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À noite no MACAM. Agora, o museu também já é hotel

Depois do museu, da sala de concertos e do restaurante, o MACAM entra em pleno funcionamento também como hotel. É composto por 64 quartos e a arte espreita em cada canto.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
MACAM Hotel
Fernando Guerra
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É como entrar numa pequena cidade, ali a meio caminho entre Alcântara e Belém. Em Março, o MACAM abriu portas como museu – o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins –, com mais de 200 obras de arte em exposição. Desde então, o antigo Palácio dos Condes da Ribeira Grande ainda não parou de crescer. Na antiga capela, agora dessacralizada, abriu um bar e sala de concertos, o àCapela, que desde então tem tido programação recorrente. Com vista para o jardim interior, também ele repleto de arte, o restaurante Contemporâneo coloca o foco nos produtos da época. Servem-se almoços, jantares e petiscos de fim de tarde. A garrafeira é generosa e a carta de cocktails compreende clássicos e receitas de assinatura. 

MACAM Hotel
Fernando Guerra

Só faltava mesmo o hotel. Os primeiros quartos a ficarem prontos começaram a receber hóspedes ainda em Maio. Agora inaugurado na totalidade, o MACAM tem em pleno funcionamento 64 quartos de oito tipologias diferentes. Um feito que não é pequeno. Afinal, é o primeiro museu de arte contemporânea da Europa com um hotel de cinco estrelas lá dentro.

E o que é que une os dois espaços? A arte, pois claro. A ostentação começa logo nos corredores e áreas comuns do hotel, onde obras de diferentes gerações de artistas se sucedem nas paredes. No primeiro andar, fica a Biblioteca D. João da Câmara, salão oval e zona de estar, onde brilham duas obras-chave do coleccionador – Meninas a ler, de José de Almada Negreiros, e Ephemera, de Horácio Frutuoso. Percorrer o espaço é também viajar no fio do tempo e descobrir novos artistas e linguagens. À medida que deixamos o edifício setecentista e entramos na ala recém-edificada, também a arte se aproxima do presente. 

MACAM Hotel
Fernando GuerraA biblioteca

Dentro dos quartos, a visão repete-se. Com interiores assinados pela dupla portuguesa Andrez Andrez e projecto de iluminação da Lightware, cada uma das acomodações conta com obras de arte. Uma tarefa exigente. Além de seguros, muitas estão devidamente protegidas por acrílicos para evitar furtos e incidentes. A beleza, essa, permanece intacta.

Também aqui, a distribuição das obras obedeceu a uma curadoria. No primeiro piso e nos quartos de tipologia Studio, encontram-se obras de artistas portugueses, enquanto os quartos do segundo piso exibem criações de artistas internacionais. Alguns dos nomes fazem também parte do circuito expositivo do museu. Para os quartos da nova ala, foram escolhidas obras da geração pós-25 de Abril. 

MACAM Hotel
Fernando Guerra

Nos quartos Palace, com acesso directo aos terraços onde estão duas das obras site-specific que ocupam o edifício, da autoria de José Pedro Croft e de Angela Bullock, ou nos quartos Artists, onde os terraços são privados e têm vista para a Ponte 25 de Abril. Mas há outros. Os Authentic partilham a traça antiga, como o elevado pé-direito. Os Panoramic ficam na torre do palácio e, por isso, têm uma vista de 360 graus, que alcança Alcântara e o Tejo. Existem seis Studios, mais espaçosos, com entrada privativa e equipados com kitchenettes. Na nova ala do edifício, ficam os quartos Contemporary, com vista para o jardim do MACAM e uma estética mais minimalista.

As surpresas reservadas aos hóspedes não ficam por aqui. No topo do novo edifício, há uma piscina de acesso exclusivo e um bar de apoio com vista para um jardim, de um lado, e para a ponte, do outro. O hotel também está equipado com ginásio, além de uma sala de estar no último andar do palácio, que funciona como honesty bar (sem controlo, os hóspedes registam o próprio consumo).

MACAM Hotel
Fernando Guerra

Uma pequena cidade, como dissemos, onde é possível dormir, beber um copo, comer e assistir a espectáculos, sempre na companhia da arte. Aberto desde Setembro, o restaurante Contemporâneo nasceu também desta relação entre o coleccionador e as suas obras. Na carta, encontram-se referências do Norte ao Sul do país, bem como a predilecção por produtos sazonais e locais, alguns deles provenientes da horta do próprio restaurante. Ao leme da cozinha estão o chef Tiago Valente e Lara Figueiredo, uma promissora chef de pastelaria que já passou pelo Eneko Lisboa e pelo Midori.

De volta ao campo da arte (se é que alguma vez o deixámos), o MACAM prepara-se para inaugurar duas novas exposições temporárias, que abrem ao público no dia 22 de Novembro. Uma delas – "O eu como múltiplo" – volta a apresentar obras da colecção do MACAM. A outra – "Entre a Palavra e o Silêncio" – será a primeira a trazer obras de outro coleccionador para dentro do museu. Neste caso, da Colecção José Carlos Santana Pinto.

Rua da Junqueira, 66 (Alcântara)

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