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Will Smith Óscares 2022
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Óscares: 11 discursos bem polémicos

Nem todos os discursos de aceitação de prémios são banais ou repetitivos. Eis os 11 mais polémicos da história dos Óscares – incluindo o mais recente, de Will Smith, depois do tabefe ao apresentador Chris Rock.

Escrito por
Editores da Time Out Lisboa
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Convenhamos: a maior parte das vezes, os discursos de aceitação de prémios não têm interesse nenhum. Mas, de vez em quando, os vencedores dos Óscares (e não só) usam a oportunidade para declarações e tomadas de posições capazes de chocar, comover ou entusiasmar a audiência. É algo que acontece há décadas, e nos últimos anos se tem tornado cada vez mais frequente, como se percebe nestes exemplos. Em ano de guerra na Ucrânia, era de esperar um ou outro discurso mais político. Mas não – 2022 foi o ano de uma agressão em directo. E de um discurso com um pedido de desculpas que ficou aquém da bronca. 

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Óscares: 11 discursos polémicos

Marlon Brando (1973)

Marlon Brando não foi o primeiro a baldar-se à entrega dos Óscares (essa ousadia pertence a George C. Scott, em 1970, quando ganhou o Óscar de Melhor Actor pelo seu papel em Patton), mas o Melhor Actor de 1973 (por O Padrinho, de Francis Ford Coppola) fez a coisa com mais estilo. Brando, decidido a protestar contra o tratamento dos índios americanos pela indústria do cinema, enviou em sua vez a activista apache Sacheen Littlefeather para explicar os motivos. Não foi bem recebida, e quase a expulsaram do palco, tendo de acabar de ler o discurso na área de imprensa. Mas nunca ninguém esqueceu.

Vanessa Redgrave (1978)

Outro discurso que faz parte dos anais dos protestos hollywoodianos, e talvez o mais controverso, foi proferido por Vanessa Redgrave depois de receber a estatueta de melhor Actriz Secundária pelo seu papel em Júlia, de Fred Zinnemann. Acontece que, no mesmo ano, a actriz financiou e narrou um documentário sobre a Organização de Libertação da Palestina que muito incomodou judeus radicais. Foram mesmo esses que resolveram manifestar-se e protestar junto da Academia. E foi a eles que ela respondeu evocando a luta contra o fascismo e chamando-lhes um “punhado de arruaceiros sionistas.” Alguns, aplaudiram a sua coragem. Outros, apuparam-na.

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Halle Berry (2002)

A sua interpretação em Monster's Ball – Depois do Ódio, de Marc Forster, deu a Halle Berry a consagração como Melhor Actriz do ano. E mais: um lugar na história do cinema ao ser a primeira mulher afro-americana a ganhar um Óscar, responsabilidade que imediatamente pesou à actriz. A sua reacção e o seu discurso são dos mais emotivos e comoventes, dedicando o prémio a “todas as mulheres de cor, sem nome nem rosto, que agora têm uma oportunidade porque esta porta foi aberta.”

Michael Moore (2003)

Nos dias que correm, as suas posições já não surpreendem, contudo em 2003 o realizador norte-americano apanhou muitos de surpresa ao apontar o dedo a George W. Bush. Michael Moore, que recebia o Óscar de Melhor Documentário por Bowling for Columbine, atacou o então Presidente pela Guerra do Iraque, ainda no seu início. Chamou-lhe “presidente fictício”, eleito numas “eleições fictícias”. “Somos contra esta guerra, Mr. Bush. Tenha vergonha.” Ouviu apupos e aplausos e a música para terminar o discurso tocou.

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Sean Penn (2009)

Muito antes de se entreter entrevistando barões de droga mexicanos, Sean Penn aproveitou o seu Óscar de Melhor Actor, pela sua interpretação de Harvey Milk, em Milk, de Gus Van Sant, para advogar, como a sua personagem, os direitos da comunidade LGBT. Era um tempo em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era uma raridade apenas autorizada em alguns países e em poucos estados da América do Norte, e Penn dirigiu-se directamente aos opositores pedindo-lhes para reflectirem e deixarem de carregar “essa vergonha”. 

Jared Leto (2014)

Primeiro fez uma homenagem à mãe, e, depois, Jared Leto prosseguiu o seu discurso de agradecimento pelo triunfo na categoria Melhor Actor Secundário (por O Clube de Dallas, de Jean-Marc Vallée) virando-se para os assuntos internacionais. Na altura, grandes protestos por razões económicas e respectiva repressão governamental eram a ordem do dia na Venezuela e na Ucrânia, e o actor e cantor fez questão de apoiar os manifestantes antigovernamentais desses países, e ainda os direitos LGBT e daqueles que vivem com sida. 

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Patricia Arquette (2015)

Ao princípio não aconteceu nada. Obrigado a este e àquele, enfim, o costume traduzido numa longa lista de nomes. Mas, quando nada o fazia prever, como quem já aqueceu para o importante, a vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo seu papel em Boyhood: Momentos de Uma Vida, de Richard Linklater, Patricia Arquette, fez questão, ou sentiu a necessidade, tanto faz, de reclamar contra as diferenças salariais entre homens e mulheres. O apoio de Meryl Streep e Jennifer Lopez foi imediato e entusiasta. 

Laura Poitras (2015)

Laura Poitras, vencedora de um prémio Pulitzer, subiu ao palco para receber o Óscar de Melhor Documentário com Citizenfour, sobre Edward Snowden e todo o processo que levou à denúncia das práticas de vigilância e espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana. Não é por isso de estranhar que no seu discurso de agradecimento, Poitras tenha apontado o dedo às autoridades denunciadas: “Não só expõem uma ameaça à nossa privacidade mas à nossa própria democracia". “Obrigada Edward Snowden pela coragem.”

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Leonardo DiCaprio (2016)

É preciso esperar uns minutos, que Leonardo DiCaprio é pessoa cordata, capaz de evitar piadas sobre ganhar o Óscar depois de anos de nomeações e com necessidade de fazer alguns agradecimentos. Mas o final do seu discurso, depois de receber o Óscar de Melhor Actor pela sua interpretação em The Revenant: O Renascido, de Alejandro G. Iñárritu, não é de meias palavras. Diz ele: “As mudanças climáticas são reais. Estão a acontecer, agora. (…) E é necessário apoiar os líderes que por todo o mundo não falam em nome dos grandes poluidores ou das grandes empresas, mas sim em nome da humanidade.” 

Asghar Farhadi (2017)

Na verdade, foi Anousheh Ansari, astronauta iraniano-americana, quem leu o discurso de Asghar Farhadi, uma vez que o realizador fez questão de faltar à cerimónia em protesto contra a proibição de entrada nos Estados Unidos decretada então por Donald Trump – o Irão era um dos países visados. O realizador venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro com O Vendedor e no discurso de agradecimento lembrou a falta de "respeito ao povo" do seu país e de outros países visados pela "lei desumana que bane a sua entrada nos Estados Unidos”.

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Will Smith (2022)

Richard Williams era um destemido defensor da sua família. Assim arrancou o discurso de agradecimento de Will Smith ao Óscar de Melhor Actor que venceu na 94ª cerimónia de entrega de prémios da Academia, pela interpretação do pai das manas Serena e Venus Williams. Referia-se não só à personagem que encarnou em King Richard: Para Além do Jogo, mas também ao episódio que marcou a noite minutos antes: o momento em que o actor agrediu o apresentador Chris Rock em directo, depois de uma piada sobre Jada Smith, a sua mulher. Durante o discurso de mais de cinco minutos, e quase sempre em lágrimas, o actor pediu desculpas à Academia e aos outros nomeados (mas não ao apresentador...) e insistiu que está a ser chamado para amar e proteger os seus. Rematou com espero que a Academia me volte a convidar.

Filmes para ver

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Essa ideia de o cinema português ser uma seca… Enfim, só em parte é verdade. Aliás, existindo desde 1896, com milhares de realizações, alguém se havia de safar. E safou-se. Nas várias fases do cinema português, há filmes e realizadores de se lhes tirar o chapéu, incluindo alguns, até mais do que uma vez, reconhecidos internacionalmente. É natural por isso que, quando se fala nos filmes portugueses obrigatórios, haja nomes de realizadores que se repetem. Porque, como em tudo o resto na vida, alguns cineastas são pura e simplesmente melhores do que outros.

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Devido à pandemia e ao confinamento, e tal como havia sucedido no ano passado, 2021 foi um ano atípico para o cinema, com as salas encerradas durante vários meses. Mas os cinemas estão de novo abertos e as estreias sucedem-se em grande número, como que para compensar a ausência de filmes durante tanto tempo. Eis a nossa selecção dos melhores títulos estreados em mais um ano truncado, destacando-se vários documentários, como Be Natural – A História Nunca Contada de Alice Guy Blaché, de Pamela B. Green, ou Funeral de Estado, de Sergei Loznitsa.

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Rodados em Hollywood ou em vários países europeus, na China do pós-guerra ou em Hong Kong, estes 50 filmes têm em comum o facto de estarem subordinados ao tema do amor e pouco mais. A acção decorre em diferentes épocas e momentos, há histórias dramáticas, cómicas, trágicas e muitas que não são bem uma coisa nem outra. O amor nem sempre triunfa. Ainda assim, estes são alguns dos melhores românticos de sempre, desde O Atalante, realizado em 1930 por Jean Vigo, até ao mais recente Amor de Improviso, de Michael Showalter.

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A Netflix não pára de crescer. Depois de mudar a forma como vemos séries de televisão – em streaming, tudo de uma vez –, este colosso do audiovisual está também a mudar a toda-poderosa indústria do cinema. Ano após ano, vai conquistando terreno às grandes produtoras norte-americanas, seduzindo realizadores, argumentistas e intérpretes de topo para os seus projectos. São os casos de Martin Scorsese, Alfonso Cuarón, Aaron Sorkin, Noah Baumbach, Robert Redford, Anthony Hopkins, Meryl Streep, Robert De Niro, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Viola Davis, Angelina Jolie, Jennifer Lawrence, etc., etc. Agora, os filmes que se estreiam na sala (nas nossas salas de estar) dão tanto que falar como as estreias em sala. Estes filmes originais Netflix são disso prova.

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