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Afinal, o Festival Política vai acontecer, mas muda-se para São Vicente

A edição deste ano acontece com o apoio da Junta de São Vicente, onde o festival passará a decorrer, numa dezena de espaços distintos da freguesia.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Festival Política troca Avenida por São Vicente
DR | Festival Política troca Avenida por São Vicente
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O Festival Política, que estava originalmente programado para acontecer no último mês de Abril, vai realizar-se entre Setembro e Novembro, com edições em Lisboa, Coimbra, Loulé e Torres Vedras. Na capital, decorre na rentrée, nos dias 24 e 26, com o apoio da Junta de São Vicente. Após nove edições no Cinema São Jorge, passará a decorrer numa dezena de espaços distintos desta freguesia. A programação – que inclui espectáculos, filmes, exposições, oficinas e visitas guiadas – será dedicada à Constituição da República Portuguesa.

Estávamos em Abril quando a EGEAC anunciou que o Festival Política não iria integrar o programa das Festas de Abril. Na altura, Bárbara Rosa, co-fundadora do Festival Política, explicou que, não tendo sido comunicada atempadamente, a decisão impossibilitou a organização de “tentar arranjar outras parcerias para não sair da cidade de Lisboa”. Mas, descartado pela gestão cultural da cidade, afinal o projecto encontrou apoio da Junta de Freguesia de São Vicente, que fez o contacto. A ideia é, aproveitando uma freguesia com muitas colectividades, com um grande envolvimento da sociedade civil, promover uma edição multipolar.

O tema é o que estava planeado: a Constituição da República Portuguesa. “O propósito é convocar artistas, criadores, realizadores, activistas, jovens e sociedade civil a reflectir e discutir os princípios da actual Constituição”, lê-se em comunicado da organização, que cita também o co-director artístico do festival, Rui Oliveira Marques: “Em 2026, a Constituição é mais do que um tema. É um convite ao pensamento e à acção. Cinquenta anos depois da primeira Constituição da Democracia, o Festival Política quer levar a cidadãos, artistas e comunidades a uma pergunta essencial: os direitos que estão escritos são, de facto, vividos por todos?”

A programação completa ainda não foi anunciada, mas já foram atríbuidas as bolsas de apoio à criação. Em Lisboa, a vencedora é Nayr Faquirá – cantora, compositora e produtora luso-moçambicana –, que apresenta em estreia exclusiva, a 26 de Setembro, Artigo 13.º, uma performance musical inspirada no princípio da igualdade consagrado na Constituição. A psicóloga e activista Inês Simões – que vai conduzir uma oficina sobre as barreiras que impedem pessoas com deficiência de usufruir plenamente de direitos constitucionais – e a artista Mariana Martins – que trabalha na intersecção entre escrita experimental, colagem e movimento, e está a preparar uma releitura da Constituição – são as vencedoras em Coimbra e Loulé, respectivamente.

Depois da edição em Lisboa, seguem-se edições em Loulé (22-24 Out), em Coimbra (12-14 Nov) e em Torres Vedras (28-29 Nov) – em Torres Vedras ainda estão a decorrer, até 30 de Agosto, as candidaturas a uma bolsa para jovens até aos 30 anos, nas áreas da literatura, música, artes performativas, artes plásticas, vídeo ou formação, com projectos sobre direitos humanos, participação cívica e política ou a Constituição. A proposta vencedora integrará a programação do festival na cidade. O regulamento completo está disponível no site do Festival Política, onde também poderá acompanhar a agenda completa, a ser divulgada em breve. Todas as actividades são de entrada gratuita.

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