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Pagamento digital já é realizado por 74% dos utilizadores. Ao mesmo tempo, vandalismo de equipamentos resulta em custos elevados para a empresa municipal.

A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa – Emel está a estudar a transição do sistema de parquímetros para um modelo de pagamento digital do estacionamento na cidade, noticiou o jornal Público. Ainda não se sabe em que zona da cidade a mudança será testada, mas a empresa adianta que haverá uma área-piloto, a definir após reunidas as conclusões do estudo em curso.
Nesta fase, estão a ser recolhidos contributos junto dos utilizadores, no sentido de compreender hábitos, expectativas e níveis de aceitação da mudança. O objectivo, segundo a Emel, é “alinhar a ambição de redução gradual de parquímetros com a experiência do utilizador”. Depois de testada a eliminação de parquímetros numa determinada zona, a empresa tentará perceber se a mudança "melhora a experiência dos utilizadores – do estacionamento e do espaço público –, beneficia a operação e reduz custos”, refere o Plano de Actividades e Orçamento da EMEL para o triénio 2026-2029, conhecido em Dezembro passado e citado agora pelo Público.
Apesar de a transição formal ainda não ter começado a acontecer, há dois dados fundamentais a sustentá-la. Por um lado, 74% dos cidadãos que pagam estacionamento na via pública em Lisboa já o fazem por via digital, através da aplicação da empresa para o efeito (dados de 2025); por outro, os custos com a reparação de parquímetros, muitas vezes vandalizados (mas também avariados), são bastante significativos. Desde 2020, "registaram-se 3400 actos vandalismo contra parquímetros, com as devidas consequências operacionais e financeiras. Para além disso, a operação de colecta das moedas depositadas nos 3186 parquímetros existentes em Lisboa obriga a uma forte logística", pode ler-se no mesmo jornal. Perante este cenário, a Emel retirou 225 parquímetros da cidade nos últimos 23 meses.
A "evolução reflecte uma clara preferência dos utilizadores por soluções que permitem maior comodidade e flexibilidade, designadamente a possibilidade de iniciar, prolongar ou terminar o pagamento do estacionamento remotamente, sem necessidade de deslocação ao equipamento instalado na via pública”, pode ler-se no Relatório e Contas de 2025 da empresa, apreciado esta quarta-feira, 15 de Abril, na reunião de vereação da Câmara Municipal de Lisboa.
Os primeiros parquímetros chegaram a Lisboa em Agosto de 1995, nas Avenidas Novas, sob a promessa de regular o estacionamento na cidade. Por um período de 60 minutos, pagavam-se 80 escudos (o equivalente a 40 cêntimos), recorda-se no livro LX90 – A Lisboa em Que Tudo é Possível. Hoje, a tarifa das chamadas "zonas verdes" (mais económicas) é de 80 cêntimos por hora, enquanto nas "zonas castanhas" (as mais caras) paga-se dois euros pelo mesmo período.
Há 15 anos, não se pagava estacionamento em algumas áreas centrais da cidade, como a Graça ou Santa Apolónia. Uma das poucas zonas de Lisboa que ainda resiste aos parquímetros é Benfica, que, em 2023, respondeu com um rotundo "não" a pagar para estacionar num referendo sobre o assunto.
Em 2025, a Emel somou mais de 24 milhões de euros de receita em tarifas. Destes, cerca de 18 milhões chegaram aos cofres da empresa por via electrónica.
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