Il Matriciano al Mare

Restaurantes, Italiano Chiado/Cais do Sodré
4 /5 estrelas
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Il Matriciano al Mare - Sala
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Il Matriciano al Mare - Risotto
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Il Matriciano al Mare - Carpaccio de Robalo e Trufas
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Carpaccio de Robalo e Trufas

O único italiano dedicado em exclusivo ao fundo do mar fez Marta Brown reencontrar uma das sobremesas da sua vida

Há muitos anos, numas férias em Florença, provei uma sobremesa que nunca me saiu da cabeça: um prato de gelados de fruta servidos dentro da casca dos próprios frutos. Ainda não ligava à comida como hoje, não me lembro do nome do restaurante, nem sequer o sabor dos gelados (em Itália é difícil serem maus), mas recordo-me de ter sido uma recomendação do empregado de mesa e de ver chegar à mesa uma travessa enorme com morangos, nozes, laranjas, limões, todos cortados pela metade, recheados com gelados e sorvetes.

Esta semana, em mais um dia de trabalho em Lisboa, reencontrei essa sobremesa. Céus! Que maravilha! E podia ter graça apenas pela emoção do reencontro – Il Matriciano al Mare aqui a fazer muito bem o papel de Henrique Mendes no Ponto de Encontro –, mas o fruttini gelato artigianali é de facto fora de série. Pela ideia – note-se que há vários chefs da alta cozinha a fazê-lo, como já provei numa sobremesa do Belcanto, mas não com o gelado como elemento principal do prato – e pelo sabor, 100% fruta, ainda com pequenos pedaços da polpa.

Sentia-se bem no amendoim, na noz e na pêra, menos na castanha, na banana e no maracujá. Ainda assim, todos eles gelados/sorvetes de alta qualidade.

Contou-me depois o simpaticíssimo empregado italiano que a sobremesa é feita no sul de Itália, por um senhor já velhinho, que escolhe a fruta com boa casca, retira o interior, faz o gelado e volta a preencher o fruto. Consta que convencê-lo a vender para Portugal não foi pêra doce (passe o trocadilho) mas lá chegaram a bom porto (ha ha ha). E é por isso que a vendem nos dois Il Matriciano.

O al Mare, já diz o nome, cozinha peixe e marisco. O sítio em si tem laivos de uma tarde de Verão, é forrado a tons claros e decorado com motivos de mar. Talvez estivesse melhor à beira-mar do que à beira da Assembleia. Por isso, ir lá na semana mais fria dos últimos meses pode não parecer a decisão mais inteligente. Mas se há coisa que a comida italiana tem a jogar em sua defesa é o facto de ser reconfortante. E o restaurante não defrauda essa expectativa.

Logo a começar, involtini di rombo coi asparagi pecorino sardo semi-stagionato. Isto é, três pedaços de um saboroso pargo, enrolados sob espargos cozidos no ponto, com lascas de queijo pecorino semicurado por cima, a dose suficiente para não apagar o sabor do resto do prato, em cima de arroz selvagem cozido al dente. Muito bom. Provei também o sauté di vongole, uma versão italiana das amêijoas à Bulhão Pato, cozinhadas em azeite, alho e, no caso, salsa – agradável, com torradas ao lado.

Comeu-se também um óptimo risotto alla crema di scampi e arance – em português, um incrível risoto de lagostim e laranja. O citrino adocicado, na dose certa, a deixar saborear o arroz e os pedaços do lagostim. Em cima o próprio do bicho, fresco e delicioso. Palmas. E ainda, recomendação do, repito, simpaticíssimo empregado, uma pasta trofie spigola e limone. Tradução: massa em pequenos pedaços tortos (do tamanho da batata palha, ligeiramente mais grossa), com robalo desfiado, limão e manjericão. Um prato, apesar de quente, fresco e aromatizado, com um caldo apurado.

Devo dizer que depois disto, de um bom copo de branco italiano, de uma conversa com o empregado em que me fartei de aprender sobre fornecedores e receitas, do reencontro com os gelados na casca da fruta e de uma poderosa grappa final, o único detalhe que me deixou com a boca amarga foi o preço: 80€ por duas pessoas, só com um copo de vinho/cada ainda é muito para uma refeição média em Lisboa.

Vale sem dúvida as quatro estrelas, mas é carote.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local Il Matriciano al Mare
Contato
Endereço Rua de São Bento, 97/99
Lisboa
1200-816
Horário Seg-Sab 12.00-15.30/19.00-00.00
Transporte BUS 706, 714, 727, 774
Preço 30€ a 40€
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Quando entramos neste restaurante, o espírito marítimo toma conta de nós. A decoração em tons de azul e branco transporta-nos para um ambiente de praia e mar, que em tudo combina com a filosofia do Il Matriciano Al Mare: juntar o melhor da cozinha italiana com o peixe e o marisco fresco. Vir com apetite é essencial, as doses são grandes e a vontade é de experimentar tudo. Destaco a massa cortada de cecco com marisco, estava absolutamente extraordinária. Pasta al dente onde a simplicidade da sua preparação enaltece a qualidade dos ingredientes. Todo o peixe e marisco que provámos era muito fresco e muito saboroso (desde lagostins, gambas, amêijoas, mexilhão e lulas). O atendimento é muito simpático no entanto a chegada dos pratos à mesa demorou muito tempo, o que acaba por cortar um pouco o ritmo da refeição. Tirando este ponto menos positivo, este espaço é uma lufada de ar fresco em plena Lisboa!


Opinião publicada na página do restaurante na Zomato.