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Apaixonados por café de especialidade e comida simples, mas boa, Maria Clara Lima e Pedro Lima abriram o Vezo Coffee – que também é bar de vinhos naturais.

Maria Clara Lima e Pedro Lima são duas partes de um todo. São um casal, sim, mas não é apenas o afecto (e outras tantas características pessoais) que os une. Há uma outra coisa, palpável, conhecida pelo seu cheiro e sabor intensos, pela sua cor escura, que junta os dois jovens brasileiros – o café. A paixão manifestou-se ainda Pedro vivia no Brasil. Uns anos depois, quando foi morar para Buenos Aires, consolidou-se por inteiro. Lá, fez um curso de barista e assim que veio para Portugal, há dois anos, soube que, um dia, gostaria de ter um café. Com Maria, que já cá estava há seis anos, abriu finalmente as portas do Vezo Coffee, em Maio, na Graça.
A conversa tornou-se mais séria por volta de Dezembro de 2024. Maria trabalhava como professora na Universidade Lusófona e Pedro como artista visual quando pensaram em ter uma marca online de café de filtro. Perceberam, no entanto, que gostariam de ter um contacto mais próximo com os clientes e decidiram procurar um espaço para o Vezo Coffee (para o qual se juntaram a uma terceira sócia). Através de conhecidos, chegaram à proprietária do número 111 da Rua da Graça, onde hoje se encontra um pequeno café, composto por cadeiras e mesas díspares, compradas em segunda mão ou construídas pelo casal, e decorado com arte nas paredes.
“Foi a gente que fez tudo, com ajuda dos nossos amigos e um conhecido que tratou da parte eléctrica e aquilo que a gente não sabia fazer. Mas foi bem gratificante, porque todos os dias um amigo passava e começava a pintar uma parede ou montar uma mesa com a gente. Foram dois meses de muita mão na massa”, explica Maria, também artista visual. Foi assim um projecto colaborativo, quase familiar. Os quadros pendurados e as peças de cerâmica à venda, expostas numa segunda divisão ainda mais pequena, são de alguns artistas que fazem parte do Lisbon Art Collective, e o menu foi desenhado em conjunto com uma amiga, Maria Beatriz, que tinha trabalhado no restaurante SEM.
Além de aconchegante e tranquilo, tal qual uma “casinha”, queriam “que fosse um espaço para criar relações com outras pessoas”, continua. A relação que desenvolveu com Morgan von Mantripp e Yvonne Spresny, fundadores da empresa de torrefação von&vonnie, no Porto, é um desses exemplos. “Ele é especialista em café e ajudou muito a gente. Não era só encomendar o café, ele dava dicas, perguntava o que a gente precisava e, até hoje, está muito disponível para ajudar sempre que a gente precisa.” Não é de estranhar, por isso, que Maria e Pedro falem do café da von&vonnie com tanto apreço.
Antes de encomendar, provam vários grãos e, feita a escolha, o café já torrado e embalado chega ao café, onde se encontra à venda com o rótulo da Vezo. “O nosso conceito de marca sempre se focou no café de alta qualidade, em que a gente pega projectos muito honestos com uma rastreabilidade do grão muito grande. A gente consegue saber exactamente até quanto cada pessoa que colhe o café recebe de salário. É bem sustentável e justo com as fazendas e com quem lá trabalha.” As variedades, que mudam frequentemente, podem vir do México, da Etiópia ou do Ruanda – está tudo explicado no cartão que é servido com a chávena de café.
As bebidas – lattes, cafés e cold brews – são preparadas em máquinas V60 ou Aeropress e os preços variam entre os 3€ e os 5,50€. Há, claro, matcha, da espanhola Tranquilo (4,50€-5,50€), chá, sumo de laranja e batidos. Como dissemos, Maria e Pedro são duas partes de um todo, o que, em termos práticos, significa que enquanto Pedro se encarrega de fazer o café, Maria cozinha (ao lado do ajudante Luca), já que sempre foi algo que gostou de fazer para amigos e família.
A comida é simples e de qualidade, afiança a proprietária, ao explicar que é tudo feito na casa (à excepção do pão, fornecido pela doBeco). “Trabalhamos com projectos locais, como os queijos do Ortodoxo, que são excelentes e são portugueses, e as sardinhas enlatadas do José Gourmet, que também são muito boas. É sempre importante valorizar a produção local.” E respeitar os produtos de cada estação.
Ora para pequeno-almoço, ora para almoço, a carta propõe croissant com burrata, presunto e óleo de manjericão (7,50€); pão massa-mãe com requeijão de vaca e compota (4,50€); bolo de tapioca e queijo, pulled pork e chutney de maracujá (9,50€); escabeche de carapau, azeite de ervas e labneh em pão brioche (9,50€); ou salada de tomate, burrata, molho XO (molho picante feito a partir de frutos do mar) de cebola e azeite de ervas, acompanhada de uma fatia de pão (10,50€). Nos doces, conte com rolos de canela, paçocas, cookies e bolo de tapioca com canela, maçã caramelizada e farofa de toffee (4,50€).
Mas o Vezo não se fica por aqui. É também bar de vinhos naturais, cujos apreciadores, segundo o casal, são muitos dos mesmos clientes que chegam à procura de café de especialidade. Os vinhos, que podem ser pedidos ao copo ou à garrafa, incluem o Aradas, o Anexo ou o Automático. O copo ronda os 5€ e os 8€, enquanto uma garrafa pode ir dos 19€ aos 30€. Os vinhos sem álcool são italianos. Para acompanhar, há duas tábuas – uma pequena a 8,50€ e uma grande a 14,50€ – recheadas de pão, queijo, azeitonas, compota ou presunto.
Rua da Graça, 111 (Graça). Ter-Sex 09.00-19.00, Sáb-Dom 09.00-17.00
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