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‘EXI(s)T(s)’, de Mariana Tengner Barros, estreia esta sexta na Tóbis

Por Miguel Branco
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São farrapos de uma rave, que Mariana Tengner Barros promove nesta EXI(s)T(s). Atira-nos para um buraco negro, longe, muito longe, onde dificilmente não ficaremos amigos de alienígenas.  

Uma coisa é certa: não conhecemos isto. A Terra não sabe, os terrestres não imaginam. Estamos num buraco negro ocupado por seis corpos desalmados, em agitação quase autónoma, alimentados por uma electrónica cósmica, a querer ser industrial. Outra coisa que é certa: estamos metidos nisto tanto quanto eles, porque não há palco. O medo do desconhecido – que também gera curiosidade ou mera necessidade de continuar – lá nos leva para mais perto, para junto destes seres estrangeiros que, em graus diferentes de comunicação, tentam viver. EXI(s)T(s), a nova criação da coreógrafa e bailarina Mariana Tengner Barros, estreia esta sexta-feira nos estúdios da Tobis, que pertencem ao ICA.

A vontade de ter o público ao nível da criação não é nova em Tengner Barros, ainda que só agora o tenha conseguido efectivar, e serve para “tentar reconfigurar a possibilidade de interacção com o público sem tornar a coisa demasiado forçada ou interactiva”, avisa. Daí termos dito que estamos nisto com eles. É que aqui  só há o espaço do estúdio (ou buraco negro) para ir percorrendo entre intérpretes (ou extraterrestres). É este tipo de confronto, como o público sem o conforto do palco, que é latente em toda a obra de Tengner Barros. Isso e os temas já recorrentes que também se podem adivinhar aqui: a sociedade do espectáculo, a propaganda dos media, a vida através de ecrãs.

E por falar em ecrãs também estão cá, está, no singular, e a dimensão é tanta que já não estamos certos de isto ser uma projecção ou um vórtex para uma nova ordem, que não será por certo igual a esta, que de vulgar já não tem nada. À nossa volta caixas de cartão que são depósitos de objectos bizarros (espelhos psicadélicos e reflectores; latas que produzem som) ou meros corpos celestes neste buraco negro desconcertante. E isto não é só imaginação nossa: “Sim, criei uma microficção onde imaginamos que somos seres de uma outra dimensão e que viemos experimentar existir em corpos de carne e osso. Sabemos que não somos daqui e ao nível da pesquisa física estamos a jogar com impulsos internos e externos que deixamos fluir, farrapos de hormonas, de identidades, que estão sempre em mutação”, enquadra Mariana. 

A mesma que nos aponta outra reflexão que se afincou à cabeça da equipa criativa: estes corpos vão ao saber da espontaneidade infantil: “Uma criança vai na rua e se quiser faz uma pirueta e atira-se para o chão, e tu achas normal, porque é uma criança. Se for um adulto é louco, também há essa vontade de chegar ao exagero, aos limites comportamentais.” 

Mas todo o buraco negro, todo o alienígena longe de casa acaba por se cansar. Pelo meio um elástico gigante, máscaras feitas de meias, “montes de balões, uma mistura entre rave e festa popular”, confessa. Maravilha. 

Tobis. Alameda das Linhas Torres, 144 (Quinta das Conchas). Sex-Qui 21.30, Dom 18.30 (dia 26 não há espectáculo). 6€-12€. 

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