Dinosaurios en Palacio #5
Joan Fontcuberta | Dinosaurios en Palacio #5
Joan Fontcuberta

As melhores exposições de fotografia para ver em Lisboa

Do documental ao experimental, a fotografia está viva em Lisboa. Saiba quais as exposições a não perder.

Rute Barbedo
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De autores emergentes a nomes incontornáveis da fotografia contemporânea, de festivais a exposições individuais, do Japão a micro-visões de Lisboa, a fotografia destaca-se nesta rentrée. Para ver – e não perder – há exposições em 13 espaços da cidade, no âmbito do Imago Lisboa - Photo Festival; obras de Andreas Gursky a João Onofre, saídas da Colecção Américo Marques para o MACAM; ou a visão singular de Eikoh Hosoe sobre a cultura japonesa. No Pavilhão Branco, Edson Chagas percorre 20 anos de fotografia e, na Narrativa, uma fotografia de passaporte é manipulada mais de 300 vezes dando origem a um trabalho premiado em Arles. Juntam-se, ainda, a anual Mostra de Fotografia e Autores - MFA e três olhares estrangeiros sobre a zona oriental de Lisboa, a céu aberto, no Parque Ribeirinho Oriente. Confira a lista.

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Exposições de fotografia para ver em Lisboa

  • Arte
  • Fotografia
  • Lisboa

A crise da habitação em Lisboa (Gonçalo Fonseca), animais imaginários em cenários improváveis (Joan Fontcuberta), planos reprodutivos na Alemanha nazi (Marc Schroeder), as mitologias da região ucraniana de Poltava (Viktoria Sorochinski), feridas e imagens idílicas do Líbano (Ian Cheibub), a luta pela igualdade de género por uma influente poeta (Rocío Bueno), o branco na fotografia (José Luís Neto), ficções futuristas (Chloé Azzopardi) ou o questionamento da autoridade do arquivo colonial (Délio Jasse). A lista de temas é extensa e poderia continuar, abarcando a amplitude a que já nos habituou o festival de fotografia Imago. Os lugares do evento são, também eles, uma manta diversa, da Livraria Sá da Costa à loja da Leica, passando pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado ou pela Sociedade Nacional das Belas Artes (sem nunca esquecer, claro, a própria Galeria IMAGO). O festival integra a rede europeia do Mês Europeu da Fotografia, centrando-se na promoção de artistas contemporâneos e no diálogo entre criadores, especialistas e público. Além das exposições, o programa inclui debates e oficinas, tudo sobre o mote "Repensar a Fotografia: Ecologias da Imagem", para uma reflexão crítica sobre os impactos das novas tecnologias na fotografia artística. A agenda completa pode ser consultada aqui.

  • Arte
  • Fotografia
  • Grande Lisboa

Nesta viagem pelo trabalho de Eikoh Hosoe (1933–2024) – nome incontornável da fotografia contemporânea – entramos nos campos e aldeias do Norte do Japão, mas também no nosso próprio corpo. Criada em colaboração com Tatsumi Hijikata, figura fundadora do butoh (forma de dança-teatro surgida no Japão no final da década de 1950), a série resulta dos encontros entre o performer e o fotógrafo e em cenários teatrais, próximos do sobrenatural. Ao mesmo tempo, a palavra "Kamaitachi" (que dá título à exposição) remete para uma figura do imaginário popular japonês associada ao vento e a ataques súbitos e invisíveis. "Nas fotografias de Hosoe, essa presença parece materializar-se através de Hijikata: aparece, desaparece, invade a paisagem, interage com os seus habitantes e perturba a fronteira entre realidade, memória e ficção." Publicado em livro em 1969, esta é uma das séries mais reconhecidas de Hosoe.

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  • Arte
  • Fotografia
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

O artista angolano Edson Chagas apresenta uma mistura de três séries fotográficas, essenciais no seu percurso e desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos: Found Not Taken (2008-2014, Londres, Newport, Luanda), Archives of Absence: Involuntary Images (2019, Namibe), e Common Walls (2022-2024, Lisboa, Brescia). A primeira fez parte da Bienal de Veneza em 2013, contribuindo para que Angola ganhasse o Leão de Ouro para melhor pavilhão nacional. Agora, no Pavilhão Branco (Jardins do Palácio Pimenta), o fotógrafo coloca em diálogo diferentes formas de olhar. Vindo do fotojornalismo e de uma abordagem documental, Chagas foi tomando um percurso mais introspectivo e conceptual, nunca esquecendo a cidade como tema. As obras evocam, assim, diferentes modos de habitar Luanda (onde nasceu e viveu), Lisboa, Londres e Newport (cidades onde viveu e estudou fotografia), mas também paisagens do Namibe, em Angola, e de Brescia, em Itália.

  • Arte
  • Fotografia
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

A primeira fotografia de passaporte do pai de Keisha Scarville foi o arranque, em 2012, de uma série de mais de 300 reinterpretações da mesma imagem. O trabalho de 14 anos (e inesgotável) foi distinguido como Livro do Ano nos Encontros de Arles 2026 e explora os mecanismos através dos quais o Estado fixa a identidade de um indivíduo, jogando com a sua manipulação. Em cada nova versão do retrato, há novas combinações e a sobreposição manual de fotografias encontradas, documentos vários ou recortes de imprensa. "Passports" abre, assim, horizontes ao questionar a forma como a identidade pode ser reduzida a uma fotografia. As peças são apresentadas em pequenas dimensões, o que exige uma aproximação física e uma observação demorada da parte dos visitantes. 

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  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Inserida na bienal Mostra Espanha 2026, esta exposição de Antonio Guerra aborda as transformações do território provocadas pela actividade mineira a partir de três locais: Fabero, Riotinto (Espanha) e Covas do Barroso (Portugal). Com recurso à fotografia, escultura e instalação, "Umbral Mineral" tem como ponto de partida a relação entre extracção, paisagem e imagem, atendendo às ligações entre os estratos geológicos, sociais e ambientais. Estão aqui espaços de fricção, nos quais a possibilidade de regeneração é um gesto crítico, em que podemos aprender a reler e reimaginar.

  • Arte
  • Fotografia

Georgs Avetisjans, da Letónia, Louisa Boeszoermeny, da Alemanha, e Sonia Hamza, de França, estiveram em residência artística na associação Procurarte, em 2025. Daí nasceu um projecto que usa a fotografia como ferramenta de leitura crítica da cidade enquanto espaço político, social e simbólico. Como flâneurs e observadores, os três autores criaram um retrato contemporâneo e multifacetado da zona oriental de Lisboa, "território marcado por profundas transformações urbanas, diversidade social e tensões associadas ao direito à cidade".

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  • Arte
  • Fotografia
  • Baixa Pombalina

Seis artistas experimentaram o novo para desafiarem e tentarem expandir a própria definição de fotografia. O resultado é esta exposição colectiva, integrada no programa EMOP Repensar a Fotografia e no Festival Imago. Os autores são Marta Djourina, Serge Ecker, Marco Godinho, Raisan Hameed, Carine Krecké e Paulo Simão e a exposição, dizem os organizadores, é "para quem quiser ver até onde a fotografia pode ir". Há imagens que se transformam de acordo com a posição do observador, imagens com recurso a técnicas de análise open source e inteligência geoespacial ou trabalhos sem câmara, em que a luz, a água, a bioluminescência e descargas eléctricas são ferramentas centrais.

  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Beato

A exposição da Lumina centra-se num longo período de trabalho de Luísa Ferreira. Entre 1991 e 2025, a autora manipulou diversas polaroids durante o próprio processo de revelação, momento em que ainda é possível "deslocar cores, dissolver contornos e alterar a imagem original". Cada fotografia torna-se, assim, testemunha de uma experimentação plástica que a aproxima mais do gesto da pintura. A par do seu trabalho como fotojornalista e fotógrafa documental, Luísa Ferreira desde cedo começou a explorar as possibilidades expressivas da manipulação de polaroids, um processo que ficou associado ao seu nome desde 1993, depois de uma exposição em que apresentou 110 polaroids intervencionadas e ampliadas distribuídas por 33 contentores marítimos no Jardim do Tabaco, em Lisboa. A par do seu trabalho, no espaço Le Mur, da mesma galeria, tem uma instalação de Paulo Robalo, intitulada Le Mur des Mémoires.

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  • Fotografia
  • Lisboa

É uma mostra de larga escala, disposta por vários espaços: os Jardins do Bombarda, os Pavilhões da Mitra, o Mercado de Campo de Ourique, o Mercado da Ribeira e a Casa da Imprensa. Até sábado (10), há para ver a retrospectiva de Céu Guarda, "Algarve 63", de Tim Motion, e "Guerra com Gente Dentro", de André Luís Alves. "Raspberries for Christmas", de Marc Schroeder, fica nos Jardins do Bombarda até domingo (11). Expõem-se também "Outras Paisagens", de Manuel Falcão, "Chão Que Não Se Pisa Não Dá Fruto", de João Pedro Almeida, "A Cidade", de Rui Soares Esteves, e "O Mar", de Eduardo Leal, até 31 de Dezembro. Por fim, "Retrospectiva", de Manuel Moura, fica até 27 de Novembro na Casa da Imprensa. A programação completa está aqui.

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  • Fotografia
  • Oeiras
Referência mundial do fotojornalismo, a exposição de 42 fotografias dos acontecimentos mais marcantes de 2025 ocupa o Parque dos Poetas. Em destaque estão as crises de Gaza ou do Sudão, mas também os incêndios que devastaram Los Angeles, nos Estados Unidos, ou a Galiza, em Espanha. Com entrada livre, a mostra também abarca histórias de resistência, como um casamento no meio de uma inundação nas Filipinas ou a conquista de espaço por mulheres na Tbourida, uma tradição equestre que, durante séculos, foi privilégio dos homens, em Marrocos. Pelo meio, há bailarinas que resistem num regime onde as mulheres já foram proibidas de dançar. A par da exposição, existe ainda um programa de debates, workshops, um passeio fotográfico e visitas guiadas.
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  • Belém

Nesta que é a primeira exposição individual de Frida Orupabo em Portugal, a artista norueguesa revisita um conjunto de imagens que tem vindo a reunir na sua conta de Instagram. O resultado é um percurso linear de oito momentos, com "material composto por tensões entre intimidade e violência", que dialoga com a própria arquitectura do museu.

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  • Fotografia
  • Alcântara

Nesta selecção de obras de uma das mais relevantes colecções privadas portuguesas, a de Américo Marques, alguns dos melhores fotógrafos mundiais contemporâneos ocupam uma parte do MACAM. "Espaços Outros (Parte I)" (a segunda parte chega em Novembro) inclui obras de Andreas Gursky, Andres Serrano, Bernd Becher & Hilla Becher, Candida Höfer, Cindy Sherman, Edgar Martins, Eija-Liisa Ahtila, Helena Almeida, Helmut Newton, João Penalva, Jorge Molder, Martin Parr, Nan Goldin, Richard Prince, Thomas Ruff ou Wolfgang Tillmans, num total de 36 artistas incontornáveis.

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  • Arte
  • Fotografia
  • Alcântara

Estamos nos campos da construção, negociação e dissolução dos vínculos humanos. A partir da Colecção Américo Marques, a fotografia parte, quase sempre e em diferentes direcções, da experiência amorosa, fazendo com que o visitante da exposição atravesse camadas como o desejo, a intimidade, a aproximação, a tensão, o afastamento e a perda. Aqui, a expressão "linha de falha" vai ao seu significado original – o de uma fractura na crosta terrestre onde duas placas tectónicas se encontram – para entrar nas relações humanas. Cada aproximação, ou seja, cada fotografia contém, por isso, a possibilidade de mudança.

  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Alcântara

Nesta exposição multidisciplinar, a fotografia é o meio mais recente do percurso de Igor Jesus. O artista tem desenvolvido um trabalho na área da escultura, muitas vezes associada a vídeo, som e tecnologias obsoletas ou em desuso. Em "trans-", o centro desdobra-se num conjunto de peças escultóricas especificamente concebidas para o Torreão Nascente, numa nova série de fotografias e num grupo de três esculturas videográficas. "Em todas as obras está patente o seu interesse pela mutabilidade das coisas, por estados de transição e mudança (daí o título), gerando objectos e situações para os quais não temos nome ou catalogação."

Mais arte em Lisboa

  • Arte
  • Arte urbana

Vhils, Bordalo II, Aka Corleone, Smile, ±MaisMenos±, Tamara Alves ou Mário Belém são alguns dos nomes mais sonantes neste roteiro de arte urbana em Lisboa. A eles juntam-se artistas de todo o mundo, que escolhem Lisboa para servir de tela aos mais variados estilos e mensagens. Se por um lado Lisboa está em guerra com taggers com pouco talento para a coisa – e que fazem questão de espalhar assinaturas por tudo quanto é sítio –, por outro a cidade é cada vez mais um museu a céu aberto de belíssimas obras de arte urbana. Embarque connosco num passeio alternativo pela cidade.

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  • Compras

Quem disse que a ilustração é o parente pobre da arte? Em Lisboa, conseguimos encontrar lojas e galerias que provam o contrário, com o melhor que anda a ser feito nas áreas da ilustração e da serigrafia. Dos jovens artistas que ainda agora começaram a dar os primeiros passos aos nomes sonantes, dos autores portugueses aos génios criativos internacionais, esta arte é para todas as carteiras, dos 10€ aos 100€. Dos pequenos formatos, que ficam bem até na mesa de cabeceira, às ilustrações maiores para decorar a sala ou o quarto. Transforme a casa e dê-lhe mais cor e autor.  

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