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A Criada Zerlina
©João Tuna A Criada Zerlina

As peças de teatro em Lisboa a não perder em Julho

Comece a organizar a agenda: os artistas estão de volta aos palcos de Lisboa e estas são as peças de teatro a não perder este mês

Por Raquel Dias da Silva e Miguel Branco
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Deixe-se de desculpas e vá ao teatro. A sério, vá. É que, após três meses e meio de paragem, os palcos estão a voltar à vida, com preços apetecíveis e propostas para todos os gostos. Mas precisam, mais do que nunca, de público. Com lotação reduzida para metade e uso obrigatório de máscara, o teatro pode já não ser bem o que era, mas não se apoquente: encontrará um surpreendente conjunto de peças, entre companhias histórias e emergentes, encenadores e actores conhecidos e outros ainda a esgravatar por um lugar. Voltamos assim a abrir as portas das principais salas de teatro de Lisboa para lhe dizer o que reserva este bonito mês de Julho.

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Teatro em Julho: as peças de teatro a não perder

teatro
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Fotografia: Carlos Gomes

1. A grande emissão do mundo português

Teatro Incrível Almadense, Grande Lisboa

Num estúdio da Emissora Nacional, cinco trabalhadores levam a cabo um programa que dura 21 anos. O seu início deu-se em 1940, ano em que o regime inaugurou em Belém, à beira do Tejo, a grande Exposição do Mundo Português – sumptuosa feira de vaidades “para português ver”. A encenação, realizada em criação colectiva com os actores, é de Isabel Craveiro, directora artística do Teatrão de Coimbra.

O Mundo é Redondo
O Mundo é Redondo
D.R.

2. O Mundo é Redondo

Teatro Fórum Municipal Romeu Correia, Grande Lisboa

Os anos passam e António Pires teima em não largar Gertrude Stein. Esta é a quarta encenação de um texto da autora norte-americana e, ao que parece, Pires ainda não se cansou. Há sempre por descobrir em Stein e aqui, num mundo-azul e onde a paisagem conta muito, não há excepção.

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festival de almada, festival de teatro, teatro, turma de 95
festival de almada, festival de teatro, teatro, turma de 95
Fotografia: Bruno Simão

3. Turma de 95

Teatro Teatro-Estúdio António Assunção, Grande Lisboa

A partir de Class of 76, do colectivo inglês Third Angel, Raquel Castro encontra-se com o seu passado. Quão longe estamos daquele nosso ser jovem que habitava cantinas e intervalos com uma urgência desmedida? Agarra uma foto da sua turma de 9.º ano do Colégio Salesianos e conta-nos a sua história, à boleia das histórias dos seus colegas e fazendo – como não? – um retrato desses belos anos 90. 

By Heart
By Heart
©Magda Bizarro

4. By Heart

Teatro Academia Almadense, Grande Lisboa

É uma das mais brilhantes criações de Tiago Rodrigues. Estreada em 2013, By Heart, que já correu o país e o mundo, sobe agora ao palco do Cine-Teatro da Academia Almadense, no âmbito do Festival de Almada. Em palco, dez pessoas escolhidas ao acaso aprendem um poema de cor. E só quando o aprenderem é que isto acaba. Se nunca viu despache-se.

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teatro
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Fotografia: TNSJ

5. Castro

Teatro Teatro Municipal Joaquim Benite, Grande Lisboa

Escrita na segunda metade do séc. XVI pelo poeta António Ferreira (1528-1569), Castro inaugura definitivamente a tragédia clássica em Portugal. Mas Castro não é memorável apenas por ser a primeira: é também a mais terrífica das tragédias, agora encenada por Nuno Cardoso, actual director artístico do Teatro Nacional São João, que arrisca nesta criação inexcedivelmente iconoclasta um comentário ácido aos nossos dias trágicos, também eles muito complicados.

Uma Solidão Demasiado Ruidosa
Uma Solidão Demasiado Ruidosa
Jorge Gonçalves

6. Uma Solidão Demasiado Ruidosa

Teatro Incrível Almadense, Grande Lisboa

Estreado, em 1997, no CCB, António Simão e os Artistas Unidos, voltam ao romance do checo Bohumil Hrabal, que nos atira para uma cave cheia de livros e ratos e palavras. É habitado por Hanta, tipo com particular e insistente gosto por cerveja, que por ali vive há 30 anos. Os livros e homem, o homem e os livros.

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Viagem de Inverno
Viagem de Inverno
Rui Carlos Mateus

7. Viagem de Inverno

Teatro Centro Cultural de Belém, Belém

A primeira criação da Companhia de Teatro de Almada assume a forma de um convite ao encenador que no final de 2018 largou a direcção artística do Teatro Nacional São João. Com três actrizes experientes e experimentadas como Teresa Gafeira, Flávia Gusmão e Ana Cris, Carinhas atira-se a Viagem de Inverno, obra-prima da austríaca Elfriede Jelinek (Nobel da Literatura em 2004), onde através de canções de Schubert retoma a sua biografia.

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Crispin et Scapin par Honoré Daumier

8. As artimanhas de Scapin

Teatro Fórum Municipal Romeu Correia, Grande Lisboa

Eis uma das mais conhecidas comédias de Molière, peça em prosa e em três actos, representada pela primeira vez em Paris em 1671. O espectáculo, encenado por João Mota usa a tradução de 1962 do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, para contar a história de dois jovens, Octávio e Leandro, qie na ausência dos seus respectivos pais, mercadores abastados, iniciam relacionamentos amorosos. Octávio casa-se secretamente com Jacinta, uma jovem pobre, e Leandro apaixona-se por Zerbineta, uma cigana. Mas eis que os pais regressam antes do esperado e trazem planos de casamento ricos para seus filhos

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ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve

9. Instruções para abolir o Natal

Teatro Vários locais

O encenador, cineasta e dramaturgo canadiano Michael Mackenzie estreou este texto em 2011. O espectáculo original revisitava os processos e ondas de choque da chamada crise do subprime, advinda nos Estados Unidos em 2007 e chegada à Europa em 2008, mas o texto viria a conhecer uma nova versão, numa narrativa agora contextualizada pela incerteza das consequências do Brexit.

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AS OBRAS COMPLETAS DE WILLIAM SHAKESPEARE EM 97 MINUTOS

10. As obras completas de W. Shakespeare em 97 minutos

Teatro Casino Lisboa, Parque das Nações

Das tragédias às comédias, passando pelas peças históricas e até mesmo pelos sonetos, As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos revisita as 37 obras de Shakespeare e envolve o público de tal forma que este acaba a fazer parte integrante da acção.

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Fotografia: Vitorino Coragem

11. A Criada Zerlina

Teatro Fórum Municipal Romeu Correia, Grande Lisboa

Depois de estrear no CCB, a primeira encenação do realizador João Botelho que mais não é que um encontro com Luísa Cruz, é reposto mais uma vez, agora no Fórum Municipal Romeu Correia. É um trabalho de actriz exemplar, de uma das melhores actriz portuguesas. Tudo a partir de A Criada Zerlina, de Hermann Broch, uma criada no meio dos ricos, dos “senhores”. Os podres da aristocracia, a voz ao povo, são sempre bons temas para trabalhar.

teatro
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Fotografia: Alipio Padilha

12. O Criado

Teatro Incrível Almadense, Grande Lisboa

Desde cedo fascinado pelo cinema, o dramaturgo e encenador André Murraças tem construído um teatro que é grandemente baseado no universo da sétima arte. Baseado na novela The Servant, do escritor inglês Robin Maugham (sobrinho do bastante mais conhecido Somerset Maugham), que Harold Pinter e Joseph Losey adaptaram ao cinema em 1963, este espectáculo explora a artificialidade dos papéis sociais e as razões e os modos dessas construções.

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Fotografia: José Caldeira

13. Turismo

Teatro Teatro Municipal Joaquim Benite, Grande Lisboa

Estreado em Janeiro de 2020 no Teatro do Campo Alegre, no Porto, este é um espectáculo de forte feição política sobre a gentrificação. Durante três dias e três noites vertiginosas, seis personagens debatem-se com o fechamento de horizontes que a nova ordem neoliberal lhes impõe. O texto e encenação são ambos de Tiago Correia, que co-fundou A Turma em 2008, assumindo a sua direcção artística desde 2018.

Mártir
Mártir
Fotografia: Rui Carlos Mateus

14. Mártir

Teatro Teatro Municipal Joaquim Benite, Grande Lisboa

Mártir, de Marius von Mayenburg, é a mais recente estreia da Companhia de Teatro de Almada, com encenação de Rodrigo Francisco. Benjamin é um cristão radicalizado que vira a vida da sua professora de biologia num caos incontrolável. A prova de que os fundamentalismos são não só islâmicos, e de que o discurso politicamente correcto é um perigo enorme. 

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teatro
teatro
Fotografia: © Ricardo Rodrigues

15. Bruscamente no Verão Passado

Teatro Vários locais

O arranque do Festival de Almada está marcado para 3 de Julho, pelas 21.00, com a estreia de Bruscamente no Verão passado, de Tennessee Williams, numa encenação de Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais. O espectáculo é uma história envolta em mistério, que denuncia a intolerância relativa à homossexualidade na sociedade dos anos 1950. Depois de estrear no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, onde estará em exibição até 5 de Julho, estreará no Teatro Municipal Mirita Casimiro, no Estoril, onde ficará em cena até 2 de Agosto.

16. Johan Padan a la descoverta de le Americhe

Teatro Incrível Almadense, Grande Lisboa

Este texto do Prémio Nobel da Literatura de 1997, um monólogo em dois actos, é narrado por Johan Padan, um veneziano fugitivo da Inquisição que acompanha Cristóvão Colombo na sua quarta viagem ao Novo Mundo como responsável pelos animais a bordo. O intérprete é o actor Mario Pirovano.

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Teatro Independente de Oeiras
Teatro Independente de Oeiras
Fotografia: Teatro Independente de Oeiras

17. Os Impagáveis

Teatro Teatro Independente de Oeiras, Cascais

Esta comédia musical de gangsters, passada nos loucos anos 20, estreou no Rio de Janeiro e ganhou sete dos 14 prémios para que foi indicada, incluindo o Prémio MEC – Troféu Mambembe para Melhor Espectáculo. A estreia em Portugal estava prevista para Março, mas teve de ser adiada. Com o Teatro Independente de Oeiras a retomar a programação, a peça sobe finalmente a palco a 3 de Julho, onde ficará em cena até 1 de Agosto. O texto é da premiada autora Teresa Frota com encenação de Henri Pagnoncelli e interpretação de Ana Sofia, Carlos d’Almeida Ribeiro, Jaime Soares, Lourenço Henriques, Luís Viegas, Paula Marcelo e Pedro Rodrigues. As músicas originais são de Cacau Ferreira Castro.

Mário
Mário
D.R.

18. Mário

Teatro Cinema São Jorge, Avenida da Liberdade

Mário é uma peça escrita e encenada por Fernando Heitor, com regresso ao Cinema São Jorge durante o mês de Janeiro, depois da estreia em Agosto do ano passado. Fala-nos de Mário, um bailarino perseguido durante o Estado Novo por ser homossexual e por se travestir. Memórias de um tempo que não orgulha nenhum português, escrita a partir de uma notícia do jornal O Público, “O Estado Novo dizia que não havia homossexuais, mas perseguia-os”, publicada a 17 de Julho de 2007 e assinada por São José Almeida – onde se conta a história do bailarino Valentim de Barros.

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19. Avenida Q

Teatro Comédia Teatro Municipal Maria Matos, Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Primeiro esgotou noites sucessivas no Teatro da Trindade, depois andou pelo país, agora mudou-se para o extremo de Lisboa com a mesma intenção: fazer rir, são eles quem o diz, com o “musical mais estúpido e genial de todos os tempos – uma Rua Sésamo em esteróides, que junta a estética” dos Marretas a “uma linguagem tão adulta, que só funciona mesmo porque a vida é uma longa marcha de tédio em direcção à campa.” O texto de Robert Lopez, Jeff Marx e Jeff Whitty tem encenação de Rui Melo e interpretação de Ana Cloe, Diogo Valsassina, Gabriela Barros, Inês Aires Pereira, Manuel Moreira, Rodrigo Saraiva, Rui Maria Pêgo, Samuel Alves, Artur Guimarães, Luís Neiva e André Galvão. 

20. Mais Respeito que sou tua Mãe

Teatro Teatro Villaret, Lisboa

Ainda se lembra de Esmeralda Bartolomeu? Esta dona de casa de 50 anos a braços com os três filhos adolescentes, um marido desempregado e um sogro viciado em marijuana está de volta. Joaquim Monchique interpreta, encena e assina a adaptação do texto do argentino Hernán Casciari.

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mónologos da vagina
mónologos da vagina
Fotografia: DR/Júlia

21. Monólogos da Vagina

Coisas para fazer Teatro Armando Cortez, Carnide/Colégio Militar

Os monólogos da vagina são compostos por vários textos. Cada um deles lida com a experiência feminina, abordando assuntos como sexo, prostituição, imagem corporal, amor, menstruação, mutilação genital feminina, masturbação, nascimento, orgasmo. Um tema recorrente em toda a peça é a vagina como uma ferramenta de capacitação feminina e a personificação máxima da individualidade. Todos os anos, um novo monólogo é adicionado para destacar uma questão actual que afecta as mulheres em todo o mundo.

O melhor da agenda cultural de Lisboa

Malapata
Fotografia: Manuel Manso

Galerias de arte em Lisboa: um roteiro alternativo

Arte Galerias

Museus e centros de difusão de arte contemporânea são o pão nosso de cada dia no habitual roteiro cultural dos lisboetas. Mas onde andam os artistas emergentes? Nestas galerias, está claro. Ora tome lá uma lista de galerias de arte alternativas, algumas ainda meninas e moças na capital onde se compra e desfruta de arte em todos os moldes.

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Bruno Barata

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Vhils, Bordalo II, Aka Corleone, ±MaisMenos±, Tamara Alves ou Mário Belém são alguns dos nomes mais sonantes neste roteiro de arte urbana em Lisboa. A eles juntam-se artistas de todo o mundo, que escolhem Lisboa para servir de tela aos mais variados estilos e mensagens. Embarque connosco num passeio alternativo pela cidade.

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museu da farmacia do porto
©João Saramago

Museus portugueses que oferecem visitas virtuais

Coisas para fazer

As saudades dos nossos museus já começam a apertar. A boa notícia é que há cada vez mais plataformas que ajudam museus de todo o mundo a exporem as suas colecções na internet. O mais conhecido é o Google Arts & Culture que exploramos com afinco nesta lista. Mas há mais museus portugueses que oferecem visitas virtuais, só que com uma diferença: fazem-no nas suas próprias plataformas online.

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