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A apresentação das Edições Access Lab está marcada para 7 de Junho, na Feira do Livro de Lisboa. Falámos com os fundadores, Jwana Godinho e Tiago Fortuna.

A Access Lab tem vindo a revolucionar a acessibilidade em Portugal ao eliminar as barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais que afastam pessoas com deficiência, surdas e neurodivergentes da cultura, do desporto, do turismo e das empresas. Agora, dá o salto para as bancas com as Edições Access Lab. A ideia é publicar histórias inclusivas e transformadoras, de ficção e não-ficção, dos mais variados géneros, que cruzem experiência pessoal com reflexão social.
“O Tiago é uma pessoa com deficiência, eu sou uma pessoa sem. Um dia cruzámo-nos, ainda sem nos conhecermos, no ambiente da cultura e dos festivais de música. Fomos fazendo um percurso paralelo até que, há cerca de quatro anos, nos juntámos para pensar como é que incluíamos pessoas com deficiência nesses espaços. Desde então que a partilha de experiências e ideias tem sido uma grande constante. Pelo meio, estão sempre os livros. Somos os dois apaixonados e acreditamos na importância e na força dos livros”, revela-nos Jwana Godinho, fundadora da Access Lab.
A ambição é “mostrar a multiplicidade do que é ser humano”. Quem o diz é Tiago, que destaca um dos primeiros livros a serem publicados pela Access Lab, o Lutar Pelo Sim!, de Maryann Cocca-Leffler e Vivien Mildenberger, que nos conta a história de Judith Heumann, uma menina que usou cadeira de rodas a maior parte da sua vida e que se veio a tornar activista pelos direitos das pessoas com deficiência. “Tornou-se uma figura política, consultora de presidentes democratas, e tem uma carreira marcada por grandes avanços nos direitos das pessoas com deficiência”, reforça. “Por outro lado, estamos a falar de uma história [escrita e ilustrada] para crianças, que nos leva a questões como a acessibilidade em espaços públicos, bem como o direito à educação e à assistência pessoal.”
Para Jwana, o objectivo é, por um lado, contribuir para a representatividade – para que pessoas com deficiência se vejam cada vez mais representadas, incluindo nos livros. E, por outro, chegar a quem nunca teve contacto com estas experiências. “É um desafio, porque muitas vezes há histórias que servem uma comunidade e não servem outra, mas as comunidades também não são um monólito. As pessoas não têm todas a mesma experiência, mesmo que tenham a mesma deficiência”, relembra.
Antes, está previsto o lançamento de Terra de Cegos, de Andrew Leland, finalista do prémio Pulitzer em 2024, que nos convida a reflectir sobre a experiência das pessoas cegas ou com baixa visão. E que é, precisamente, a sua experiência, uma vez que a sua visão começou a degradar-se ainda era adolescente, e é provável que em breve – embora não saiba exactamente quando – fique completamente cego. A apresentação está marcada para 7 de Junho, às 18.00, no Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa, e o autor estará presente, vindo directamente dos EUA, para partilhar como tem gerido as mudanças nas relações com a sua mulher e o seu filho, mas também com o seu próprio sentido de identidade, à medida que transita de uma vida dita comum para uma vida com deficiência.
“Quando me cruzei pela primeira vez com a Terra de Cegos, não fazia ideia que abordava a deficiência. Já tinha ouvido falar muito bem, lido imensas críticas positivas, mas só depois é que entendi que, de facto, aborda a deficiência de uma maneira que não é costume ver. Não são histórias sobre uma pessoa que está a ficar cega – também são –, mas sobre a vida do Andrew Leland, que é uma vida super completa, apesar de estar a perder a visão. E é isso que queremos fazer: despertar consciências através da representatividade, e que este tema deixe de ser o tabu que, muitas vezes, ainda é”, remata Jwana, que prevê muitos “momentos de conversa” no futuro.
Promover o diálogo é, essencialmente, o principal objectivo da nova Edições Access Lab, que irá publicar os livros também em formato digital e áudio. “É preciso que os ficheiros estejam formatados de uma determinada forma para que sejam bons audiolivros e e-books. As ilustrações e os índices, por exemplo, têm de estar programados de acordo”, avisa Tiago. “Queremos que a leitura seja prazerosa e garantir que não vai ter obstáculos.” Jwana acrescenta: “Desde o início da Access Lab que estamos próximos das comunidades e, portanto, quando começámos a pensar nisto, foi também o que fizemos, e tentámos ser humildes em relação ao que não conhecemos.”
Terra de Cegos, de Andrew Leland. Edições Access Lab, 320 pp, 24,90€ | Lutar Pelo Sim!, de Maryann Cocca-Leffler e Vivien Mildenberger. Edições Access Lab, 46 pp, 15,90€
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