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Até 2029 empreendimentos turísticos em Lisboa vão ocupar o dobro da área da habitação, diz estudo

Empresa de alojamento local Airbnb encomendou estudo a consultora Neoturis e pede "regras mais justas" e menos "favoritismo a hotéis" em Lisboa.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Mythic SANA Downtown Suites vai abrir até final de 2025 na Baixa
DR | Mythic SANA Downtown Suites vai abrir até final de 2025 na Baixa
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"Lisboa vai contar com quase mais 500.000 m² de projectos hoteleiros de grande escala – incluindo hotéis, apart-hóteis e apartamentos turísticos – em comparação com apenas 200.000 m² de nova habitação residencial", comunicou a empresa de alojamento local Airbnb a 15 de Outubro, baseando-se nos resultados de um estudo encomendado à consultora Neoturis. "Até 2029, hotéis e outros tipos de empreendimentos turísticos ocuparão o dobro da área de construção em comparação com habitações residenciais" na cidade, precisa a organização.

Nos últimos anos, a crítica foi várias vezes dirigida à Câmara Municipal de Lisboa: sim, houve um travão ao alojamento local (AL), mas não pararam de ser emitidas licenças para a construção ou transformação de edifícios da cidade em hotéis. Agora, a própria Airbnb manifesta-se sobre o assunto, apelando "às autoridades locais de Lisboa que adoptem regras justas, proporcionais e não discriminatórias". O relatório, consideram, revela "como as políticas actuais estão a priorizar injustamente os operadores turísticos tradicionais, como os hotéis, em vez de abordar as verdadeiras causas da crise habitacional".

"Enquanto os hotéis continuam a expandir sem restrições, competindo pelo mesmo espaço que poderia ser usado para habitação e contribuindo para o excesso de turismo nos centros urbanos, muitas famílias que partilham as suas casas e dependem do rendimento extra do AL enfrentam obstáculos significativos. Os autarcas devem questionar-se sobre as razões pelas quais os projectos hoteleiros se multiplicam, enquanto os anfitriões locais têm dificuldade em competir – e devem adoptar regras justas, proporcionais e consistentes para todos os tipos de alojamento", reivindica Jaime Rodríguez de Santiago, director-geral da Airbnb Marketing Services, na página da empresa. A Airbnb destaca ainda que "em alguns bairros da União Europeia – como Praha 1, em Praga, e Santo António, em Lisboa – existem actualmente cerca de três quartos de hotel por cada cinco residentes locais"

De acordo com a empresa, entre 2015 e 2023, o mercado imobiliário lisboeta ganhou 2352 novas habitações – "oito vezes menos do que na década de 1995 a 2004" – e "quase 50.000 casas permanecem vazias, seis vezes mais do que as licenças de AL activas". Ao mesmo tempo, "após as restrições ao AL em Lisboa em 2019, os preços das casas continuaram a subir mais de 5% ao ano em toda a área metropolitana". 

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