Tentativas de Matar o Amor

Teatro
0 Gostar
Guardar
Tentativas de Matar o Amor
©DR

É um assunto sério, o amor romântico. Afinal, tirando psicopatas e outras excepções clínicas, a sua presença e a sua ausência determinam parte fundamental das nossas vidas, incluindo a percepção dos outros e a deles sobre nós. É uma carga pesada, necessitada de muita manutenção e, mesmo assim, nunca se sabe porque se odeia quem se amou e muito menos porque se ama quem se odiou, ou porque se continua a amar sem vontade, como quem não se livra de um hábito. E se o matássemos, como Nietzsche fez a Deus?

As convenções sociais já não são o que eram. É uma boa notícia. Principalmente se as novas convenções sociais forem preferíveis. O mundo, contudo, mudou. Muito, e não pára de escolher caminhos às vezes inesperados nem de efectuar transformações surpreendentes. É natural que o amor, com as suas ilusões, peculiaridades e inconstâncias, mude com ele. Até por muitas vezes ser um empecilho, um obstáculo ao desenvolvimento pessoal e/ou profissional, ou pura e simplesmente uma limitação das escolhas sentimentais e sexuais. Voltando ao princípio: não seria muito mais fácil, ou mais prático, matá-lo, ficar com a parte do sexo e seguir? Ir com a ideia que Marta Figueiredo (n. ) sugere e explora no confronto entre Ana (Cleia Almeida) e Jaime (Tomás Alves) intermediado pelas observações e constatações cruéis de Manuel (Eurico Lopes)? É a ideia que a encenação de Levi Martins e Maria Mascarenhas quase dissecam (nesta produção do Teatro Aberto com a Companhia Mascarenhas Martins do texto vencedor do Grande Prémio de Teatro Português de ), recorrendo a uma dinâmica articulação entre teatro, música (André Reis) e cinema (Eduardo Breda), através da qual mantêm viva a ideia central do original: “Será que o mundo que criámos não contempla espaço nem tempo para o amor?”

Por Rui Monteiro

Publicado:

LiveReviews|0
1 person listening