Teatro em Junho: peças a não perder em Lisboa

Vêm aí o Verão e, já se sabe, a procura diminui e a oferta, conforme a regra, encolhe um bocadinho. Ainda assim muito teatro há para ver em Lisboa.

Bruno SimaoO Hóspede

Sem a fartura de outros meses, mas ainda assim com grande diversidade, embora talvez com uma ligeira inclinação para o lado dos mais novos. O teatro disponível em Lisboa oferece de tudo, seja qual for o género. Há dramas, tragédias, comédias, clássicos, contemporâneos, peças experimentais. Há reposições, bem vindas, mas a grande maioria das peças são estreias. Estas não dá para perder.

Recomendado: Seis bares em teatros: quando os copos sobem ao palco

As peças de teatro em Lisboa a não perder em Junho

Os Que Regressam

Gengangere, de Henrik Ibsen, foi na sua estreia recebida com escândalo, pois punha em cena assuntos então tabu, como a hipocrisia moral da religião e do casamento, o incesto, a sífilis e até a eutanásia. Nesta encenação de Juvenal Garcês, com versão do texto e dramaturgia de Ana Cristina Leonardo e desenho de luz de Vasco Letria, quis o encenador, à maneira do autor, apresentar um registo “naturalista, quase folhetinesco” onde assistimos “como nas grandes tragédias gregas, a um ajuste de contas do passado.” Quem se sairá melhor nesta peça interpretada por Lia Gama, André Nunes, Fernando Rodrigues, José Neto e Marlene Barreto? A senhora Alving “parece ser a única a acreditar poder escapar.” E escapará Régine?

Ler mais
Centro Cultural de Belém , Belém Quinta-feira 21 Junho 2018 - Domingo 24 Junho 2018

O Novo Mundo

E voltam, dinâmicos, Os Possessos, agora com autoria de Daniel Gamito Marques, João Pedro Mamede, Leonor Buescu, Miguel Ponte, Nuno Gonçalo Rodrigues e Tiago Lima, no momento em que a “história acelerou.” “No princípio – dizem – eram os descobrimentos, depois foi a Lua. Um foguetão saiu da Terra, avançou pelo espaço, e um homem deixou uma bandeira num lugar inóspito. Mas agora a coisa em que mais dinheiro se gasta são as viagens interplanetárias.” Ora, quem “pode esquecer-se dos problemas do mundo aproveita e tira também umas férias de si próprio”, até porque no “novo mundo tudo se torna mais fácil porque não há tempo, pelo menos não este tempo todo: não se espera que a vida comece, da mesma maneira que não é possível ficar aborrecido.” É o que se vai ver nas personagens criadas por André Pardal, Catarina Rôlo Salgueiro, David Esteves, Eduardo Breda, Filipa Matta, Francis Seleck, Guilherme Moura, Isabel Muñoz Cardoso, Marco Mendonça, Margarida Vila-Nova, Miguel Cunha, Nídia Roque, Nuno Gonçalo Rodrigues, Óscar Silva, Rafael Gomes, Vicente Wallenstein e Fernão Biu.

Ler mais
Culturgest , Avenidas Novas Quarta-feira 27 Junho 2018 - Sábado 30 Junho 2018
Publicidade

O Hóspede

Nova reposição, esta peça de Joe Orton conta, em forma de comédia bizarra, como Xavier, um jovem que aluga o quarto a dois irmãos, Catarina e Alberto, os manipula como quer e lhe apetece. “Comédia de bizarrias – aqui escrevi quando estreou – que João Mota adapta e encena, demonstrando como apesar do tempo e das mentalidades e dos costumes não há lei nem maneira capazes de travar a hipocrisia, ou esconder o desejo, evitar o oportunismo, a manipulação sentimental e esquecer a importância das aparências na vida social.” Mote de grande controvérsia na altura da estreia, em 1964, a obra do dramaturgo inglês onde, como diz A Comuna, “todos falam de princípios morais enquanto, e acima de tudo, segregam o cadáver da Civilização Ocidental”, não perdeu, nesta encenação a sua acutilância e actualidade, e muito menos a sua graça corrosiva nas interpretações de Carlos Paulo, Carlos Vieira de Almeida, Elsa Galvão e Hugo Franco.

Ler mais
Teatro A Comuna , Campolide Quarta-feira 20 Junho 2018 - Domingo 24 Junho 2018

Prosopopeia

Prosopopeia é figura em que o orador atribui o dom da palavra, o sentimento ou a acção a seres inanimados ou irracionais, aos mortos ou aos ausentes. É desta definição que parte para este espectáculo Pedro Baptista, com Ana Valente, Elena Rudakova, Francisco Sousa e Mário Coelho na interpretação e Manuel Abrantes na iluminação. Esta composição a quatro corpos bem pode “ser uma melodia, um rizoma, um movimento, uma oratória.” Mas também uma “sequência de monólogos, na qual cada corpo se presta a ser individualmente observado, ouvido, detectado, interpretado, percepcionado como num ciclo ao qual não poderá inevitavelmente escapar.” É ver para crer.

Ler mais
Teatro da Politécnica , Princípe Real Quinta-feira 28 Junho 2018 - Sábado 30 Junho 2018
Publicidade

Sugar

No primeiro acto o “pano sobe ao som de uma multidão que consome um cenário português. Chove açúcar de várias nacionalidades. Um sol fantástico nasce e ilumina a cena. Uma praia a ocidente. Estamos num arraial de Fevereiro. Música. O som do mar também se ouve.” Confuso? Pois, no segundo acto, “o palco está vazio. Há um vago cheiro a anestesia, uma palavra projectada. Um espesso nevoeiro invade a cena. Algo não está bem com o clima, sim, ninguém está bom do clima. Há qualquer coisa que… A memória esvai-se, mas não há lobotomia. O cronómetro dita o ritmo de uma opinião.” Confuso ainda? Pois esclareça-se que esta peça nasce de Subitamente no Verão Passado, de Tennessee Williams, mas apenas para “rapidamente a abandonar num ato deliberado, e profundamente consciente, de busca de liberdade cénica e dramatúrgica.” Diz a companhia Silly Season, criadora colectiva da concepção e direcção desta obra que “questiona as relações de poder entre o individual e o colectivo através da sua memória”, com representação de Ana Sampaio e Maia, Carolina Caramelo, Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva, João Cristóvão Leitão, Ricardo Remédio, Ricardo Teixeira, Rui Palma e Victor Gomes.

Ler mais
Espaço Escola de Mulheres (Clube Estefânia) , Lisboa Quinta-feira 28 Junho 2018 - Domingo 1 Julho 2018

1936, o Ano da Morte de Ricardo Reis

O espectáculo de Hélder Mateus da Costa, a partir do romance de José Saramago, é a última e apreciada reposição desta lista. A peça, como, claro, o livro do Prémio Nobel da Literatura, trata do encontro inquieto do defunto Fernando Pessoa com o único heterónimo que lhe sobreviveu”, Ricardo Reis, no momento em que cresce na Europa o fascismo, estabelecendo um jogo “entre o real e o fantástico.” Aqui, nesta encenação, com interpretação de Adérito Lopes, Ruben Garcia, Sónia Barradas, Rita Soares, João Maria Pinto, Samuel Moura e Sérgio Moras, encontramos o poeta e Lídia, a criada de hotel que lhe cai aos pés, enquanto Fernando Pessoa e Ricardo Reis “discorrem sobre Portugal e decidem sair dali”, para, no final da representação, homenageando o autor, vermos os actores fazendo fila na esperança de obter um autógrafo.

Ler mais
Teatro A Barraca , Santos Quinta-feira 21 Junho 2018 - Sexta-feira 29 Junho 2018
Publicidade

Pela Água

Texto vencedor do Grande Prémio de Teatro Português 2016, escrito por Tiago Correia, Pela Água é obra onde o autor explora a situação de encontro entre dois homens de gerações diferentes, amantes da mesma mulher. Este “diálogo dominado pela paixão, pelo rancor, pela ausência e nos permite, simultaneamente, reflectir sobre as realidades políticas e sociais que moldam as personagens e as suas escolhas, tem encenação de Tiago Torres da Silva e reúne no elenco os actores Fernando Luís, Miguel Nunes e Teresa Sobral. Torres da Silva, de regresso ao mesmo palco onde, em 2011, dirigiu Álbum de Família, de Rui Herbon (igualmente texto vencedor do Grande Prémio de Teatro), mais uma vez colabora com cenógrafo Rui Francisco, assim procurando “trabalhar as qualidades literárias do texto num palco transformado pela presença da água” com figurinos de José António Tenente e sonoplastia de José Peixoto.

Ler mais
Teatro Aberto , Campolide Fri Jun 8 - Sat Jun 30

Junho em Lisboa

Coisas para fazer em Lisboa este mês

Junho está aí e portanto não podemos evitar cair na inércia de ficar em casa. Este é o mês em que a cidade começa a mexer a sério, não fosse ele sinónimo das Festas de Lisboa. O mês dos arraiais, do cheiro a sardinha, da música pimba, das enchentes nos bairros, e das arraudas gerais por toda a cidade com a ajuda da vasta programação da EGEAC. O mês que nos faz querer ir para a rua e esplanadar, ou fazer dos jardins os nossos melhores amigos sempre com muita música à mistura.  Nós temos a receita secreta para ter sempre alguma coisa para fazer este mês em Lisboa, de concertos a exposições, passando por festas, teatro e cinema. Aproveite e viva a cidade ao máximo. 

Ler mais
Por Francisca Dias Real

Santos Populares em Lisboa

No mês preferido dos alfacinhas, as ruas da cidade enchem-se de bandeirolas coloridas, manjericos cheirosos, sardinhas a saltar na grelha e imperiais fresquinhas. Em tudo o que é bairro celebra-se o Santo António com música popular, marchas e dança aos pares. Eis um guia para sobreviver aos Santos Populares em Lisboa e descobrir os melhores arraiais, bailaricos e festas da cidade. 

Ler mais
Publicidade

O melhor das Festas de Lisboa 2018

Desocupe a sua agenda porque vai precisar de espaço (e de muita energia) para o que se segue. Junho é provavelmente o mês em que os lisboetas menos dormem (ai arraiais, arraiais) mas é também o mês em que as olheiras são melhor toleradas no local trabalho, portanto comece por descontrair e siga os nossos conselhos até ao fim. As Festas de Lisboa arrancam oficialmente dia 1 de Junho e só nos deixam descansar lá para o final do mês, com um belo de um concerto de despedida a cargo de Gilberto Gil. Uma das grandes novidades de 2018 é a inauguração do Lu.Ca, o novo teatro municipal totalmente dedicado à criançada, no renovado Teatro Luís de Camões (Ajuda). 

Ler mais
Por Maria Ramos Silva

Comentários

0 comments