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Chiado vai perder estacionamento e ganhar espaço pedonal

Áreas para peões serão alargadas a partir de Agosto em várias ruas, como a Garrett, Serpa Pinto e Nova do Almada. Câmara começa por desenhar a branco os novos "passeios".

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Projecção da Rua Garrett depois da intervenção Viva a Rua
DR via CML | Projecção da Rua Garrett depois da intervenção Viva a Rua
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Os lugares de estacionamento na Rua Garrett (situados do lado direito de quem a sobe) vão desaparecer. O mesmo acontecerá na Rua Serpa Pinto, Anchieta (por onde deixarão de passar automóveis) e Rua Nova do Almada. Já na Rua Ivens e na Calçada do Sacramento, os lugares de estacionamento serão reorganizados de forma a criar mais espaço pedonal. A transformação vai começar na segunda quinzena de Agosto, através de pinturas que indicarão as novas áreas exclusivas para peões. O prazo estimado da intervenção é de 45 dias.

A medida, integrada no programa da Câmara Municipal de Lisboa (CML) Viva a Rua, é "o início de uma estratégia que será alargada a outras zonas da cidade, para promover uma melhor convivência entre peões e veículos e reforçar a qualidade do espaço urbano", informa a Câmara de Lisboa, através das redes sociais. Depois do Chiado, o programa público vai alargar-se às ruas da Escola Politécnica e de Belém.

No Chiado, será retirado um total de 46 lugares de estacionamento "e os que restam serão na sua maioria para residentes e cargas e descargas", pode ler-se no jornal A Mensagem de Lisboa. A mudança implica, ainda, a instalação de novo mobiliário urbano, como floreiras e bancos, ajudando a delimitar os espaços para os peões e para o automóvel. Depois da fase de teste, com a pintura das faixas pedonais, a autarquia vai avançar com a obra de prolongamento dos passeios, garantiu ao mesmo órgão.

Projecção da Rua Ivens depois da intervenção Viva a Rua
DR via CMLProjecção da Rua Ivens depois da intervenção Viva a Rua

“Digamos que o uso [actual] está completamente em desequilíbrio com a infra-estrutura”, explicou Gonçalo Reis, vice-presidente da CML. “Quando os hábitos das pessoas evoluem, temos o dever de ajustar as infra-estruturas e adaptá-las. É esse o lema deste programa: há que ajustar e fazer evoluir os bairros e as ruas às formas como as pessoas vivem a cidade”, disse.

Pedonal ma non troppo

A decisão surge na sequência da encomenda de três estudos a empresas na área da mobilidade, a partir dos quais a Câmara percebeu que na Rua Garrett, o caso mais flagrante, passam 20 mil pessoas a pé por dia, contra 4000 carros. Ao mesmo tempo, a zona é dotada de uma grande oferta de parques de estacionamento subterrâneos e de uma boa rede de transportes públicos. A par dos estudos, a autarquia auscultou comerciantes e instituições da zona, não tendo encontrado resistência à proposta de promover a mobilidade pedonal sem cortar o trânsito automóvel. "Acreditamos em modelos graduais e ponderados, não em soluções bruscas e impositivas”, declarou o também vereador com o pelouro da Mobilidade.

Rua Garrett em Junho de 2026
Paulo Ferrero via Fórum Cidadania LxRua Garrett em Junho de 2026

A maior mudança no Chiado vai sentir-se precisamente na Rua Garrett, que ganhará mais 40% de espaço pedonal. Ainda assim, há quem considere a transformação planeada tímida e insuficiente. Recorde-se que, há pouco mais de um mês, em Junho, foi lançada uma petição pela pedonalização integral da mesma rua, que conta com 1471 assinaturas. No documento, redigido pelo colectivo Lisboa Possível, a vincada rede de transportes públicos na zona e a elevada afluência pedonal na rua são argumentos de peso, a par da carga simbólica da artéria onde se situam clássicos como o café A Brasileira ou a pastelaria Bénard.

Recorde-se, ainda, que em 2020 a autarquia então liderada por Fernando Medina anunciou que a rua do Chiado iria tornar-se pedonal, no âmbito da implementação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), mas o plano não avançou. Já no final de 2024, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior apresentou uma proposta de mudança na mobilidade na Baixa, com a criação de zonas 30 e a pedonalização de algumas ruas.

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