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Metro de Lisboa inaugurou elevadores nas estações do Martim Moniz e Intendente. Estrutura construída à volta de um deles gerou perplexidade, mas empresa tem explicação.

Nas redes sociais, chamam-lhe "o mono do ano", "mamarracho" ou, de forma mais genérica, "uma vergonha". Já nas imediações do recém-inaugurado elevador da estação de metro do Martim Moniz, na Rua da Palma, os comentários vão desde "o jeito" que a estrutura dá "para encostar" e o facto de ter criado "um bom cantinho para assaltar alguém". O tom, por sua vez, não se altera significativamente, sendo quase sempre jocoso quando o objecto de discussão é o novo "castelinho" encomendado pela empresa Metropolitano de Lisboa (ML).
"O Metro de Lisboa colocou em funcionamento, hoje, dia 27 de Julho, os novos elevadores das estações Martim Moniz e Intendente, reforçando as condições de acessibilidade da rede e proporcionando maior mobilidade, conforto e autonomia a todos os seus clientes", comunicou a empresa de transportes, destacando o facto de 47 das 56 estações (84%) da rede terem agora "acessibilidade plena". "Na estação Martim Moniz entram em funcionamento dois novos elevadores de acesso directo exterior/cais/exterior, enquanto a estação Intendente passa a dispor de três novos equipamentos.
As intervenções asseguram percursos integralmente acessíveis entre a superfície, os átrios e os cais de embarque, beneficiando, em particular, pessoas com mobilidade condicionada, utilizadores de cadeira de rodas, pessoas idosas, famílias com carrinhos de bebé e clientes com bagagem", detalha a organização. Também a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior sublinhou, nas redes sociais, o facto de a estação de metro do Martim Moniz estar agora "mais acessível e inclusiva". Quem hoje utiliza as saídas Norte desta estação de metro tem acesso exclusivo à rua através do elevador (não existem escadas nos dois acessos da Rua da Palma). Mas é a estética que perturba os transeuntes.
Enquanto o acesso é igual dos dois lados da rua, o impacto visual é diferente. Na vertente par (lado direito de quem sobe a rua) o novo elevador está envolvido por uma estrutura transparente, à superfície, enquanto, do outro lado da rua, foi construída uma estrutura opaca, de grande dimensão, que chega, em altura, à janela do primeiro andar do prédio número 177.
À Time Out, a ML explica que a ideia foi "transformar os novos espaços dos elevadores numa interpretação contemporânea de duas torres de vigia", integrando a intervenção "na linguagem artística já existente na estação, desenvolvida por José João Brito, cujo tema aborda a conquista de Lisboa e o episódio de Martim Moniz, reproduzindo diversos momentos e personagens associados a esta narrativa". Procurou-se, assim, "assegurar uma transição natural entre o exterior e o interior da estação, prolongando a narrativa existente através de um percurso arquitectónico coerente, no qual o utilizador é conduzido da cidade para o interior da estação, estabelecendo uma ligação simbólica entre o passado e o presente", desenvolve a empresa, numa resposta enviada por escrito, dando conta de que a autoria da obra é do arquitecto Jorge Louro, com projecto da COBA – Consultores de Engenharia e Ambiente, SA.
Há, ainda, que ter em conta que "a estação de Martim Moniz constituiu uma das intervenções mais complexas em termos de criação de acessibilidades, atendendo às especificidades e condicionalismos" do local, segundo a ML. Em parte, esses condicionalismos explicam a diferença estética entre os dois novos elevadores da Rua da Palma. "A opção por colocar uma parede e não um envidraçado surgiu por uma questão de segurança rodoviária (tendo em fase de projecto sido discutida com a Câmara Municipal de Lisboa), uma vez que a aproximação do eléctrico ao elevador é diminuta. No caso do elevador do lado oposto da Rua da Palma, não havendo estes constrangimentos, e com um maior afastamento à via pública, optou-se por uma estrutura totalmente envidraçada", esclarece a entidade.
Para quem não se lembra do episódio de Martim Moniz, lenda que ficou para sempre associada à história de Lisboa, aqui vai ele: o relato centra-se na coragem de um forte cavaleiro, Martim Moniz, que sacrificou a vida ao entalar o corpo entre as portas da cidade para permitir a passagem dos homens de Afonso Henriques na batalha (e vitória) contra os mouros, em 1147. Se a história é verdadeira? Nos documentos históricos disponíveis, "não existe qualquer referência a este personagem nem ao episódio que ele supostamente terá protagonizado", contou o historiador Ricardo Raimundo à Time Out. Será, então, mentira? Também não podemos afirmá-lo.
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