Filhos da Mãe

Teatro
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Filhos da Mãe
©Alipio Padilha

Depois de subirem ao palco grávidas, regressam já com os miúdos pela mão. "Filhos da Mãe", uma peça sobre as aventuras e desventuras da maternidade

A linha que separa o estado de graça do estado de desgraça é muito ténue. Antes que nos encha a caixa de comentários com insultos, falamos, sem panos quentes, de todos os pequenos dissabores – da bexiga apertada durante a gravidez, às birras, quando os miúdos já andam cá fora – associados à maternidade. Quis o destino que em 2014, Flávia Gusmão e uma série de outras actrizes exibissem uma proeminente barriga. Juntas, no palco do Teatro Taborda, levantaram uma pertinente questão: Consegues Ver os Teus Pés?. “O projecto começou quando estava grávida e acabei por fazer algo com isso artisticamente. A Cleia Almeida também estava e também se mostrou interessada. Sabíamos que havia outras actrizes grávidas”, explica a criadora. Depois dessa divagação sobre como o estado gestacional influi directa e indirectamente no quotidiano, surge Filhos da Mãe, cuja ideia nasceu mal o desafio anterior terminou. “O teatro em si já é efémero e aquele projecto em si era bastante efémero.

Pensei logo em fazer a sequela”. Martim Pedroso assina a direcção do espectáculo e garante uma visão exterior. A Flávia, na sala Mário Viegas, juntam-se Joana Seixas, Katrin Kaasa, Rita Calçada Bastos e Vera Kolodzig. De referir ainda a participação dos bebés e crianças: Carolina Pedroso e Silva, Djodja Gusmão Rebelo e Eva Soares. A peça divide-se em três partes. Na primeira, os descendentes estão em cena. “Vemos como as actrizes conseguem ser actrizes com os filhos em cena, enquanto eles estão a ser eles próprios”. Segue-se uma incursão pelo “lado B da maternidade”, num registo mais “dark”. Por fim, uma terceira parte, “que não dá para revelar”.

E se ser mãe é sinónimo de rendição a todos os clichés – “muda a nossa visão do mundo, do nosso centro, de nós próprios” – também certos hábitos pós- -modernos já estão mais que enraizados. É o caso do grupo de WhatsApp onde esta equipa partilha dúvidas e novidades. “Ficámos amigas. Começou como experiência pessoal que passou para a profissional e contaminou a pessoal de novo”.

Por Maria Ramos Silva

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Raquel D
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Um espetáculo que reflete e questiona a maternidade através não só das experiências reais de cinco atrizes como da personificação de mães das tragédias gregas. Desmistificando o papel de super-mãe, expõe-se não só a felicidade de ser mãe como as angústias, o confronto com as expetativas dos outros e das próprias e as projeções que se realizam acerca do que esperamos ou acreditamos que os nossos filhos vão ser.