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E se a Rua Garrett fosse mesmo pedonal? Petição suscita debate sobre artéria simbólica de Lisboa

Documento foi escrito pelo colectivo Lisboa Possível, sublinhando que pedonalização seria apoio ao comércio numa zona bem servida de transportes públicos.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Armazéns do Chiado
Manuel Manso | Armazéns do Chiado
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A "centralidade pedonal, cultural e comercial" da Rua Garrett estão no centro de uma petição lançada no sábado, 27 de Junho, pela sua pedonalização. Na visão do colectivo Lisboa Possível, autor do documento e com histórico de causas ligadas à mobilidade sustentável e ao direito à cidade, o tráfego automóvel também deveria ser retirado das "ruas adjacentes que tecnicamente se revelem necessárias para garantir a segurança, a continuidade e a coerência da zona pedonal".

Apesar de a vizinha Rua do Carmo (que cruza com a Garrett na entrada dos Armazéns do Chiado) ser dos peões há vários anos, a rua que alberga estabelecimentos históricos como A Brasileira, a Bénard ou a livraria Bertrand "continua a permitir circulação e estacionamento automóvel, o que, associado ao seu estatuto de ícone cultural e ponto de visita obrigatório, cria um conflito permanente entre peões e veículos". Trata-se de uma "rua estreita para a afluência, e com passeios manifestamente insuficientes para o volume de pessoas que a visita e utiliza diariamente", pode continuar a ler-se na petição.

Há muito tempo, aliás, que uma boa parte dos peões circula na parte reservada aos automóveis daquela rua, numa prática reiterada que se sobrepõe às regras de trânsito. A petição também elenca esse facto: "A Rua Garrett já é, na prática, uma rua das pessoas. Falta que o desenho urbano e a gestão do espaço público reconheçam essa realidade", rematam os autores.

Metro, autocarros e eléctrico nas imediações

Com a estação de metro Baixa-Chiado a uma curta distância (linhas Azul e Verde), autocarros e eléctrico nas imediações, na proposta defende-se que "a manutenção da Rua Garrett como via de circulação e estacionamento automóvel não é uma necessidade de acessibilidade geral à zona".

Avançando-se com a medida, a rua ficaria aberta a veículos de emergência, serviços públicos essenciais e situações justificadas de mobilidade condicionada. Os autores não falam, porém, em manobras de carga e descarga. A petição destaca, ainda, que a medida traria vantagens para pessoas com mobilidade reduzida, crianças e idosos, ao nível da saúde pública e do comércio de rua. "A experiência de outras zonas pedonais de Lisboa, como a Rua Augusta e a Rua do Carmo, demonstra que o comércio beneficia de ruas desenhadas prioritariamente para pessoas", afirmam.

Em 2020, a autarquia então liderada por Fernando Medina anunciou que a rua do Chiado iria tornar-se pedonal, no âmbito da implementação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), mas o plano não avançou. Já no final de 2024, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior apresentou uma proposta de mudança na mobilidade na Baixa, com a criação de zonas 30 e a pedonalização de algumas ruas.

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