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Contrato havia terminado em Dezembro de 2024, por oposição da actual senhoria, que diz querer o espaço da Rua de Moçambique para si. Associação tem 15 dias para retirar os bens e sair.

"Hoje chegámos à vossa Zona Franca e a senhoria, acompanhada de agente de execução, mudou a fechadura do espaço. Temos 15 dias para tirar tudo de lá de dentro." A mensagem foi divulgada esta terça-feira, nas redes sociais da associação, fazendo antever tempos conturbados para a continuidade da sua acção comunitária. "Quando apenas estava uma pessoa nas instalações da Zona Franca dos Anjos, a tratar da preparação do habitual almoço da cantina social de terça-feira, bateu à porta a senhoria", relatou o jornal Público.
Exactamente há um ano, a 7 de Outubro, a associação comunicava nas redes sociais que o seu contrato de arrendamento chegava ao fim, mas que faria todos os esforços para continuar com o projecto. "Precisamos de todas e todos para pensar soluções, alternativas e lutar pelo que construímos ao longo de todos estes anos. É fundamental garantir que este projecto de solidariedade e cultura pode continuar", escreveram. De acordo com a agência Lusa, o colectivo tentou negociar o contrato, estando disposto a pagar uma renda de mil euros (o valor actual é de 763 euros) e fazer obras de melhoria no espaço, que está "bastante degradado", nas palavras da presidente da associação, Patrícia Azevedo. Mas a senhoria (filha da anterior) "não se mostrou interessada", avançou a mesma responsável.
Ao Público, a senhoria garante ter informado com quase um ano de antecedência os inquilinos sobre a decisão de não renovação do contrato. “Comuniquei a uma das pessoas da associação, logo em Janeiro desse ano, que não estaria interessada no prolongamento da relação contratual. Isso foi-lhes dito com toda a antecedência. Em Janeiro próximo, faz dois anos que foram avisados”, explicou a proprietária, que preferiu manter o anonimato. "Quero mesmo o espaço para mim", sublinhou. Ao mesmo jornal, Isabella Permanschlager, uma das voluntárias da associação, que se encontrava no local esta terça-feira, referiu que "isto encaixa perfeitamente neste rumo negativo que a cidade está a ter, nos últimos anos, com a marginalização crescente das pessoas que vivem e trabalham na cidade". Nas redes, o colectivo pede apoio: "Acabou a Zona Franca nos Anjos? Precisamos da vossa ajuda, de ajuda legal, moral!"
A Zona Franca foi, até 7 de Outubro de 2025, um espaço comunitário, com cantina social e uma programação cultural regular. Assumiu-se, também, como um ponto de encontro, informação sobre questões de habitação e luta contra a gentrificação e as dinâmicas promovidas pelo sector imobiliário.
Sempre que a Time Out entrou em contacto com a associação, com o fim de abordar a situação instável da colectividade, não obteve resposta.
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