As peças de teatro em Lisboa a não perder

Em Lisboa não faltam peças de teatro que valem a pena estar nos planos de qualquer um. Organize a agenda e não perca estas peças de teatro em Lisboa
A Morte de Sócrates
©DR A Morte de Sócrates
Por Rui Monteiro |
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Deixe-se de desculpas e vá ao teatro. Em Lisboa, não faltam opções, grande parte delas com preços bem apetecíveis. Até nos meses mais parados, Lisboa tem um cartaz preenchido de peças de teatro para todos os gostos. Algumas, graças aos estranhos caminhos da programação e não ao desprezo do público, estão tão pouco tempo em cena que, a bem dizer, é preciso correr e ver, que isto nunca se sabe se e quando são repostas. Outras há que vêm de trás e para a frente continuam.

Podemos dizer que há de tudo nesta selecção, em constante actualização. Há companhias históricas, mas também emergentes. Nomes bem conhecidos e outros sobre os quais ainda vai ouvir falar garantidamente. Está à espera de quê para ir ao teatro? Estas são as peças de teatro em Lisboa a não perder.

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Teatro em Dezembro: 12 peças a não perder

1
Fausto
©António MV
Teatro

Fausto

A companhia Mala Voadora é a responsável por este espectáculo, integrado nas comemorações do 25º aniversário do CCB, cuja intenção é ser “uma grande obra-prima, espantoso, monumental, avassalador.” Postas as coisas assim, resta saber que ao texto de Jorge Andrade se juntam Sérgio Martins e Rui Lima para, em incursão pelo universo operático, comporem a música que será interpretada ao vivo pela orquestra. Mas há mais, pois além dos actores (Anabela Almeida, David Pereira Bastos, Isabél Zuaa, João Vicente, Manuel Moreira, Marco Mendonça, Maria Ana Filipe, Mónica Garnel e Tânia Alves) em palco estarão dezenas de dezenas de figurantes, “alguns vindos das marchas populares”, coreografados por Fernando Santos, “aka Deborah Kristall”, sendo o projecto desenvolvido em diálogo com a dupla catalã Mont de Dutor.

Centro Cultural de Belém. Até 5 Dez. Qua-Sex 21.00, Sáb 16.00. 20€-23€ (ver descontos).

2
Retrato de Mulher Árabe que Olha o Mar
©DR
Teatro

Retrato de Mulher Árabe que Olha o Mar

O mar separa-nos. A nós, os europeus, deles, os muçulmanos do Norte de África. Esse mar fascina, oferece infinitas possibilidades, desejos, sonhos que tanto como atemorizam os que a ele se metem, iludem os que, olhando-o, se encontram como duas civilizações tomando conhecimento uma da outra. Ele é europeu. Ela nasceu ali. Conhecem-se, de certa forma amam-se, afastam-se. As culturas chocam. A tragédia anunciada torna-se realidade. É mais ou menos assim que o dramaturgo David Carnevali se debruça sobre a incompreensão entre os povos e as suas consequências nesta tragédia, encenada por Jorge Silva Melo com interpretação de Inês Pereira, João Meireles, Nuno Gonçalo Rodrigues e Margarida Correia.

Teatro da Politécnica. Até 8 dez. Ter-Qua 19.00, Qui-Sex 21.00, Sáb 16.00, 21.00. 6€ (Ter)-10€ (ver descontos).

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3
A Morte de Sócrates
©DR
Teatro

A Morte de Sócrates

Mickaël de Oliveira apresenta, em sessões duplas diárias, os dois episódios do díptico Sócrates Tem de Morrer. Depois de jantar é altura de assistir a A Morte de Sócrates, onde o autor, partindo da obra Fédon de Platão, junta a figura reinventada de Sócrates (Albano Jerónimo) e dos seus fiéis amigos, Paulo (Paulo Pinto), Pedro (Pedro Lacerda), Raquel (Maria Leite) e Ana (Ana Bustorff), para narrar os últimos três dias de Sócrates na prisão. Duas horas mais tarde é a vez de A Vida de John Smith, episódio no qual Paulo, Pedro, Raquel, Ana e Sócrates “(reencarnado em John Smith) acordam de um longo sono, num Museu de História Natural”, despertados por três membros da Academia: Aquela (Miguel Moreira), Aquele (Pedro Gil) e Aqueloutro (Maria Leite), os quais se “encarregam de lhes apresentar o mundo que emergiu da utopia desenhada no primeiro episódio”, isto é, “uma comunidade definida pela primazia da alma em relação ao corpo.”

Até 9 Dez. Sócrates Tem de Morrer: Qui-Sáb 21.00, Dom 17.30. A Vida de John Smith: Qui-Sáb 23.00, Dom 19.30. 12€-15€ (ver descontos).

4
Onde Não Puderes Amar Não Te Demores
©DR
Teatro

Onde Não Puderes Amar Não Te Demores

Continuando o seu trabalho assente na criação de “objectos performativos” criados a partir de textos não dramáticos, Daniel Gorjão e o Teatro do Vão exploram, agora, as cartas escritas por Frida Kahlo ao longo da vida. O que faz da peça “um objecto íntimo” trabalhando a partir de um imaginário estético reconhecido por todos e criando uma dramaturgia e coreografia para a interpretação de João Villas-Boas expor a intimidade e a multiplicação das ideias da pintora mexicana.

Teatro da Garagem. Até 9 Dez. Qui-Sáb 21.00, Dom 16.30. 10€.

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5
Resto Zero – Poema Cénico Sobre Antígona
©Marlene Barreto
Teatro

Resto Zero – Poema Cénico Sobre Antígona

icon-location-pin Teatro A Barraca, Santos
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O mote é a celebração do centenário do Armistício da I Grande Guerra, apresentando Rita Lello, neste espectáculo com direcção de Ivo Canelas, um poema teatral em que se propõe reflectir sobre a memória da guerra. Ao escolher a voz de Ismena, a irmã sobrevivente de Antígona, como voz única desta narrativa, o dramaturgo José Watanabe põe em cena “não a heroína mas a pessoa, não a dimensão mítica mas a humana”, pois Ismena encarna a memória viva da catástrofe, a última testemunha, a sobrevivente, a voz que fica para “contar uma guerra que nunca teria coragem para provocar.

Teatro Cinearte - A Barraca. Até 15 Dez. Qui-Sáb 21.30, Dom 17.30. 10€ (Qui, Dia do Espectador), 15€ (ver descontos).

6
Posso Saltar do Meio da Escuridão e Morder
©DR
Teatro

Posso Saltar do Meio da Escuridão e Morder

icon-location-pin Teatro do Bairro, Bairro Alto
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Rogério de Carvalho volta a dirigir o Teatro GRIOT, nesta “selecção e montagem colectiva de textos”, para interrogar o que “vive abaixo da superfície da sujeição?”, perguntando ainda se a “ausência de liberdade pode fazer morrer uma alma?” E é assim que a “insubmissão surge como a única possibilidade de sobrevivência” para uma mulher, “que se descobre mulher e negra no contexto dos lugares estanques da escravatura”, criando o espectáculo um percurso que é uma provação “como via para a consciência” interpretado por Daniel Martinho, Gio Lourenço e Zia Soares.

Teatro do Bairro. Até 16 Dez. Qua-Sáb 21.30, Dom 17.00. 10€ (ver descontos).

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7
Quarto Minguante
©DR
Teatro

Quarto Minguante

icon-location-pin Teatro Nacional D. Maria II, Santa Maria Maior
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Seis personagens em situações muito diferentes, mas unidos pelo mesmo impasse, é o ponto de partida de Joana Bértholo para tentar saber qual “é o papel da imaginação na resolução de impasses colectivos?” Assim, seis personagens (interpretadas por Cristina Carvalhal, Gustavo Salvador Rebelo, José Neves, Manuel Coelho, Paula Mora, Rita Rocha e Sílvio Vieira, dirigidos por Álvaro Correia) “em situações muito diferentes” estão unidas pelo mesmo impasse: “não estão bem, e nem por isso fazem algo por mudar”, pois temem que o novo seja ainda pior.

Teatro Nacional D. Maria II. Até 16 Dez. Qua-Sáb 19.30, Qui-Sex 21.30, Dom 16.30. 12€ (ver descontos).

8
Os Apontamentos de Trigorin
©Bruno Simão
Teatro

Os Apontamentos de Trigorin

icon-location-pin Teatro A Comuna, Campolide
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Com texto de Tennessee Williams adaptado de A Gaivota, de Anton Tchékhov, esta peça, encenada por João Mota com interpretação de Bárbara Branco, Carlos Paulo, Carlos Vieira de Almeida, Custódia Gallego, Guilherme Filipe, Hugo Franco, Igor Sampaio, Luís Garcia, Madalena Brandão, Miguel Sermão e Teresa Corte-Real, põe em cena a história de Constantine, jovem, escritor, sensível, “cuja busca pelo amor, arte e aceitação é maior do que a própria vida.” Como de costume nada é como se deseja e o aspirante a dramaturgo, além de enfrentar o desdém da mãe, grande senhora dos palcos, ainda é rejeitado por Nina depois desta se apaixonar por Trigorin, outro escritor, que acumula com amante da mãe desdenhosa. Vai daí Constantine acaba dominado pelo ciúme e o desejo, o que pode ser fatal.

Teatro da Comuna. Até 16 Dez. Qua-Sáb 21h30, Dom 16.00. 5€-10€ (ver descontos).

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9
À volta o Mar, no Meio o Inferno
©Pedro Soares
Teatro

À volta o Mar, no Meio o Inferno

icon-location-pin Teatro A Barraca, Santos
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Voltando a Santos e à companhia A Barraca, a peça que Maria do Céu Guerra escreveu a partir de Notas da Viagem a Sacalina, mantém o dramaturgo russo de Anton Tchékhov em cena através da narrativa da sua visita, em 1890, a Sacalina, a mais cruel ilha-prisão do seu tempo, para viver o que considerou o “período mais perturbador e enigmático da sua vida.” Pretexto para a autora e encenadora, com a colaboração de Ruben Garcia, Sérgio Moras, João Maria Pinto, Sónia Barradas, Adérito Lopes, Rita Soares, Samuel Moura, Cláudio Castro, Carolina Medeiros, Patrícia Frazão, David Medeiros, Kateryna Petreanu, Miguel Miguéis e Paulo Lima, “pensar nalgumas prisões do nosso tempo e na indiferença com que são encaradas pelas democracias nossas contemporâneas as concepções punitivas”, perguntando nesta peça “se não estaremos a assistir calados a um recrudescimento da barbárie e da pena de morte quando faz apenas 150 anos que lutámos pela sua abolição?”

Teatro Cinearte - A Barraca. Até 23 Dez. Qua-Qui-Sáb 19.00, Sex 19.30, Dom 17.00. 10€-15€.

10
Os Vizinhos de Cima
©DR
Teatro, Comédia

Os Vizinhos de Cima

Uma comédia ligeira e despretensiosa que faz uma reflexão sobre a vida conjugal e a sexualidade, recorrendo o dramaturgo Cesc Gay ao exemplo de dois casais que vivem no mesmo edifício, para, com ironia abordar temas como a convivência, a coragem, o sexo, o amor e as aparências. Encenada por Maria Henrique, com Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano, Pedro Lima e Rui Melo, o entrecho obriga as personagens a repensarem as suas próprias relações e a tomarem algumas decisões que, sendo sem dúvida divertidas, talvez não sejam o melhor caminho.

Teatro Villaret. Até 30 Dez. Qui-Sáb 21.30, Dom 16.30. 18€.

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11
O Deus da Carnificina
©DR
Teatro

O Deus da Carnificina

icon-location-pin Casino Lisboa, Parque das Nações
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Resumindo: um miúdo dá com um pau no outro. Dois dentes vão à vida, a cara fica tipo bolacha. Os pais reúnem-se em casa da vítima, muito compostos e polidos procurando apurar responsabilidades, encontrar alguma forma de compensação, um pedido de desculpas. Um quê? Pois, é aqui que a porca torce o rabo na peça de Yasmina Reza, que Diogo Infante encena, e interpreta com Rita Salema, Patrícia Tavares e Pedro Laginha, onde são postos à prova os limites da civilidade de maneira ao mesmo tempo realista e irónica, assim mostrando – como dizer? – o selvagem que se esconde em cada um de nós.

Casino de Lisboa. Até 30 Dez. Sex-Sáb 21.30, Dom 17.00. 18€.

12
A Pior Comédia do Mundo
©DR
Teatro, Comédia

A Pior Comédia do Mundo

icon-location-pin Teatro da Trindade, Chiado
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Michael Frayan escreveu, Fernando Gomes encena e interpreta (com Ana Cloe, Cristóvão Campos, Elsa Galvão, Inês Aires Pereira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Paula Só e Samuel Alves) esta peça onde, de repente, a porta dos bastidores de um teatro se abre e o espectador tem acesso ao que por lá se passa. Daqui nasce um olhar, não propriamente crítico, mas sem dúvida sarcástico sobre o teatro e “as loucuras e devaneios dos que o fazem”, com a sua tendência “para crises descontroladas de ego, falhas de memória e alguma promiscuidade”, o que vai transformar cada actuação numa espécie de aventura de alto risco até ao ataque de nervos colectivo.

Teatro da Trindade. Até 27 Jan. Qua-Sáb 21.00, Dom 16.30. 12€-18€, 8€-14€ (Qua).

O melhor da agenda cultural de Lisboa

Música

Concertos em Lisboa em Dezembro

Dezembro é um mês complicado. As depressões, diz-se, aumentam sempre nesta altura; as compras e os jantares de Natal dilapidam a paciência e o orçamento familiar. Mas pelo menos há sempre um ou outro concerto em Lisboa para nos animar. E não nos referimos apenas aos incontornáveis concertos natalinos, em igrejas e não só. Há todo o tipo de música para ver e ouvir ao vivo e este ano não será excepção. Do psicadelismo japonês dos Kikagaku Moyo na ZDB a Gisela João a interpretar o Songbook americano no CCB, passando pela música extrema dos mexicanos Brujeria ou os Linda Martini em modo "Agora Escolha". 

Coisas para fazer

Os melhores mercados de Natal em Lisboa

Para o menino, para a menina, novinho em folha ou à espera de uma segunda vida. Não há volta a dar: por esta altura, os mercados na cidade multiplicam-se como fatias de bolo-rei na hora do lanche. Comece a preparar a época festiva – para os jantares de grupo, a consoada, o almoço de família, a festa na noite de 25 de Dezembro, a passagem de ano e até o Dia de Reis. E para dar, não se esqueça de despachar já os presentes. Anote as melhores sugestões para fazer compras de Natal em Lisboa. Preparado para as ideias que se seguem? Vamos a isso. E boas compras.

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