Sweet Home Europa

Teatro
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‘Sweet home Europa
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Sweet home Europa
Sweet Home Europa
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'Sweet home Europa' é uma das peças que vai poder ver neste dia
Sweet Home Europa
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A Europa, pois. Estamos sempre a falar da Europa.
Mas, convenhamos, além do dinheirinho que o país recebe e nos faz parecer europeus como os outros que mandam os tais fundos, queremos saber da Europa para alguma coisa?

Por estranho que pareça, sim. Quer dizer, algumas pessoas pensam na ideia de uma unidade política e económica europeia
de maneira conceptual, como uma convergência evolutiva progressista, democrática, próspera, culturalmente dinâmica. O que é bonito, no entanto desmentido pela prática das relações entre países e povos, além de contrariado pelos abusos de alguns dirigentes. Ainda não é o apocalipse. Longe disso. Todavia, a bem dizer, é como estar a ver a queda do Império Romano – em tempo real, não na versão cinematográfica.

Esta é a versão pessimista, ou a visão realista com experiência, depende da perspectiva.
Seja como for, mais coisa
menos coisa, é como Davide Carnevali (n. 1981) apresenta
a Europa que ele vê, como se costuma dizer, em construção, questionando a direcção em
que vão as obras. Antes de
mais alguém adormecer, quer
o texto, quer principalmente
a abordagem de João Pedro Mamede na sua cativante encenação (que muito bem interpreta, como aliás também
o fazem Isabel Costa, João Vicente e Daniel Bernardes), não deixam ninguém pestanejar. Não há neste jardim de pregos concebido por Ângela Rocha, etereamente iluminado por João Cachulo, motivos de tédio, porque não há aborrecimento no conflito. E é um conflito dos sérios, umas vezes gritante, outras surdo, infectado por considerável e saudável e lúcida dose de sarcasmo, onde um Homem, uma Mulher, outro Homem e um Pianista, quadro após quadro, discorrem sobre a integração, a aceitação do estrangeiro e a diferença, falando de abóboras e peixes. Em cada história ilustrando, na visão do dramaturgo italiano, uma União Europeia nas lonas, aguentando a custo as pontas de um ideal perigosamente resvalando entre a ganância e a xenofobia, como uma fábula onde o amor surge como acção política – e talvez a única safa.

Por Rui Monteiro

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