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Serralves em Festa — O "show de variedades" de Miguel Pereira

Miguel Pereira, coreógrafo e bailarino
© Laís Pereira Miguel Pereira, coreógrafo e bailarino

O coreógrafo e bailarino Miguel Pereira esteve no primeiro Serralves em Festa, em 2004. Regressa agora para apresentar The Big Show SEF (“vou ser o João Baião da coisa”, diz), um espectáculo-festa que celebra o evento e os 30 anos da Fundação. Mas sem deixar a ironia e a crítica de lado.

Este espectáculo é uma estreia absoluta. Tudo isto partiu de um desafio da Cristina Grande [programadora do Serviço de Artes Performativas de Serralves]?

Sim. Ela propôs-me pensar em qualquer coisa que trabalhasse as memórias do Serralves em Festa (SEF) dentro do contexto das comemorações dos 30 anos do museu. O foco poderia ser trabalhar a ideia das memórias do público na experiência SEF. Eu estou a colaborar com a Luísa Veloso, uma amiga socióloga que está muito próxima do meu trabalho e que já trabalhou com a Fundação [de Serralves]. Também me interessava este ponto de vista da sociologia na recolha da informação para poder construir qualquer coisa. Achámos que deveríamos lançar uma espécie de open-call às pessoas que já tivessem estado no SEF e que nos transmitissem alguma memória de momentos que tenham vivido, mas acentuando o lado mais insólito ou da estranheza. Quando começámos a receber as propostas tivemos a ideia de fazer um casting para as pessoas contarem as suas memórias, participando no próprio espectáculo. E daí nasceu este formato que estou a tentar desenhar: um espectáculo com a participação de 16 pessoas – porque esta é a 16.ª edição do Serralves em Festa – que vão criar, cada uma, um pequeno número.

Quais são as idades dos participantes?

É o mais abrangente possível. Temos uma miúda de oito anos, por exemplo, e pessoas até aos 50 e tal. Nós vamos ter também alguns convidados que fazem parte da Fundação, como a professora Elvira Leite, uma senhora maravilhosa de 82 anos que esteve ligada ao serviço educativo da Fundação e que tem uma série de memórias absolutamente divertidas e muito curiosas sobre todos estes eventos a que foi assistindo ao longo dos anos. Também há um segurança, o senhor Penteado, que está lá há muitos anos e que é parecido com o Obama. Basicamente, o espectáculo vai trabalhar muito a ideia do excesso. Acho que é uma coisa que está muito presente hoje em dia...

Serralves em Festa e a palavra “excesso” casam na perfeição.

Exacto. A minha ideia é criar um espectáculo que traga essa ideia de excesso, de muita informação, daí também a brincadeira do título, The Big Show SEF, como referência ao programa televisivo de entretenimento [o título alude ao Big Show Sic]. É uma espécie de reflexão crítica mas, ao mesmo tempo, queremos usar esse mecanismo do excesso para produzir uma overdose no público que está a ver coisas. Nós aceleramos isso ainda mais. Eu vou colocar-me como se fosse uma espécie de anfitrião, que leva as pessoas a falarem sobre aquela experiência. Vou ser um bocadinho o João Baião da coisa. Há ainda um elemento muito importante: vamos colaborar com uma dupla de música e performance, o DJ Urânio e a MC Sissi. Queria ter assim uma coisa um bocado fora, criar um ambiente exuberante. É o chamado show de variedades, um conceito do qual gosto muito. E a ideia é também envolver muito o público, criar uma coisa interactiva para os desestabilizar. Pô-los no meio do espectáculo, tornar aquilo numa espécie de festa.

Há alguma memória ou temática que seja transversal aos participantes?

Frisaram a ideia de muita gente.

Sim, o Serralves em Festa acaba por ser, a certa altura, bastante assoberbante. Demasiada coisa a acontecer, demasiada gente?

Exactamente. E, curiosamente, para muitas pessoas os espectáculos tornavam-se até secundários.

Isso pode ter toda uma camada crítica subjacente: o consumo voraz e descartável de espectáculos, como os festivais, dominam as programações culturais durante o ano...

Exactamente. A ideia de que o que interessa é estar lá, “viver a experiência”, como se costuma dizer. Também é um bocado isso aqui: o espectáculo não é assim tão importante; o importante mesmo é as pessoas estarem ali. O que vamos tentar é desestabilizar o público.

Portanto, apesar de isto ser um espectáculo de celebração do Serralves em Festa, não será algo acrítico ou bajulatório.

Não, não será. Essa crítica estará lá, sempre implícita, até porque eu sou logo à partida crítico dessa ideia do excesso. Mas vamos olhar para isso com diversão e ironia, claro, porque eu gosto de usá-las.

Clareira das Bétulas, 1 de Junho. Entrada livre.

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