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©IMDBArmie Hammer e Timothée Chalamet em Chama-me Pelo Teu Nome

Os melhores filmes LGBT+

Baseados em factos reais ou adaptados de romances, peças teatrais e até de BD. São 15 filmes gays e lésbicos essenciais.

Escrito por
Editores da Time Out Lisboa
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Nas últimas décadas, o preconceito parece ter-se esbatido. Não é que a posição da indústria em relação ao assunto seja unânime, mas há cada vez mais espaço para grandes histórias que, numa outra altura, teriam ficado arquivadas na gaveta. Ainda bem que assim o é, caso contrário, títulos como Felizes Juntos, de Wong Kar-Wai, Os Rapazes Não Choram, de Kimberly Pierce, ou Moonlight, de Barry Jenkins, nunca teriam chegado à tela. Na lista abaixo estão 15 filmes LGBT+ essenciais a qualquer cinéfilo, mas há sempre espaço para mais. Arranje tempo e não lhes tire os olhos de cima.

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Os melhores filmes LGBT+

1. ‘Os Rapazes do Grupo”, de William Friedkin (1970)

Baseado na peça pioneira de Mart Crowley, que também escreveu o argumento, esta fita de William Friedkin fez, no cinema, para os gays, o que aquela havia feito no palco: dar um retrato realista, sincero e corajoso da existência, dos estilos de vida, dos pontos de vista e dos comportamentos sociais de um grupo de homossexuais nova-iorquinos que se juntam na festa de aniversário de um amigo; e por extensão, falar da atitude para com eles de um mundo que ainda não os aceitava e preferia ignorar, hostilizar ou ridicularizar. Crowley disse na altura que Os Rapazes do Grupo não era uma obra de activismo, mas "uma espécie de resposta às atitudes sociais” das pessoas que o rodeavam e “às leis em vigor no tempo”.

2. ‘O Preço da Vitória’, de Robert Towne (1982)

Um dos primeiros filmes de Hollywood com personagens explicitamente lésbicas, O Preço da Vitória passa-se no meio do atletismo feminino de alta competição. Mariel Hemingway interpreta Chris, uma jovem que ambiciona fazer parte da equipa olímpica dos EUA e ganhar medalhas, e que se envolve com outra atleta, mais velha e experiente, Tory (Patrice Donnelly, ela própria uma atleta olímpica), que toma como modelo para atingir os seus objectivos desportivos. Mas Chris é bissexual e começa também um romance com Denny (Kenny Moore), um jogador de pólo aquático.

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3. ‘Companheiros de Sempre’, de Norman René (1989)

Este foi o primeiro filme americano mainstream a abordar o tema da sida e do seu impacto na comunidade gay. Passado entre 1981, quando a primeira menção à doença surgiu no The New York Times como “cancro gay”, e 1989, Companheiros de Sempre centra-se num grupo de amigos gay e na irmã heterossexual de um deles, e descreve a devastação que a sida espalha entre eles durante aquele período de tempo, e a forma como altera as vidas dos que não são atingidos por ela. Com Campbell Scott, Bruce Davison, Dermot Mulroney, Patrick Cassidy e Mary-Louise Parker.

4. ‘A Caminho de Idaho’, de Gus Van Sant (1992)

Durante anos a fio, interpretar um personagem gay era visto como um gesto atrevido e mesmo arriscado para uma jovem estrela de cinema masculina. A Caminho de Idaho (My Own Private Idaho, no original) desmentiu de forma categórica essa ideia. River Phoenix e Keanu Reeves interpretam uma dupla de prostitutos masculinos que vagueiam pelas ruas de Seattle e mesmo assim as adolescentes adoraram e puseram nas paredes do quarto os posters deles. O filme de Gus van Sant é irreal, terra a terra e cheio de pretensões mas de todas as maneiras certas, e os dois protagonistas são impossivelmente belos.

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5. ‘Filadélfia’, de Jonathan Demme (1993)

Inspirado num facto real ocorrido nos anos 80, este filme de Jonathan Demme utiliza o modelo clássico do melodrama de “doença fatal” para contar a história de um advogado de Filadélfia, interpretado por Tom Hanks, que é despedido da sua firma por ter contraído sida. E o único colega (Denzel Washington) que aceita representá-lo no processo que move contra os seus antigos empregadores é homofóbico. Antonio Banderas faz o amante da personagem de Hanks neste filme que teve um importante papel no despertar colectivo para a luta contra a sida nos EUA, e na oposição à estereotipação e demonização dos gays, sobretudo os atingidos pela doença. Hanks ganhou o Óscar de Melhor Actor.

6. ‘Felizes Juntos’, de Wong Kar-Wai (1997)

Tony Leung e Leslie Cheung, duas das maiores estrelas do cinema de Hong Kong, interpretam um casal de namorados que parte de férias para a Argentina, com a intenção de tentarem manter-se juntos, já que a sua relação tem sido afectada por discussões e uma sucessão de rupturas e reconciliações. Uma vez lá chegados, têm mais uma discussão e separam-se. Enquanto um deles arranja um emprego num clube nocturno de tango, o outro empenha-se em fazer-lhe ciúmes e magoá-lo. Armado com o seu virtuosismo estilístico e um título profundamente irónico, Wong Kar-Wai filma aqui a complicada e dolorosa desintegração de uma relação homossexual.

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7. 'Fucking Åmål', de Lukas Moodysson (1998)

"É verdade que és lésbica? Se és eu compreendo-te perfeitamente, porque os gajos às vezes são tão nojentos. Acho que também vou ser." Esta frase é a introdução perfeita para mais uma entrada nesta lista. Realizado por Lukas Moodysson, Fucking Åmål é um delicioso, comovente e multipremiado filme sobre a relação entre duas adolescentes (interpretadas por Alexandra Dahlstrom e Rebecka Liljeberg), aborrecidas de morte na pequena cidade sueca onde vivem e que, ao mesmo tempo que vivem os processos de descoberta próprios da idade, percebem pouco a pouco que a melhor coisa que cada uma tem a seu favor é a presença da outra.

8. ‘Os Rapazes Não Choram’, de Kimberley Pierce (1999)

A história verídica de Brandon Teena, que foi assassinado por dois dos seus amigos numa pequena cidade do Nebraska depois de se ter descoberto que era na realidade Teena Brandon, um transgénero que passava por homem para ser aceite socialmente e poder aproximar-se de mulheres. Hilary Swank interpreta Brandon/Teena nesta tragédia de identidade sexual, com Chloe Sevigny no papel de Lana Tisdel, a rapariga que se torna sua namorada e não o repudia depois de descobrir a verdade (o que não aconteceu com a verdadeira Tisdel).

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9. ‘O Fantasma’, de João Pedro Rodrigues (2000)

A primeira longa-metragem de João Pedro Rodrigues é também o primeiro filme português com um tema clara e assumidamente gay (em 1997, o realizador tinha já feito uma curta do mesmo género, Parabéns!). Ricardo Meneses interpreta Sérgio, um rapaz que trabalha na recolha nocturna do lixo em Lisboa. Uma colega, Fátima, sente-se atraída por ele, mas Sérgio não lhe liga porque está fascinado por um homem que, por sua vez, não lhe presta atenção. Sérgio deixa-se levar pelos seus impulsos sexuais mais imediatos e crus. O filme esteve em competição no Festival de Veneza.

10. ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, de Ang Lee (2005)

Ao longo das décadas de 60 e 70, dois cowboys (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) mantêm uma ligação amorosa intermitente, ora relutante, ora ardente, ao mesmo tempo que ambos se casam e têm filhos. Adaptando um conto de Annie Proulx, Ang Lee descreve com sensibilidade, pudor e verosimilhança uma relação complexa entre dois homens que não se assumem claramente como homossexuais, e que é tornada ainda mais problemática pela época e pela região dos EUA em que a história se passa, bem como pelo meio social e profissional em que ambos se mexem e ganham a vida. O filme conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e ainda três Óscares, entre os quais o de melhor realização.

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11. ‘A Vida de Adèle’, de Abdellatif Kechiche (2013)

Um intenso, sensual e explícito filme de iniciação à maturidade através da iniciação ao amor e ao sexo (aqui, lésbico), bem como às decepções do coração, que Abdelatif Kechiche assinou a partir de uma banda desenhada de Julie March (que depois da estreia da fita o acusaria de ter filmado cenas íntimas gratuitas e em excesso). Adèle Exarcopoulos personifica Adèle, uma adolescente que sonha com rapazes e com um grande amor, e cuja vida é virada do avesso quando, após um breve namoro com um colega de liceu, encontra Emma (Léa Seydoux), uma rapariga mais velha que tem os cabelos pintados de azul. O filme venceu o Festival de Cannes.

12. ‘Carol’, de Todd Haynes (2015)

O romance The Price of Salt, de Patricia Highsmith, passado nos anos 50, que Todd Haynes adapta aqui, contém elementos autobiográficos, já que a criadora de Tom Ripley teve uma série de experiências amorosas infelizes com mulheres casadas quando era nova. Há, assim, muito de Highsmith na personagem de Therese (Rooney Mara), a jovem empregada de uma grande loja de Nova Iorque que se envolve numa relação lésbica com Carol (Cate Blanchett), uma mulher mais velha, presa num casamento infeliz e de condição social superior à sua. Um filme tão delicado e contido como melancólico e desesperançado, rodado tal e qual ao estilo dos dramas românticos heterossexuais feitos na época em que decorre.

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13. ‘Moonlight’, de Barry Jenkins (2016)

“Há vidas que parecem ser vividas numa permanente escuridão, mesmo quando o Sol brilha ou a Lua está cheia”, escreveu o político e romancista inglês Benjamin Disraeli. Chiron, o jovem negro protagonista de Moonlight, de Barry Jenkins, que adapta a peça In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell Alvin McCraney, vive uma dessas vidas, nas três fases em que o enredo se divide. Da infância à idade adulta, há muitas dificuldades pela frente; uma mostra crua e digna de Óscar que desde então se tornou um marco.

14. ‘Chama-me Pelo Teu Nome’, de Luca Guadagnino (2017)

Estamos em Itália, no início dos anos 80. Elio (Timothée Chalamet) é um rapaz de 17 anos, inteligente, sensível, tímido e com talento músical, que está a passar as férias na mansão de campo da família. O pai, professor de Arqueologia, escolhe todos os Verões um finalista universitário para o ajudar nos seus projectos. E assim entra em cena o belo e atlético americano Oliver (Armie Hamer). Elio começa por embirrar com ele e ter ciúmes da sua popularidade imediata com o pai e a mãe, as raparigas e a gente local, mas pouco a pouco, começa a esboçar-se uma atracção entre ambos. Fotografado pelo tailandês Sayombhu Mukdeeprom, Chama-me Pelo Teu Nome é muito evocativo, na visualidade idílica, na sensualidade estival e no erotismo oblíquo mas omnipresente.

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15. ‘The Scary of Sixty-First’, de Dasha Nekrasova (2021)

A primeira longa-metragem realizada pela actriz Dasha Nekrasova (Succession), também conhecida por co-apresentar o popular podcast Red Scare, é influenciado em iguais partes pelos thrillers psicológicos de antanho, o cinema giallo e o mumblecore americano do século XXI. Conta a história de duas amigas que, sem o saberem, arrendam uma casa que pertenceu ao bilionário traficante sexual Jeffrey Epstein, morto em 2019, e acabam emaranhadas numa teia conspirativa e psicótica. Venceu o prémio de Melhor Primeira Obra na Berlinale de 2021.

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