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A selecção de peças é um exercício de gosto e curadoria feito pelo irlandês Roger Kelly. Além de roupa e acessórios em segunda mão, a Moss Vintage quer criar laços com marcas portuguesas.

A montra, de dimensão generosa, enche o espaço de luz. Razão pela qual a Moss Vintage é tão povoada por plantas. O verde, na verdade, faz parte da identidade desta loja – nos níveis de clorofila que encontramos lá dentro, no próprio nome (moss é musgo em inglês) e na história de Roger Kelly, um dos proprietários, que deixou a verdejante Irlanda para se fixar em Lisboa.
"Este espaço surgiu no início de Verão e percebi logo que tinha de ser aqui. Tem imensa luz e eu sempre gostei de ter plantas. Quis incorporar isso no desenho da loja. E fica nesta zona da cidade, tudo está a acontecer aqui agora", começa por dizer Roger, a mente criativa por trás deste espaço. Depois de cerca de dez anos a trabalhar numa loja de segunda mão em Dublin, decidiu pôr em marcha o plano de ter um projecto próprio – um espaço que não é um depósito de modas, épocas e tendências, mas que segue uma linha curatorial e estilos próprios. Robert Carr, um amigo dos tempos de escola, também rumou a Lisboa e juntou-se a ele na abertura da Moss Vintage, sobretudo para tratar da parte da gestão.
"Sempre tive muito interesse pelo vestuário masculino ao estilo Americana, e nesse aspecto nunca vamos ser uma loja de sportswear. Especializámo-nos num tipo de moda, ali entre os anos 50 e os anos 80. Já a secção feminina assenta muito mais em tendências. Aí, fui à procura daquelas que são as minhas épocas favoritas, nomeadamente as silhuetas dos anos 2000", nota.
Numa ronda pela loja, encontramos estes dois mundos a conviver em harmonia. De um lado, uma investida cirúrgica no workwear americano, onde não faltam as gangas, as calças cargo ou as camisas de flanela. As jóias da coroa? Um lote de camisa de bowling americanas, datadas dos anos 50 do século passado. Chamar-lhes raras é pouco. Roger garante que são "obras de arte" e, como tal, exibe-as orgulhosamente numa das paredes.
Do lado feminino, o registo é outro – um virar de esquina dos anos 90 para a primeira década do milénio, com todas as peças saudosas com que essa era nos brindou. Cinturas descidas, cintos largos e uma selecção composta de blusões de pele curtos, capaz de reavivar memórias até aos millennials mais desatentos.
"Eu acho que há algumas lojas óptimas em Lisboa, mas não há assim tantas onde podemos encontrar uma curadoria. E depois há bons mercados também, que é algo que queremos começar a fazer também. Também acho que as pessoas foram tendo mais conhecimento sobre vintage. No início, preferiam ir à caça de peças, mas, à medida que se vão informando, percebem o que querem e começam a preferir uma loja que tem um determinado estilo. É o que tentamos fazer aqui", continua Roger.
O mesmo espaço, que tem um piso inferior onde os clientes podem ser igualmente felizes, ainda que com menos luz, tem sido palco de eventos pontuais. Roger quer fazê-los todos os meses, oportunidade para abrir as portas a pequenas marcas portuguesas na área da moda e de fazer parcerias com outros negócios locais, como já aconteceu com o Vezo Coffee, os vizinhos da Rua da Graça que se aprimoraram no café de especialidade. Aqui, por muito que a moda seja o forte, haverá sempre espaço para lhes juntar outros acessórios.
Rua Damasceno Monteiro, 109A (Anjos). Seg-Sáb 12.00-19.00
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