Evangelho

Teatro

É, sem dúvida, um dos momentos mais esperados do 34º Festival de Almada, até por a Compagnia Pippo Delbono ser, como se costuma dizer, parte da “família” depois das suas várias apresentações no certame com obras do dramaturgo e encenador italiano Pippo Delbono. Autor que, desta vez, diz, resolveu aceder a desejo da mãe, a qual, à beira da morte, lhe terá pedido para fazer uma peça sobre religião. E assim nasceu Evangelho, que talvez não corresponda às expectativas de uma senhora respeitadora da tradição, pois Delbono aborda a religião e a fé como uma missa simultaneamente “laica e lírica”, em que a “graça da fé” se opõe “às violências e aos massacres perpetrados em seu nome.” O que aliás levou o crítico do “Le Monde” a proclamar: “um presente, daqueles que o teatro pode oferecer quando não procura chocar: tecido com afecto, ternamente desengonçado, e doce como certos encontros.”