9–25 Jan). As notas são tratadas como objectos que guardam fragmentos da história do mundo. Manipuladas ao vivo e ampliadas num ecrã LED, tornam-se matéria cénica. A companhia retoma aqui uma pesquisa iniciada em 2005, com philatélie. O espectáculo dirige-se a maiores de oito anos.

Segue-se Uma partícula mais pequena do que um grão de pó (4–12 Fev), de Sofia Dias e Vítor Roriz. A dupla imagina o instante em que uma partícula invisível faz parar as máquinas do mundo e investiga o que se ouve – e o que se revela – quando o ruído cessa. Em palco, três intérpretes percorrem esse território. Para maiores de seis anos, inclui uma sessão descontraída.

Logo depois, regressa Peço a Palavra (21 Fev–1 Mar), de Teresa Coutinho. A criadora convoca um parlamento em palco, onde se debate a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o papel dos jovens na política. A encenação segue um grupo de “deputados” que tentam perceber o que significa exercer poder. Destina-se a maiores de 13 anos e inclui sessões com Língua Gestual Portuguesa.

Já em Março, o LU.CA volta a apresentar Uma Outra Bela Adormecida (5–26 Mar), uma releitura do conto de Perrault a partir da adaptação de Agustina Bessa-Luís. Beatriz Brás, Francisco Lourenço e Martim Sousa Tavares revisitam o universo da princesa adormecida, cruzando teatro, música ao vivo e imagem. O espectáculo, pensado para crianças e jovens a partir dos oito anos, propõe pensar o que significa crescer e habitar o mundo.

Abril traz de volta A Quinta dos Animais (11-24 Abr), encenado por Tonan Quito a partir da fábula política de George Orwell. A peça lança a pergunta “quem manda aqui?” e convida o público a observar como o poder se instala, se transforma e, por vezes, se perverte. A interpretação é de Cláudia Gaiolas e o espectáculo destina-se a maiores de dez anos.

Em Maio, é a vez do FIMFA Lx, o festival que todos os anos traz a Lisboa marionetas, objectos e novas formas de circo e dança. A programação completa será anunciada no final de Março, mas sabe-se que o teatro receberá três propostas internacionais.

O semestre termina com música: “Mais Alto!” regressa entre 30 de Maio e 1 de Junho. O concerto comentado junta novamente Francisca Cortesão, Afonso Cabral, Inês Sousa, Rui Freire, Sérgio Nascimento e Isabel Minhós Martins. É um espectáculo que explora o papel da música nas mudanças sociais e políticas, com canções de autores como José Afonso, José Mário Branco, Rita Lee ou Clã. Está pensado para famílias e escolas, a partir dos três anos.

No total, esta primeira metade da temporada soma 107 sessões, entre escolas e famílias, incluindo sessões acessíveis com Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição e sessões descontraídas. A segunda parte da programação, referente ao período de Julho a Dezembro, será anunciada no Verão. “Quando a criação vive tantas vezes ao ritmo da novidade, escolher voltar é resistir à lógica do consumo rápido. É um acto de sustentabilidade cultural”, reforça Susana Menezes, citada na mesma nota.

Além dos espectáculos, haverá leituras com Bru Junça e Cristina Taquelim, cinema com curadoria do Festival Play, duas exposições – “Felicidade”, de Mariana Mizarela, e “AH!”, de André Ruivo, com mediação de Ana Ribeiro –, o habitual Baile do Carnaval, este ano com os DJs Benjamim e Ana Markl, e visitas ao LU.CA no Dia Mundial do Teatro, a 27 de Março.

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