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As melhores peças de teatro e dança em Lisboa para ver em Outubro

Há muitos e bons espectáculos para ver em Lisboa. Passámos a agenda em revista e trazemos-lhe as melhores sugestões para este mês.

Raquel Dias da Silva
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Em Lisboa, não faltam opções para ir ao teatro, muitas delas com preços bem apetecíveis (olá, dia do espectador). Mas algumas estão tão pouco tempo em cena que é preciso correr, já que nunca se sabe se (e quando) são repostas. Entre companhias históricas e emergentes, encenadores e actores conhecidos e até os que ainda estão a tentar conquistar o seu lugar, encontra-se um generoso conjunto de peças de teatro e dança a não perder em Outubro. Aqui ficam as nossas sugestões, para que na hora de escolher seja tudo mais fácil. Bom espectáculo!

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As peças de teatro em Lisboa em Setembro

  • Castelo de São Jorge

Neste espectáculo, Paulo Filipe e convidados colocam a vasta obra lírica, épica e epistolar de Luís de Camões em diálogo directo com os autores contemporâneos que nele encontraram inspiração. A criação propõe uma viagem cénica e sonora onde os versos camonianos se cruzam com as vozes de poetas que subiram aos ombros do gigante da língua portuguesa, reunindo textos de Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga, Guerra Junqueiro, José Saramago, Manuel Alegre, Jorge Sousa Braga e Ernesto Melo e Castro. Em cena nos dias 9 e 10 de Outubro, sexta e sábado às 21.00, no Teatro Taborda. Os bilhetes custam 12€.

  • Lisboa

A escrita de Djaimilia Pereira de Almeida ganha corpo numa adaptação encenada por Zia Soares que explora a distância, a memória e as falhas de comunicação. Em cena na Sala Estúdio Valentim de Barros, a acção acompanha Bia e Estrela, mãe e filha separadas por um oceano e ligadas exclusivamente através de auscultadores e microfones ao longo de três décadas. Acompanhando a própria evolução da tecnologia – das complexas e ruidosas chamadas intercontinentais de antigamente às instantâneas mensagens de voz do WhatsApp –, o desenho do amor entre as duas protagonistas é moldado pelas interferências, pelo tempo e pelas distorções do som, que tantas vezes atrapalham e afastam em vez de aproximar.

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  • Belém

Os Possessos estão de volta, com uma nova criação inspirada na matriz de Woyzeck, a emblemática peça de Georg Büchner, aqui transposta para o universo empresarial contemporâneo. A acção decorre no seio de uma corporação regida por uma hierarquia implacável, onde a retórica da “família de colaboradores” disfarça a lei do mais forte e o cinismo do mercado livre. É neste ambiente que se movimenta Jorge, um pai solteiro que, iludido pela promessa de um futuro melhor, aceita sem hesitação o jugo e as exigências desmedidas das suas chefias. Em cena de 9 a 11 de Outubro, sexta às 20.00, sábado às 19.00 e domingo às 17.00, no Centro Cultural de Belém. O bilhete custa 15€.

  • Chiado

Num tempo em que a história parece condenada a repetir os mesmos padrões de violência, medo e exclusão, Caminho do Céu, de Juan Mayorga, confronta-nos com a fragilidade humana e a facilidade com que o horror se pode tornar normalidade. A peça mergulha num universo onde o despotismo, a culpa colectiva e a necessidade de sobrevivência revelam até onde pode ir o ser humano quando deixa de questionar. Em cena de 30 de Setembro a 11 de Outubro, sexta às 19.30 e domingo às 16.00, no São Luiz. O bilhete 12€.

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  • Marvila

Considerado o segundo maior guerreiro grego no término da Guerra de Tróia, Ájax viu a desejada armadura do falecido Aquiles ser entregue a Ulisses, um golpe de desonra que desencadeou uma fúria cega de vingança contra os seus próprios companheiros de armas. É sobre este episódio devastador da mitologia que se debruça Ájax, criação da estrutura Soluços D'inverno apresentada em co-produção com a Galeria Zé dos Bois e o Teatro Municipal Joaquim Benite. Partindo do texto clássico de Sófocles, a encenação de Cláudio da Silva – que assina a dramaturgia ao lado de Carolina Dominguez e Rita Ferreira – explora a intervenção da deusa Atena, que mergulha o herói num delírio trágico onde confunde o rebanho do inimigo com os próprios generais gregos, conduzindo-o inevitavelmente à auto-destruição. Os bilhetes custam 10€.

  • Carnide/Colégio Militar

Com encenação de Miguel Thiré, esta comédia de Stefan Cuvelier conta a história de Francisco, uma estrela do mundo do espectáculo com um feitio insuportável. Tão insuportável que os actores de uma peça com estreia para breve recusam-se a participar. Como precisa de substituir o elenco o mais rápido possível, Francisco contrata um grupo de pessoas que não são actores, nem querem ser: o seu agente, a empregada e um canalizador. A trama fica rocambolesca, como seria de esperar… Em cena de 10 de Setembro a 11 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Teatro Armando Cortez.

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  • Marvila

Os Artistas Unidos levam à cena um texto da dramaturga britânica Zinnie Harris, sob a encenação de João Meireles, que aborda a fragilidade do isolamento e o impacto do progresso humano. A acção situa-se numa das comunidades mais recônditas do mundo, onde a rotina se rege por um tempo próprio até à chegada de um estranho que introduz novas formas de poder, desejos latentes e a lenta ruína de um equilíbrio sustentado em crenças e silêncios. Quando o passado e a tensão interna deixam de poder ser contidos pela ilha, a erupção iminente de um vulcão obriga os habitantes a abandonar o único mundo que conhecem. O espectáculo conta com as interpretações de Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca. Os bilhetes custam 12€ (7€ à terça-feira, Dia do Espectador).

  • Chiado

Com texto de Constança Bourgard e encenação de Miguel Fragata, este espectáculo, distinguido com o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, acompanha um casal decidido a construir uma vida a dois, no apartamento com que sempre sonhou, no centro de Lisboa. Mas diferenças salariais, ressentimentos de classe e expectativas de género transformam o refúgio idealizado num fardo constante.

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  • Castelo de São Jorge

A Companhia do Chapitô apresenta uma nova criação física e satírica baseada no romance Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago. Sob a encenação de José C. Garcia, o espectáculo coloca em cena o pesadelo máximo do poder político: uma eleição onde a maioria esmagadora da população decide votar em branco como protesto silencioso, precipitando a declaração do estado de emergência. A partir do desencanto popular com o sistema partidário e da facilidade com que a engrenagem democrática se revela inútil, a narrativa evolui de uma comédia mordaz sobre a ineficácia dos governos para um cenário francamente mais sinistro e opressivo. Em cena de 25 de Setembro a 25 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Chapitô. O bilhete custa a 16,11€.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Os conflictos e os não-ditos de uma estrutura familiar complexa sobem ao palco num novo texto com encenação de Tiago Torres da Silva. A acção acompanha Filipe, um jovem repleto de aspirações que encontra na avó uma cúmplice absoluta, mas que enfrenta a incompreensão e a rejeição de um pai severo. No centro desta dinâmica em ebulição surge a paixão visceral do protagonista pelo teatro e a sua identificação com Nina, a trágica personagem de A Gaivota de Anton Tchekhov, elemento que desencadeia a revelação de velhos segredos e sentimentos ocultados durante anos. O elenco conta com as interpretações de Baltasar Marçal, Lídia Franco e Tiago Fernandes, destacando-se a realização de duas sessões acessíveis com audiodescrição nos dias 23 de Outubro e 25 de Outubro. Os bilhetes variam entre os 12€ e os 17€.

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  • São Vicente 

A estrutura Primeiros Sintomas regressa aos textos fundamentais do teatro europeu com uma das obras mais inquietantes do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck. Com tradução e encenação de Bruno Bravo, a peça coloca em cena um grupo de cegos que aguarda inutilmente num bosque escuro de uma ilha o regresso do padre que os guiava de volta ao asilo, ignorando que o próprio guia jaz sem vida ao seu lado, caído sobre um tronco de carvalho. Num espaço cénico dominado pela incerteza e pelo mistério da existência, o universo dos protagonistas reduz-se a uma densa paisagem sonora, onde ressoam o sopro do vento nas árvores, o murmúrio distante do mar e o alvoroço dos pássaros. Em cena de 15 a 30 de Outubro, quarta a sábado às 21.30 e domingo às 18.00, no CAL – Centro de de Artes de Lisboa. O bilhete custa 12€.

  • Santa Maria Maior

Depois de três anos fechado para obras, o Teatro Nacional D. Maria II reabre as suas portas com Macbeth, a mesma que estava em cena na fatídica noite de 2 de Dezembro de 1964, quando um incêndio deixou o teatro em ruínas, alimentando as lendas e superstições que sempre rodearam a tragédia de Shakespeare. Com tradução e encenação de Pedro Penim, esta nova produção desafia as velhas superstições do meio teatral e coloca nos papéis principais um elenco encabeçado por Bárbara Branco e José Raposo.

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  • Marvila

O Teatro Meridional apresenta uma nova criação dedicada ao património literário, humano e histórico de Goa, Damão e Diu, com dramaturgia e encenação assinadas por Natália Luiza. Tecido a partir de contos, poesia e excertos romanescos de autores de diferentes épocas, o espectáculo resulta de uma pesquisa profunda que transborda a literatura para se expandir à música, ao trabalho corporal e à composição plástica. Ao resgatar a memória destes territórios, onde a língua portuguesa ainda ecoa, a produção estabelece um diálogo poético de Portugal com a sua própria história, homenageando as comunidades indo-portuguesas que residem no país e trazendo à cena um património que muitos desconhecem. O elenco reúne Fernando Nobre, Joana Brandão, Catarina Ribeiro e Rui Rebelo. Em cena até 1 de Novembro, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.00, no Teatro Meridional. Os bilhetes custam 13€.

  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Depois de ter sido encenado por Daniel Gorjão, o aclamado texto do dramaturgo britânico Mike Bartlett regressa aos palcos numa nova e arrojada produção com a assinatura da Força de Produção. Encenada por Ricardo Neves-Neves, a trama acompanha um homem imerso numa relação estável mas desgastada com o seu namorado. Quando o casal decide fazer uma pausa, o protagonista cruza-se num café com uma mulher por quem se apaixona inesperadamente. A partir desse instante, a sua vida amorosa transforma-se num emaranhado de indecisões e conflitos de identidade que culminam num tenso e hilariante jantar a três. O elenco conta com interpretações de Cristóvão Campos, Gabriela Barros, Romeu Costa e Adriano Luz. Em cena de 12 de Outubro a 10 de Novembro, segunda e terça às 21.00, no Teatro Maria Matos. Os bilhetes custam entre 21€ e 23€.

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  • Santos

Dois dos maiores nomes do teatro nacional encontram-se no palco do Teatro Cinearte para dar vida a uma viagem tragicómica inspirada em Rei Lear, de William Shakespeare. Com texto assinado por Patrícia Portela – que convoca as traduções de Álvaro Cunhal, Millôr Fernandes e Manuel Gomes da Torre – e encenação de Martim Pedroso, a nova produção da companhia A Barraca junta em cena Maria Rueff e Maria do Céu Guerra. A narrativa acompanha um velho aristocrata de outros tempos que vaga perdido numa bomba de gasolina e uma comediante cuja viatura avaria em plena estrada nacional a caminho de um trabalho de Fim de Ano. Em cena de 14 de Outubro a 13 de Dezembro, de quarta a quinta às 19.30, sexta e sábado às 21.30 e domingo às 17.00, no Teatro Cinearte. Os bilhetes custam 22€.

O melhor da agenda cultural de Lisboa

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