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Projecto é apresentado pela última vez a 5 de Fevereiro e está em discussão pública até ao dia 23. "Vão tapar-nos a vista do Tejo com essas torres?"

Ainda em fase de unidade de execução, ou seja, com previsão de alterações, pormenores por afinar e desenhos por fazer (o estudo de impacto ambiental é a fase seguinte), a futura urbanização de Marvila-Beato entrou na segunda fase de discussão pública, até 23 de Fevereiro, por pressão da oposição a Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML).
Na primeira sessão pública de apresentação do projecto, a 29 de Janeiro, na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, residentes das duas freguesias expressaram preocupações e dúvidas, entre as quais o número de fogos e de andares de cada edifício; as mudanças realizadas desde a primeira fase de discussão pública, em 2024, até agora; se as vistas para o Tejo desde Marvila e o Beato estarão protegidas; como se conseguirá a coesão de todo o território; ou qual a integração possível da Rua de Marvila, uma artéria “esquecida”, na área do projecto. Também a crónica falta de transportes em Marvila, nomeadamente de comboios ao fim-de-semana, foi alvo de críticas, com o plano urbanístico a servir de motor a novas reivindicações sobre o tema.
“Estou preocupada com as quotas altas. Vão tapar-nos a vista do Tejo com essas torres?”, questionou Cristina (não referiu o apelido), moradora do Bairro dos Alfinetes e membro do grupo comunitário 4 Crescente. A munícipe frisou ainda que a zona Norte de Marvila está desprovida de ciclovias e que o apeadeiro gerido pela Infraestruturas de Portugal (IP) continua a não ver parar comboios ao fim-de-semana. Já Henrique Chaves, do mesmo colectivo, quis saber se há uma promessa consistente ao nível da coesão do território por parte da IP, entidade com a qual os serviços da CML dizem estar a trabalhar em estreita colaboração neste projecto, até porque a zona contempla, entre várias barreiras arquitectónicas, as linhas ferroviárias do Norte e da Azambuja.
Outra preocupação relaciona-se com a garantia de que a habitação ali construída seja efectivamente para arrendamento acessível, questão que também tem sido levantada durante a discussão pública da mega-urbanização do Vale de Santo António. Sem avançar com garantias, o director municipal de Urbanismo da CML, Paulo Diogo, afirmou que “há uma previsão forte de renda acessível” para o projecto. Já o arquitecto Guilherme Bívar, também da CML, frisou que “a ideia não é criar ali um grande bloco urbano” e que não estão em cima da mesa condomínios privados. “Os espaços verdes, apesar de privados, terão carácter público”, sublinhou também o responsável. A “possibilidade construtiva”, acrescentou o arquitecto Paulo Pardelha, director do Departamento de Planeamento Urbano da CML, durante a apresentação em Chelas, “é de 23 mil metros quadrados”. “Vamos fazer tudo para garantir a construção de habitação acessível pelo privado”, afirmou.
Antes da apresentação de 29 de Janeiro, o jornal Público noticiara alterações ao projecto desde a primeira fase de discussão, nomeadamente o aumento da área verde (de 119.437 metros quadrados para zonas verdes e equipamentos, passa-se para 138.746 apenas para “espaços verdes de utilização pública”) e a redução do número de apartamentos (de 1427 para 1360) e de estacionamento privado (de 2852 para 966).
Ao contrário do que acontece no Vale de Santo António, onde 99% dos terrenos destinados à construção e áreas verdes são públicos, no caso da unidade de execução Marvila-Beato, 70% dos terrenos são privados. O empreendimento é promovido pelo fundo de investimento de fundos holandeses Floris, dedicado ao desenvolvimento e promoção de projectos imobiliários.
Entre as mais-valias do projecto que, uma vez concretizado, será um marco na área desde a zona alta de Marvila (a Norte do Hub Criativo do Beato) até ao bairro da Madre de Deus, os técnicos da Câmara sublinham que “vai melhorar substancialmente aquilo que se passa hoje em termos de coesão territorial”, nas palavras do director de Urbanismo, Paulo Diogo, que mencionou alterações na rede viária e na mobilidade para que os diferentes pólos fiquem ligados de forma mais fluida do que actualmente. Composto por quatro núcleos, o projecto prevê a criação de várias praças (como a Praça da Árvore de Borracha, espécime de grande porte e longevidade que será preservado e constituirá um dos centros do território, ou a Praça Azul), uma interface de transportes junto ao actual apeadeiro de Marvila, a construção de serviços como uma creche e um centro de dia e a emergência de um novo campo desportivo que substituirá o actual campo do Clube Ferroviário (que será destruído, tal como a Escola Afonso Domingues, onde este ano se realizará o festival Iminente).
“Chelas e a Madre de Deus vão ficar ligadas pelo novo parque urbano”, resumiu Paulo Diogo, lembrando que o parque servirá também como terreno de chegada da futura Terceira Travessia do Tejo. Toda a zona de hortas informais e de vegetação espontânea que hoje existe naquele eixo desaparecerá também.
Como afirmou o então presidente da Junta de Freguesia de Marvila, José Videira (que entretanto suspendeu o mandato por questões de saúde), ao Público, “há muitas dúvidas das pessoas sobre esta intervenção que ainda precisam de ser esclarecidas”, da “volumetria dos novos prédios” à “redução do estacionamento frente às suas casas são duas delas”. A última sessão de apresentação do projecto acontece esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, novamente na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas. Os comentários à unidade de execução podem ser enviados por via digital. Todas as informações estão disponíveis nesta página da Câmara Municipal de Lisboa.
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