Despertar da Primavera, uma Tragédia de Juventude

Teatro
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Despertar da Primavera, uma Tragédia de Juventude
©Alipio Padilha

Há muito pouco de la vie en rose. Por aqui, o pink é choque, porque crescer é um mar de espinhos, seja em que século for. Em 1891, Frank Wedekind escreveu Despertar da Primavera, uma Tragédia de Juventude, sobre um grupo de adolescentes em conflito com uma sociedade conservadora e moralista. Chegados a 2017, o CCB encomendou aos Praga a revisão deste clássico, a partir de uma tradução de José Maria Vieira Mendes, que explora uma série de paralinguagens, cruzando referências usadas por minorias. “Quando aparecem encomendas há uma espécie de programa de recusa imediata, mas depois estas projecções sobre o nosso universo artístico acabam por funcionar como desafio. Se mordemos o isco acabamos por desenvolver uma vontade de agir sobre esta ideia”, explica Pedro Zegre Penim, que em palco se junta a André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, e Patrícia da Silva, num embate com Cláudio Fernandes, Gonçal C. Ferreira, João Abreu, Mafalda Banquart, Óscar Silva, Rafaela Jacinto, Sara Leite e Xana Novais.

É nesta duplicidade que o espectáculo se concretiza, reunindo em cena uma companhia que estabeleceu o seu percurso, com um universo criativo reconhecido e jovens artistas estranhos a este núcleo preparados para o pôr em causa. “Nós fazemos de pais, com papéis mais secundários, e damos esse espaço aos artistas escolhidos na audição”. Se à época da sua criação, a peça ficou enredada em polémica, por abordar o despertar da sexualidade e propor um duelo geracional com os pais, “foi preciso encontrar esse eco no tempo em que vivemos. Procurámos artistas, no sentido mais lato, que fossem de uma geração mais jovem que a nossa, que se situa nos 40 anos”.

Retomando o ponto de partida deste texto, o cenário é todo cor-de-rosa, fiel à ideia de gentrificação da linguagem, e em diálogo com um espectáculo anterior do grupo, Terceira Idade, onde se lia a palavra Old. Para juntar a este festim exuberante, os figurinos com assinatura de Joana Barrios. Em fundo, a palavra New, ou não estivéssemos a falar de debutância, seja ela sexual ou artística.

Por Maria Ramos Silva

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